fevereiro 23, 2026 02:33

TJ mantém a suspensão do processo de impeachment do governador e vice, na Aleam

Por maioria de votos, os desembargadores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), referendaram, nesta terça-feira, 26, a decisão monocrática do desembargador Wellington de Araújo sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que suspendeu o prosseguimento do processo de impeachment do governador Wilson Lima (PSC) e seu vice, Carlos Almeida Filho (PTB), aberto pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Durante o julgamento, o desembargador Flávio Pascarelli levantou a discussão sobre a competência do Tribunal de Justiça em decidir sobre a matéria, mas, por maioria de votos, o colegiado acabou decidindo pela competência do tribunal em julgar o processo.

Após decidirem sobre este item, os desembargadores passaram a discutir a legitimidade do deputado estadual Dr. Gomes (PSC), em agir de forma isolada no ingresso da Adin no TJ-AM. Os argumentos de legitimidade do autor da ação foram levantados pelo desembargador Délcio Santos, que foi vencido.

Délcio questionou a iniciativa de o deputado agir isoladamente. Na avaliação do magistrado, para o parlamentar, só caberia ingresso da Adin se fosse para questionar a constitucionalidade de forma local em face da Constituição Estadual. “Se a norma de controle estiver na Constituição Federal, falece de controle do autor e consequentemente falece competência do Tribunal de Justiça do Amazonas, processar de julgar esta Adin”.

No entanto, o desembargador foi vencido quando a corte resolveu julgar pela competência do tribunal em julgar o processo.

Inconstitucional

Para o desembargador Ari Moutinho, solta os olhos a inconstitucionalidade promovida pela Aleam, pelo regimento da casa. Conforme o magistrado, o Parlamento estadual extrapola e afronta decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), ao continuar o processamento e julgamento de governador e vice por crime de responsabilidade.

“Além do mais, o Poder Legislativo não é competente para julgar governadores por crime de responsabilidade. A competência para legislar para crime de responsabilidade é da União. Os governadores serão julgados por um Tribunal Misto”, disse Ari.

Aleam recua

Na sustentação oral, o procurador Robert Wagner, representado a Assembleia Legislativa do Amazonas, disse que o Legislativo estadual não iria contra a decisão do TJ-AM, que suspendeu o prosseguimento de impeachment do governador e vice do Amazonas, inclusive, o próprio procurador afirmou que a decisão foi acertada, que os regimentos internos usados pela Aleam para sustentar o processo de afastamento estariam erroneamente colocados.

“A Aleam vem reivindicar um esclarecimento, tão somente, não viemos contrapor a decisão do TJ. A decisão do tribunal foi acertadíssima que reconheceu a inconstitucionalidade. Paramos a tramitação do processo para que não se especulasse que a Aleam tivesse desobedecendo a decisão judicial”, ressaltou o procurador.

O advogado de Gomes, Diego D’Avilla, comentou que o próprio documento apresentado para a instauração do processo de impeachment apresentava argumentos que comprovavam a inconstitucionalidade nos ritos que buscavam o impedimento do governador e do vice.

“Na manifestação da Aleam, as páginas 1.196 a 1.212, por duas vezes a casa mostra que é inconstitucional, informa que não utilizou o seu regimento interno, a própria Aleam não está aplicando a norma. Em duas oportunidades informa que não está aplicando a Resolução vigente. É uma situação de extrema insegurança jurídica”, concluiu o advogado.

 

 

 

Henderson Martins, para O Poder

Foto: Reprodução

Últimas Notícias

STF: Ministros receberam ou têm parentes que receberam penduricalhos

Dos nove ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), quatro já receberam ou têm parentes que receberam verbas extras acima...

Mais artigos como este

error: Conteúdo protegido!!