março 31, 2025 19:36

IMPEACHMENT: Arquivamento vai a plenário, mas deputados ‘indecisos’ silenciam sobre voto

Aprovado na semana passada por 10 votos a 1, o parecer pelo arquivamento do impeachment do governador Wilson Lima (PSC) e do vice, Carlos Almeida Filho (PTB), será lido nesta terça-feira, 4, no plenário Ruy Araújo da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e seguir o rito interno para depois ser votado em plenário pelos 24 deputados estaduais.

A expectativa é que seja votado na próxima semana, passadas as 48 horas após a publicação do relatório lido, no Diário Eletrônico da Assembleia. “Após esse prazo, o relatório é colocado na primeira Ordem do Dia que tiver para que seja discutido, debatido e votado”, explicou a presidente da Comissão Especial do Impeachment, a deputada Alessandra Campêlo (MDB). Segundo ela, a votação é por maioria simples, ou seja, tem que ter 13 votos favoráveis para ser mantido o parecer ou derrubá-lo.

O governador e o vice passaram na primeira prova de fogo, o da comissão especial. Agora, a grande expectativa é quanto à votação em plenário, quando espera-se que os 24 deputados estejam presentes, em plenário ou virtual, para esta decisão: se vão manter o arquivamento ou o prosseguimento do processo de impeachment.

Se nada mudar até o dia da votação em plenário, o governador tem dez votos cativos pelo arquivamento e teria que amealhar mais três entre os indecisos para passar esta prova de fogo e sepultar, de vez, o fantasma do impeachment.

O Poder procurou os deputados estaduais para ouvi-los a respeito dessa votação, mas o que se viu foi silêncio. Os poucos que atenderam a reportagem evitaram antecipar como devem votar neste processo.

‘Forma de protesto’

Membro da Comissão Especial do Impeachment, o deputado Delegado Péricles (PSL) foi um dos que se absteve na votação do relatório e, questionado pela reportagem o porquê dessa atitude, já que integra a base de oposição na casa, ele revelou que sua abstenção foi uma forma de ‘protesto’.

“A abstenção na votação da comissão especial foi justamente em razão de que sequer houve diligências ou instrução no âmbito da comissão. Foi um voto de protesto. A apressada análise do parecer pelo relator inviabilizou qualquer tipo de análise técnica sobre a admissão ou não do impeachment. Espera-se que no plenário a matéria seja de fato discutida e analisada, como qualquer processo deve ser”, disse o deputado.

Desespero da base, diz Dermilson

Grande crítico do governo, o deputado de oposição Dermilson Chagas (Podemos) não participou da votação que decidiu pelo arquivamento do processo e impeachment do governador e do vice.

Em nota, o deputado disse que na sexta-feira, 31 de julho, realizou um procedimento cirúrgico que estava agendado desde o início do mês passado, sem qualquer chance de ser postergado para uma outra data. “E até aquele momento, tudo estava caminhando de forma correta, pois, a reunião da comissão do impeachment de votação do relatório do parecer estava marcada para ocorrer na próxima segunda-feira, 3, assim possibilitando a minha participação virtualmente”, ressaltou.

Mas, segundo o deputado, devido a “manobra da base e o desespero de inocentar o governador do Amazonas”, remanejaram a reunião para a mesma data (sexta-feira 31) e para o mesmo horário da sua cirurgia, impossibilitando a participação dele.

“Quero pedir perdão para população do Amazonas e dizer que eu não estou em cima do muro e, muito menos, fugindo de um tema tão relevante para o nosso Estado. Não possuo acordo ou contrato com este desgoverno. O meu posicionamento continuará da mesma forma, a favor do povo e a favor do impeachment”, ressaltou o deputado.

Sem comentários

Os deputados Serafim Corrêa (PSB), Abdala Fraxe (Podemos), Mayara Pinheiro (Progressistas), Augusto Ferraz (DEM), e Ricardo Nicolau (PSD), foram procurados pela reportagem, mas não retornaram sobre os questionamentos em relação aos votos no processo de impeachment.

A líder do governo na Assembleia Legislativa, deputada Joana Darc (PL), também evitou comentar sobre o processo de impeachment e sobre qualquer diálogo ou articulação que esteja mantendo com os demais deputados por ventura indecisos para a votação em plenário.

Outro deputado que não quis adiantar o voto foi Álvaro Campelo (PP). Ele se limitou a dizer que não teve acesso ao relatório elaborado pela comissão especial.

O presidente da casa, deputado Josué Neto (PRTB), também não quis comentar sobre processo.

Composição

Com 17 membros, a Comissão Especial do Impeachment é formada, em sua grande maioria, por deputados da base governista. São eles: Alessandra Campêlo, Therezinha Ruiz (PSDB), Dr. Gomes (PSC), Saulo Viana (PTB), Belarmino Lins (Progressista), Cabo Maciel (PL), Roberto Cidade (PV), Carlinhos Bessa (PV) e Joana Darc.

Os demais membros da comissão, os deputados João Luiz (Republicanos), Sinésio Campos (PT), Adjunto Afonso (PDT) e Felipe Souza (Patriotas) se declaram independentes.

Já os deputados Wilker Barreto (Podemos), Dermilson Chagas, Delegado Péricles e Fausto Júnior (PRTB) fazem parte da oposição.

Pelo arquivamento

Os deputados da comissão que votaram pelo arquivamento do processo de impeachment foram: Alessandra Campêlo, Adjuto Afonso, Belarmino Lins, Cabo Maciel, Carlinhos Bessa, Joana Darc, Dr Gomes, Therezinha Ruiz, Roberto Cidade e Saullo Viana.

Wilker Barreto foi o único a votar pelo prosseguimento do processo. Os deputados Delegado Péricles, Fausto Júnior, João Luiz e Felipe Souza se abstiveram da votação.

 

 

 

Henderson Martins, para O Poder

Foto: Alberto César Araújo/Aleam

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