Roraima – Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira, 12, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), ignorou as crises existentes na atual gestão e avaliou os 100 primeiros dias do segundo mandato como “tudo dentro da normalidade”.
“Estamos conseguindo manter tudo dentro da normalidade, com pagamento de servidores em dia e o cumprimento de todas as nossas obrigações. Ainda temos muito a fazer, mas estou trabalhando todos os dias para transformar e melhorar a vida das pessoas do nosso Estado”, escreveu.
Além de não reconhecer os problemas existentes na atual gestão, o governador tentou passar a impressão de que tudo está bem.
“Temos muito o que comemorar! Roraima, pelos números dos últimos 4 anos é o estado que melhor enfrenta a instabilidade da economia, gerando empregos e renda, com um saldo positivo de 18 mil carteiras assinadas”, sustentou.
‘Roraima deu certo’
Esta não é a primeira vez que Denarium tenta passar a impressão de que na gestão dele tudo está indo bem. Para reforçar essa ideia, no mês passado, o governo de Roraima veiculou peça publicitária afirmando que “Roraima deu certo”. No entanto, a realidade evidencia totalmente o contrário.
Os problemas sempre foram recorrentes na gestão de Denarium. Entretanto, o início do novo mandato tem sido ainda mais conturbado, marcado por polêmicas e crises.
Em um dos casos recentes que acabou “manchando” a atual gestão do Estado, Vanda Garcia e Fabrício de Souza Almeida, respectivamente irmã e sobrinho do governador Antonio Denarium, foram alvos de uma operação da Polícia Federal, que investiga uma organização criminosa que teria movimento R$ 64 milhões, lavagem de dinheiro da venda ilegal de ouro.
Mesmo não sendo alvo da operação, Denarium teve foto divulgada ao lado da irmã e sobrinho, em rede nacional.
Fala discriminatória
Também nesses 100 primeiros dias de mandato, o governador novamente foi manchete nacional por algo negativo. Desta vez, por falar em uma entrevista que os indígenas devem ser aculturados e paparem de viver como bichos.
A fala foi considerada discriminatória e falta de respeito com os costumes e tradições dos povos indígenas. Denarium deu a declaração justamente no momento em que indígenas Yanomami enfrentam uma grave crise de desnutrição e da falta de atendimento básico, com mortes quase que diariamente.
Entidades representativas dos indígenas repudiaram o posicionamento do governador e afirmaram que Denarium nunca fez nada em mais de quatro anos de governo para melhorar a situação dos Yanomami.
Pedidos de impeachment
Em menos de 100 dias de gestão, foram protocolados na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) quatro pedidos de impeachment contra Denarium.
O primeiro foi feito pelo jornalista e vereador de Boa Vista, Bruno Perez (MDB). Em entrevista ao O Poder, o vereador disse que os deputados estaduais precisam analisar a omissão do governador em relação aos indígenas e sobre a fala discriminatória.
“É um problema antigo, que o Denarium tinha conhecimento, não pediu ajuda do ex-presidente Bolsonaro em nenhum momento. Agora, quando o presidente Lula, entre aspas, descobre tudo, ele quer ajudar o índio, quer ser bem intencionado. Foi omisso, nunca fez uma operação para conter os voos clandestinos, pistas clandestinas, aprovou leis que permitiam o garimpo. Então, os deputados precisam analisar essa omissão dele”, disse o vereador.
No início desta semana, outros três pedidos de impeachment foram protocolados na Casa Legislativa pelo advogado Marco Vicenzo.
Saúde na ‘UTI’
Outro problema grave que evidencia o oposto da peça publicitária é a saúde pública estadual, considerada como o principal gargalo da gestão de Antonio Denarium. Durante todo o primeiro mandato e início do segundo, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) tem sido a mais conturbada.
As reclamações são as mais variadas, como, por exemplo, demora na realização de cirurgias, falta de materiais, medicamentos e até de mais profissionais para atender a demanda. O caso é tão grave que até a classe dos médicos chegou a afirmar que iria fazer uma greve geral.
Os problemas na saúde estadual estão presentes em todos os setores e hospitais. Na maternidade Nossa Senhora de Nazareth é ainda mais grave. Somente no mês de janeiro deste ano, 28 bebês morreram, mais que o total de 2022.
Da redação
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