janeiro 27, 2026 14:20

Flávio Bolsonaro enfrenta impasse na busca por marqueteiro

Sem o apoio explícito de nomes relevantes da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta na largada da pré-campanha dificuldades para diminuir sua rejeição, reduzir resistências fora do núcleo bolsonarista, além de conviver com a sombra do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), tratado por setores do campo conservador como alternativa mais competitiva ao Palácio do Planalto. Por isso, interlocutores veem como essencial ampliar o leque de apoios e construir uma imagem que extravase o bolsonarismo raiz, o que impulsionou a busca por marqueteiro.

O senador tem conversado com diferentes profissionais do mercado em busca de alguém capaz de organizar a estratégia, dar consistência à comunicação e oferecer um roteiro para 2026.

Nas conversas, a demanda central é por um nome que consiga “colar” a imagem do senador na figura do pai, mas ao mesmo tempo dar um tom mais moderado e individual. A avaliação é que a campanha precisará sair do tom reativo e de pautas identitárias para construir atributos presidenciais — agenda econômica, discurso institucional e capacidade de diálogo. Há também pressão para profissionalizar a produção de conteúdo e integrar melhor redes, imprensa e agenda territorial, pontos vistos como falhas recorrentes nas campanhas anteriores do campo bolsonarista.

Desafio

Um dos desafios para tornar o nome competitivo é reduzir a rejeição. A pesquisa Genial/Quaest mais recente sobre o cenário eleitoral de 2026 mostra queda na rejeição ao nome de Flávio, que passou de 60% para 55%, mas o patamar ainda é alto e superior ao de Tarcísio, com 43%.

Em meio à pré-campanha, o publicitário Daniel Braga, próximo ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que foi alçado a coordenador, começou a auxiliar Flávio em conteúdos para as redes sociais. A avaliação, contudo, é que ele não deve ser o estrategista. Outro nome lembrado foi o de Duda Lima, marqueteiro do PL. A hipótese, no entanto, é vista como improvável diante do desgaste após a campanha de Ricardo Nunes em 2024.

Além disso, interlocutores do partido reconhecem que a estrutura digital de Flávio está longe do alcance que Jair Bolsonaro construiu ao longo dos anos, embora o senador tenha ampliado seguidores desde que passou a ser tratado como presidenciável.

Sem postar nas redes desde julho, Jair Bolsonaro mantém 27 milhões de seguidores em seu perfil no Instagram. Flávio, por sua vez, tem 8,3 milhões, cerca de 30% do pai. Isso reforça a avaliação interna de que apenas a força orgânica do bolsonarismo não será suficiente para sustentar uma campanha nacional.

Fora da publicidade, há o desafio de avançar eleitoralmente em áreas onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é forte, caso do Nordeste. No centro dessas articulações aparece novamente Rogério Marinho. Nordestino, ele é próximo da família Bolsonaro e, por isso, tido como capaz de costurar apoios na região. Marinho afirma que o partido trabalha com a meta é ampliar vantagem onde Bolsonaro venceu e reduzir a diferença no Nordeste, onde há maior preocupação em Pernambuco, Ceará, Alagoas, Maranhão e Bahia.

— Cada região vai ter uma estratégia. Nas outras quatro regiões onde o Bolsonaro venceu, a ideia é ampliar essa distância — disse.

Em 2022, Lula venceu em todos os nove estados do Nordeste, sendo a única grande região em que superou Jair Bolsonaro no segundo turno, com cerca de 69,3% dos votos válidos na região ante 30,6% de Bolsonaro, participação que foi crucial para sua vitória nacional. Nacionalmente, Lula obteve 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Bolsonaro, uma diferença apertada de cerca de 1,8 ponto percentual na soma dos votos de todo o país. No Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, Bolsonaro venceu, o que ajudou a estreitar o resultado, mas não foi suficiente para derrotar o impacto eleitoral do Nordeste.

Para isso, palanques fortes nos país são essenciais. Segundo Marinho, contudo, ainda há tensões em cerca de dez estados, incluindo Minas, Rio e Goiás.

Fator Michelle

Além disso, um pano de fundo envolve a movimentação de Michelle Bolsonaro: segundo aliados, ela atua para reabilitar Tarcísio para a disputa presidencial, a partir da eventual ida de Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar. Dirigentes do PL afirmam que, primeiro, Flávio precisa angariar o apoio da madrasta, que ainda teria preferência por uma candidatura do governador, que por sua vez se diz candidato à reeleição.

Aliados reconhecem que Flávio ainda precisa convencer o próprio campo de que tem capacidade de liderar a transição após a prisão e a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governador tem dito que é candidato à reeleição, mas recuou da visita que faria ao ex-presidente na semana passada, depois de Flávio afirmar que o pai diria a ele que as eleições nacionais estavam fora de cogitação. Tarcísio é tratado como alternativa mais viável por setores do empresariado e do Centrão.

 

Da Redação com informações de O Globo

Foto: Divulgação

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