Sete dias após defender na tribuna virtual da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) medidas mais enérgicas para que a população obedeça o isolamento social e, inclusive, se mostrar simpatizante a um possível lockdown e afirmar que iria sugerir esta medida drástica tanto à Prefeitura de Manaus quanto ao governo do Estado, a líder do governo na Aleam, deputada Joana Darc (PL), disse neste mesmo espaço virtual que é “contrária” ao confinamento geral.
“Eu não sou a favor nesse momento. O que sou a favor é rigor nas fiscalizações e que a gente alerte a população que cumpra. E se isso não funcionar lá na frente e a gente tiver o aumento dos casos, a alta transmissibilidade se presenciar as aglomerações e que as pessoas não estão cumprindo, aí, sim, a gente pensa em lockdown”, avaliou.
A deputada, no entanto, não falou do altíssimo número de casos de coronavírus no Amazonas e também de mortes em decorrência da doença. Nesta quarta-feira, 6, o Estado bateu recordes de novos casos, com a confirmação de 1.134 positivos para a doença e, 102 mortes em decorrência da Covid-19. No total, o Estado tem 9.243 infectados com o vírus e 751 óbitos.
Alem de Joana, outros deputados também se manifestaram contra o confinamento geral. Líder da minoria na casa, Wilker Barreto (Podemos) acredita que o lockdown vai acontecer, mas sugeriu cautela. Ele disse que os jovens e as pessoas que não têm comorbidades estão mais imunes, mas decretado o confinamento total, pessoas saudáveis podem passar fome e ficar debilitadas.
Fausto Júnior (PV) se posicionou contrário a medida e afirmou que defende que sejam respeitadas as medidas de segurança já estabelecidas. “Acredito que a preocupação do Ministério Público é nesse sentido, mas sou contra medidas não razoáveis,agora confio na decisão da justiça e defendo o seu cumprimento”, disse.
Já o deputado Felipe Souza (Patriota) afirmou que o lockdown é uma medida bastante agressiva, muito restritiva que pode trazer mais prejuízos a população. “Eu não sou favorável ao lockdown. Até acredito que podem haver outras medidas de restrição mais efetivas. Até porque o Estado e a Prefeitura não tem nem mecanismos suficiente para fiscalizar o cumprimento de um lockdown”, questionou.
Delegado Péricles (PSL), também acompanhou o colega e afirmou ser contra. Na sua avaliação o que precisamos no momento é o fortalecimento do sistema de saúde, de planejamento e de gestão eficiente, além de orientação do poder público sobre os cuidados necessários que a população precisa ter.
Álvaro Campelo (Progressista) está cauteloso, já que temos uma situação diferenciada e que é preciso antes de se pensar em lockdown uma ampla discussão inclusive com os setores do comércio e da indústria.
Therezinha Ruiz (PSDB) que teve dois filhos que se recuperam da Covid-19, voltou a pedir fiscalização nos flutuantes de Manaus que continuam abertos e causando aglomerações. “Quando a gente fala em lockdown é em todos os locais onde pode ter aglomerações. Temos recebidos denuncias de flutuantes que estão irregulares e continuam fazendo eventos na área do Tarumã”, denunciou.
Vice-presidente da Aleam, Alessandra Campelo (MDB) defendeu que a medida seja antes discutida com o governo do Estado e a prefeitura. “O próprio lockdown se tiver de acontecer tem que ser de forma organizada pra evitar o que vi ontem nas redes sociais até meia noite os supermercados com filas quilométricas e gerando aglomerações inclusive aqui em Manaus. É bom que a prefeitura e o Estado se pronunciasse e seja feito em conjunto com o Ministério Público”, concluiu.
No início da noite desta quarta-feira, 6, o juiz titular da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Ronnie Stone, indeferiu o pedido de liminar em Ação Civil Pública impetrado ontem pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) que pedia a imposição de lockdown por dez dias em Manaus.
Augusto Costa, para O Poder
Foto: Aleam