O assassinato do petista Marcelo Arruda pelo bolsonarista Jorge Guaranho repercurtiu na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira, 11. Vários parlamentares falaram sobre a paz e o respeito pelas divergências políticas.
O líder do PT na Casa Legislativa, Sassá da Construção Civil, disse que o dia iniciava triste. O parlamentar lembrou que não havia ameaças por discordâncias ideológicas quando o partido estava no poder. “Quando estávamos no poder, não se apontava arma para ninguém. Por causa do ódio de quem não sabe o que é democracia, dois pais de família foram atingidos. A democracia respeita as partes em qualquer partido. Hoje, milhares de pessoas estão vendo o ódio plantado no país”, comentou.
“Eu quero dizer que ninguém constrói o país na base do ódio. O Bolsonaro (PL) veio para Manaus e ninguém jogou bomba nem nada nele, porque tem um outro lado também. Os ataques a jornalistas, jogando bomba nos comícios, não é democracia. Isso é desespero. A política não se faz com ódio, mas com paz”, ressaltou o parlamentar que também fez uma moção de repúdio ao ato.
Outro vereador a lamentar o ocorrido foi Raulzinho (PSDB). O tucano disse que situações assim o deixam temeroso, comparou a divergência política a divergências entre clubes de futebol e criticou o fanatismo. “Nossa população começou a se digladiar. Começou a achar que o vizinho que tomou sua decisão política é inimigo. Somos um país só e não podemos deixar que isso se alastre. Entendo que todos têm sua opinião e isso é democracia. O que faz o Parlamento são as oposições. O que seria do Parlamento se tivesse só situação? Eu tenho que respeitar o posicionamento de qualquer um desta Casa, mas não o que estou vendo lá fora”, reprovou.
Além de repudiar a ação que culminou na morte de Arruda, o vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) lembrou os discursos de ódio nas redes sociais. “Os extremismos precisam ser veementemente repudiados. Nós não podemos permitir que a cultura do ódio e da intolerância política continuem se propagando em nosso país. Ela começa nas redes sociais, porque ali é onde acontece a maior propagação. Isso deve ser repudiado por toda a classe política do país”, comentou.
Já o bolsonarista Capitão Carpê Andrade (Republicanos) condenou o ato criminoso. O vereador também criticou o extremismo tanto da Direita quanto da Esquerda e falou que é inadmissível que viés ideológicos possam ser usados em atos violentos contra qualquer pessoa. Além disso, o vereador defendeu o presidente Bolsonaro (PL).
“Repudio todos os atos de violência e dispenso apoio a quem pratica violência. Assim como repudio em 2018 quando aquele ‘vagabundo’, em um evento bolsonarista, atentou contra a vida do presidente. O que está em discussão é usar o ato repugnante para atacar o presidente que nada tem a ver com isso. A morte desse cidadão não pode ser usada como palanque político para ganhar votos. Os rigores da lei devem ser aplicados em qualquer lado. Eu, como defensor da bandeira de direita, irei defender o presidente Bolsonaro porque acredito que nada tem a ver e muito menos aqueles que o apoiam”, defendeu Carpê.
O crime
O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) e guarda municipal, Marcelo Arruda, comemorava seus 50 anos com festa temática da sigla e do ex-presidente Lula, quando foi morto pelo bolsonarista e policial penal federal Jorge Guaranho. O principal motivo seria a divergência política. Na manhã desta segunda-feira, 11, a Justiça decretou a prisão preventiva de Guaranho, que permanece internado.
O crime aconteceu em Foz do Iguaçu (PR) na madrugada de domingo, 10, e tem sido destaque por todo o país.
Priscila Rosas, para Portal O Poder
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