Roraima – Alvo da operação Suserano, da Polícia Federal, que investiga desvio de recursos públicos de quase R$ 12 milhões, o empresário Abel Galinha quer ser deputado estadual em Roraima. Filiado ao Partido Social Democrático (PSD), Galinha aguarda deferimento de candidatura, que começa a ocorrer a partir do dia 16 deste mês.
Empresário do ramo de postos de combustível em Roraima, Abel Galinha, que chegou a ser preso durante a operação, teve a cabeça raspada e foi fotografado trajando uniforme da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), declarou, até o momento, R$1.046.609,03 em bens à Justiça Eleitoral, conforme dados extraídos do site de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais. Entre os bens, o empresário declarou casas, terreno, aplicações e veículos.
Suserano
Na manhã do dia 24 de agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a operação ‘Suserano’, com o objetivo de investigar a atuação de uma suposta rede destinada a desviar recursos públicos federais de quase R$ 12 milhões provenientes de emendas parlamentares de um ex-deputado federal.
A ação foi um desdobramento da operação Godfather, deflagrada em outubro de 2020 que investigava o suposto envolvimento do empresário e ex-deputado federal Abel Mesquita, o Abel Galinha em fraudes de mais de R$ 14 milhões.
Além do ex-parlamentar, um procurador estadual também foi alvo da Gofather, à época. A operação investigava um esquema de propina e fraudes em licitações entre agosto de 2017 e abril de 2019.
“As investigações são um desdobramento da segunda etapa da operação Godfather, deflagrada em outubro de 2020, que investigaram o suposto envolvimento do mesmo ex-parlamentar federal em fraudes em mais de R$ 14.000.000,00 em contratos da Secretaria de Saúde de Roraima”, informou a PF à época.
Mais de meio milhão em espécie
Poucas horas depois de conduzirem o ex-deputado federal Abel Galinha por suspeita de envolvimento em um esquema que desviou quase R$ 12 milhões provenientes de emendas parlamentares, agentes da Polícia Federal fizeram uma “varredura” na casa do genro de Galinha, onde foram encontrados escondidos mais de R$ 575 mil em espécie.
Ouro no escritório de Galinha
Em um escritório do ex-deputado federal, localizado em um posto de combustível, a PF encontrou ouro em estado bruto, possivelmente oriundo de garimpos ilegais de Roraima. Abel não apresentou documentação de origem do minério.
Não sabe a origem
O empresário e ex-deputado federal Abel Mesquita, o Abel ‘Galinha’, afirmou ‘não recordar’ quem lhe deu 13 gramas de ouro, aprendidos durante cumprimento de mandados de busca e apreensão em um escritório dele.
No depoimento de Galinha, que O Poder teve acesso no dia 26 de agosto do ano passado, o ex-deputado informou aos agentes federais que o minério seria usado na fabricação de uma joia para uma neta. A porção de ouro foi encontrada dentro de um envelope guardado em um cofre, no escritório de uma loja de conveniência de um posto de combustível de Galinha.
O ex-deputado afirmou, ainda, que não lembrava mais da existência do ouro e que já houve outra operação policial no mesmo local e, nesta ocasião, o material não foi identificado. Ao concluir o depoimento, argumentou “desconhecer” o caráter criminoso, pois “achou a quantidade de ouro muito pequena”.
Prisão
O ex-deputado chegou a ser preso e encaminhado para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), zona Rural de Boa Vista, mas teria passado mal e foi levado para o Hospital Geral de Roraima (HGR).
A defesa do ex-deputado federal alegou, à época, que o quadro de saúde dele poderia agravar no sistema prisional, em razão de um eventual contágio pelo Covid-19, pois Abel tem mais de 60 anos e possui comorbidades. Após analisar o caso, a Justiça Federal concedeu o habeas corpus.
Da redação O Poder
Foto: Divulgação