abril 5, 2025 08:58

Em plenário vazio e base aliada calada, oposição na Aleam repercute Operação Sangria

Com um plenário praticamente vazio, somente os deputados da oposição repercutiram nesta quinta-feira, 8, o desdobramento da Operação Sangria, cuja segunda fase foi deflagrada hoje e que investiga fraudes e desvios de verbas na área de saúde durante a pandemia da Covid-19, durante a sessão híbrida da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

A operação foi deflagrada nesta manhã em Manaus pela Polícia Federal e acompanhada por membros da Controladoria Geral da União (CGU). Apesar de ser maioria no Parlamento, nenhum deputado da base governista que, segundo o apoio da casa estavam participando da sessão de forma remota, saíram em defesa do governo estadual e preferiram fugir do debate adotando o silêncio sem se pronunciar.

De acordo com a deputada Mayara Pinheiro (PP) que estava presidindo a sessão e fez a contagem no inicio das atividades parlamentares, 15 deputados entre presentes e virtuais iniciaram os trabalhos. Durante o decorrer da sessão outros parlamentares vieram participar e foi registrado 19 presentes.

O primeiro a se manifestar sobre a Operação Sangria 2, foi o deputado Serafim Corrêa (PSB) ainda durante o pequeno expediente. Ele lamentou que mais uma vez Manaus estivesse sendo  o alvo de operação da Polícia Federal por casos de corrupção.

“Eu registro isso não é com alegria. É com tristeza, porque verificamos as coisas continuam caminhando de forma equivocada. Aquele diagnóstico da CPI elucidou as questões e nós não tivemos tempo para avançar na apuração das responsabilidades, mas ficou o mapa da mina.  E eu fico com a consciência tranquila eu e os demais membros da CPI porque cumprimos o nosso papel”, afirmou.

Na esteira, Dermilson Chagas (Podemos) também se manifestou sobre a operação policial e chegou a ironizar o plenário vazio pela ausência dos deputados governistas que não se manifestaram.

“Hoje de manhã cedo estava procurando alguém que tivesse uma selfie ao lado do governador. Mas parece que todo mundo apagou as fotos do Facebook e Instagram. A justiça tarda, mas não falha. Hoje a Polícia Federal visita mais uma vez o mundo de ‘Nárnia’ no palácio do governo para busca e apreensão e a farra com o dinheiro público continua no pagamento dos contratos indenizatórios. Quase não tem ninguém da base hoje para participar dessa sessão e defender o governo. Vamos terminar com um plenário vazio”, ironizou.

Wilker Barreto, também do Podemos, questionou os colegas e afirmou que iria procurar no Regimento Interno da casa algum artigo que proíbe falar de corrupção. Wilker voltou a cobrar dos deputados as oito assinaturas para implantar a CPI da OS que na sua avaliação será uma continuação da CPI da Saúde. Ele também alfinetou a base governista que não defendeu o governo.

“O advento da CPI materializa aquilo que a gente vinha quase num voo solo. A CPI mostrou indícios claros que existia um cheiro de infecção generalizada na saúde do Amazonas. Se essa cassa não coletar de forma digital as oito assinaturas para a CPI da OS essa casa vai dar um exemplo que a próxima operação vai ser aqui dentro. Temos que dar sinais que essa casa tem compromisso com o povo e não com o governo”, alfinetou.

Wilker afirmou ainda que a Aleam não poderia agir de forma natural pela segunda vez diante de mais uma operação da Polícia Federal no Amazonas.

“O silencio dessa casa é prenúncio de temporal. Tem que dar a mesma resposta a altura das Assembleias do Rio de Janeiro  e Santa Catarina com um pacto com a sociedade e não com organização  criminosa denunciada por inúmeros deputados”, disparou.

 

Balanço da CPI da Saúde

O ex-presidente da CPI da Saúde, deputado delegado Péricles (PSL), foi o último a se pronunciar sobre a Operação Sangria e fez um balanço das investigações da comissão que colaborou com o desdobramento das ações da PF no caso das investigações dos respiradores superfaturados.

“Hoje é mais uma operação da Polícia Federal e eu posso garantir a todos que muito do que está sendo feito é desdobramento do que foi apurado pela CPI da Saúde. Foi a CPI que mostrou em primeira mão a imprensa e a sociedade que havia o envolvimento do marido (empresário Luiz Avelino Júnior),  da secretária de Comunicação (Daniela Assayag), que hoje foi preso pela Polícia Federal”, concluiu.

Participantes

No total 19 deputados participaram da sessão desta quinta-feira, 8, entre os sete presenciais e 12 de forma remota. Estiveram no plenário os seguintes deputados: Mayara Pinheiro (PP), delegado Péricles (PL), Abdala Fraxe (Podemos), Adjuto Afonso (PDT), Dermilson Chagas (Podemos) Roberto Cidade(PV) e Wilker Barreto (Podemos).

A maioria dos deputados da base governista hoje participaram de forma remota: Dr. Gomes (PSC), Cabo Maciel (PL), Augusto Ferraz (DEM), Belarmino Lins (PP), Felipe Souza (Patriota), João Luiz (Repúblicanos), Serafim Corrêa (PSB) Sinésio Campos (PT), Therezinha Ruiz (PSDB), Saullo Vianna (PTB) e Carlinhos Bessa (PV). Álvaro Campelo (PP), que é do grupo independente, também participou de forma remota.

Governo responde

Em nota, o governo do Estado respondeu que está colaborando com as investigações da PF.

Veja a nota na íntegra:

O Governo do Amazonas informa que está contribuindo com a apuração dos fatos pela Polícia Federal e órgãos de controle e que a ação de busca e apreensão, desencadeada nesta quinta-feira (08/10), envolve, em grande parte, pessoas que já não fazem mais parte da estrutura de Governo, bem como servidores que não atuam como ordenadores de despesas ou tenham poder de decisão na estrutura do Estado ou da investigação em questão.
O Governo do Estado reitera que tem atuado de forma transparente e que confia na Justiça.

 

 

 

Augusto Costa para O Poder

Foto: Divulgação

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