A demora do prefeito eleito de Manaus, David Almeida (Avante), em anunciar o titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed), uma das maiores pastas da gestão municipal, está ligada à retirada de “apadrinhamentos” internos de vereadores reeleitos e de uma deputada estadual.
Conforme apurado nos bastidores pela reportagem, Almeida quer evitar ingerências na pasta durante sua administração.
Ele quer barrar interferências políticas ligadas aos vereadores professora Jacqueline (Podemos) e professor Samuel (PL), além da deputada estadual professora Therezinha Ruiz (PSDB), pessoas essas que não apoiaram a candidatura de Almeida nas eleições municipais deste ano.
David estaria buscando uma gestão que tenha domínio, sem interferência política. Os vereadores e a deputada do Amazonas teriam em cargos estratégicos pessoas detentoras de tomadas de decisões, que vão desde contratações, lotações e transferências.
Durante a eleição, conforme apurado pelo O Poder, o vereador reeleito professor Samuel chegou a conversar com David Almeida, mas, como a dobradinha “Arthur e David” não deu certo, acabou se distanciando.
Pessoas próximas a David Almeida comentam que a nova conjuntura política se pede a radicalidade dentro das pastas, sem indicativos de interferência, sempre sobressaindo o discurso de que um agente político poderia ser beneficiado com uma determinada estrutura em benefício próprio, o que poderia até, caracterizar como abuso de poder econômico e político.
Nomes na disputa
A direção da Semed está sendo disputada pelo ex-deputado federal, Pauderney Avelino (DEM), o ex-vereador professor Bibiano (PT) e Arone Bentes (Pros), ex-secretário de David na gestão interina em 2017 e favorito para ocupar a pasta.
Durante coletiva na manhã desta terça-feira, 29, David Almeida afirmou que até às 19h de hoje terá a definição dos nomes que comandarão a pasta. “Não é apenas um nome, temos que definir o secretário pedagógico, de planejamento e gestão”, ressaltou o prefeito eleito.
Conforme apurado pelo Portal O Poder, Pauderney Avelino estaria sofrendo uma certa dificuldade de aceitação por não ser considerado um nome técnico para comandar a pasta, além de trazer uma imagem negativa de ter ocupado cargo no governo Wilson Lima (PSC). “Um nome forte, mas, inapropriado para esse início de gestão”, afirmam pessoas próximas a David.
Pauderney já foi secretário municipal de Educação na gestão do prefeito Arthur Neto (PSDB), no ano de 2013.
Pauderney minimiza
Procurado pela reportagem, Paunerdey Avelino negou que tenha qualquer conversa sobre a pasta de educação e afirmou que viaja nesta terça-feira para Brasília para tratar de assuntos pessoais.
Avelino, se mostrou surpreso com o discurso de David sobre a ajuda durante a eleição, em entrevista que anunciou Marco Aurélio Choy como Procurador-Geral do Município.
David se mostrou “balançado” em ter Pauderney em sua gestão. “O ex-deputado foi uma pessoa que me ajudou durante a disputa eleitoral, só tenho palavras de agradecimentos. E friso, a definição do comando da Semed não é por questões de insatisfações ou não aceitação dos nomes que estamos conversando”, disse David.
O prefeito eleito disse, ainda, que está buscando pessoas técnicas e competentes para ajudar na administração da cidade de Manaus.
Orçamento
A disputa pelo comando da Secretaria Municipal de Educação é também a briga por uma previsão que somam R$ 1,6 bilhão do orçamento municipal. O montante está 11% acima que o previsto para 2020 e representa a maior fatia do orçamento municipal estimado para o próximo ano.
Henderson Martins, para O Poder
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