fevereiro 23, 2026 00:21

Alvo de operação da PF, governador do Acre ironiza: ‘Não precisa de festa’

O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), fez duras críticas à Polícia Federal (PF) durante entrevista a uma emissora local. O Chefe do Executivo Estadual é o principal alvo da ‘Operação Ptolomeu’ e tem sido apontado nos relatório do inquérito como líder de um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio do direcionamento e superfaturamento de contratos. 

Para eu ser notificado não precisa de ‘festa’. Eu nunca fui chamado pra nada e tenho interesse em esclarecer tudo. Toda vez que estão para encerrar as investigações, aparece um fato novo. Isso gera instabilidade no governo e assusta as pessoas. Quem é que quer ser acordado pela Polícia Federal?”, disse o gestor em tom de cinismo.

Para Cameli, a operação é midiática e ele foi ‘injustiçado’. O Chefe do Executivo do Acre se defendeu e explicou que as empresas de sua família não participam das obras do governo e que todos conhecem a história empresarial deles. Porém, nos áudios da investigação, o político aparece “oferecendo” obras para seu primo, Linker Cameli, apontado como “gerente” da construtora Colorado, que segundo a PF seria controlada por Eládio Cameli, pai do governador.

“Quem não conhece a história de nossa família no Acre e principalmente aqui no Vale do Juruá? Eu não preciso de desvio e de corrupção. Nós não precisamos. Eu confio em Deus e na justiça. Agora, se tiver algo, alguém errado, é para ser punido. E quem estiver atrapalhando investigação, eu tiro”, afirmou.

O governador lembrou que seu tio, o ex-governador Orleir Cameli, foi acusado de corrupção e inocentado 20 anos depois. Ele também reiterou seu posicionamento de que se alguém de seu governo estiver envolvido com o crime, será punido. 

“Eu posso esperar 20, 40 anos. Enquanto isso, vou fazer concurso e dar um aumento para os servidores”, prometeu. 

Conversas comprometedoras

Durante a Operação Ptolomeu, a PF encontrou conversas de WhatsApp “chocantes”, “estarrecedoras” e “gravíssimas” em celulares apreendidos. Os diálogos são provas robustas contra Gladson Cameli. 

O relatório que descreve a troca de mensagens possui 444 páginas. Na avaliação da PF, Gladson sugere obras ao primo como “um cardápio” para que o familiar pudesse escolher. A polícia avalia se a empresa do pai do governador foi beneficiada em licitações e contratações públicas. Gladson Cameli nega as acusações. 

 

Priscila Rosas, para Portal O Poder

Ilustração: Neto Ribeiro/Portal O Poder

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