O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, bloqueou um total de R$ 32,6 bilhões das contas bancárias do grupo de empresários alvo de mandados de busca e apreensão, por determinação do magistrado, devido a mensagens compartilhadas por WhatsApp defendendo um golpe de Estado. A operação da Polícia Federal aconteceu nesta terça-feira, 23, e teve como alvo Luciano Hang (Lojas Havan), Afrânio Barreira (Coco Bambu), José Isaac Peres (rede Multiplan), Ivan Wrobel (W3 Engenharia), Luiz André Tissot (Grupo Sierra), José Koury (Barra World Shopping), Marco Aurélio Raymundo (Mormaii) e Meyer Joseph Nigri (Tecnisa).
A decisão foi tomada na última sexta-feira, 19. Além do bloqueio de contas bancárias e da busca e apreensão, Moraes determinou o bloqueio das contas dos empresários nas redes sociais, tomada de depoimentos e quebra de sigilo bancário. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará.
As mensagens foram reveladas pelo site Metrópoles. Nelas, os empresários, que são apoiadores do presidente Bolsonaro (PL), defendem um golpe de Estado no Brasil caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições de outubro para a presidência da República.
Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamento Havan, é considerado uma das pessoas mais ricas do país, com uma fortuna dele é avaliada em R$ 22 bilhões. O sócio-fundador da rede Multiplan, de shopping centers, José Isaac Peres, tem fortuna avaliada em R$ 6 bilhões.
O dono do grupo Coco Bambu (restaurante), Afrânio Barreira, da construtora W3 Engenharia, Ivan Wrobel, o fundador do Grupo Sierra (móveis de luxo), Luiz André Tissot, e o dono do Barra World Shopping, José Koury, tem fortuna avaliada em R$ 1 bilhão.
O fundador da Mormaii, Marco Aurélio Raymundo, tem fortuna avaliada em R$ 350 milhões. Já o dono da Tecnisa, Meyer Joseph Nigri, tem fortuna avaliada em R$ 300 milhões.
Defesa
Luciano Hang informou que está “tranquilo, pois está do lado da verdade e com a consciência limpa”. O empresário falou que desde que se tornou ativista político prega a democracia e a liberdade de pensamento e expressão. A defesa de Afrânio Barreira disse que a operação é “fruto de perseguição política e denúncias falsas” e que seu cliente está tranquilo e colaborando com a investigação.
A defesa de Marco Aurélio Raymundo informou que o cliente desconhece o teor do inquérito, mas que segue à disposição das autoridades. Já a defesa de Ivan Wrobel disse que o cliente tem histórico ligado à liberdade. “Em 1968 foi convidado a se retirar do IME por ser contrário ao AI5. Nada na vida dele pode fazer crer que o posicionamento daquele momento tenha mudado. Colaboraremos com o que for preciso para demonstrar que as acusações contra ele não condizem com a realidade dos fatos”, informou.
A assessoria de Luiz André Tissot, do Grupo Sierra, informou que a empresa e o empresário não irão se manifestar sobre o tema. Os demais não responderam ao Portal G1.
Priscila Rosas, com informações da Rede Globo
Foto: Acervo O Poder