fevereiro 29, 2024 11:46

Crédito de carbono é realidade como matriz econômica para o Amazonas

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O Grupo Diax anunciou a aquisição de um território no estado do Amazonas, menor que a Zona Oeste de São Paulo. De acordo com o grupo que se declara um conglomerado de investimentos e tecnologia, o objetivo é negociar créditos de carbono e de biodiversidade via tokens em blockchain. O valor da transação não foi divulgado assim como quem vendeu o território.

As empresas parceiras que certificam métodos de inventário para o seu projeto “Green Guardian” – vinculado à tokenização dos ativos gerados na região, são Social Carbon e Rina. A primeira tem oito projetos ativos, sendo 4 no Brasil, e a segunda aponta em seu site ter certificado mais de 39 mil empresas.
Normalmente quando há a negociação de terras para venda de créditos de carbono, há também uma empresa certificadora para os ativos.

Segundo a Diax, os 10 mil hectares que estariam sendo adquiridos estão localizados nas proximidades de Novo Aripuanã, um município no interior do Amazonas com população de menos de 24 mil habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2022.

Mas a totalidade do território só será integrada ao projeto da companhia em 2028 e, segundo o grupo, a área adquirida neste momento equivale à região central do Rio de Janeiro. Não foi especificada qual a dimensão da área.

Em julho de 2022, o grupo recebeu um investimento superior a US$ 1 bilhão de um fundo de investimentos, com sede em Nova Iorque, para a elaboração do projeto de preservação da floresta “Green Guardian”.

O financiamento viria do Grupo Financial, cujo CEO é Renato Costa – brasileiro radicado em Nova York e conhecido no mercado por oferecer quase R$ 2 bilhões em leilão pelas debêntures de Eike Batista, mas sem apresentar garantias à época. Segundo a Isto é Dinheiro e O Globo, o executivo estaria sendo investigado por usar startups para captar aportes milionários de fundos internacionais.
Os recursos financiados por ele para o projeto do Grupo Diax estão em fase de liberação e serão utilizados na implementação das próximas etapas, segundo a assessoria da empresa.

O objetivo do conglomerado é que sua plataforma “tokenize” os ativos gerados por meio de um sistema que contabiliza o estoque de carbono .

De acordo com o grupo, será “um projeto totalmente aberto, mostrando micro monitoramentos em tempo real, com informações via satélite”. “O uso de tokens em blockchain, comercializados no mercado de capitais, também torna o projeto 100% rastreável e seguro, impedindo, inclusive, dupla venda do mesmo crédito de sustentabilidade”, informa a empresa por nota.

Segundo fontes do mercado de carbono e de programação de blockchain disseram ao InvestNews, o Grupo Diax é desconhecido neste setor e só foi possível averiguar a existência por meio de um site em construção cuja área de cadastro de tokenização aparentemente não funciona.

A empresa diz que vai utilizar câmeras de monitoramento em tempo real da flora e fauna da região amazonense via Starlink– empresa de internet de Elon Musk.

Em 2022, durante uma passagem ao Brasil para encontro com o ex-presidente, Jair Bolsonaro, Musk chegou a publicar em seu perfil no antigo Twitter, atual X, que sua companhia faria o monitoramento ambiental da Amazônia.

Atualmente, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é responsável por fazer o levantamento anual de desmatamento na região. A instituição foi duramente criticada por Bolsonaro depois da divulgação do aumento da taxa de desmatamento em seu governo, em julho de 2019.

Segundo o Grupo Diax, o projeto Green Guardian já está em funcionamento no estado do Amazonas e vai negociar na B3 um ativo financeiro conhecido como Cédula de Produto Rural Verde (CPR-Verde), também conhecida como “green bond de futuros de crédito de carbono“. O vencimento, segundo eles, será em 31 de dezembro de 2047, a um valor de face de R$ 482,4 milhões, dividido em duas séries de 50% cada.

A custódia desse ativo seria de responsabilidade da B3, tendo como lastro 8,8 mil hectares de terras, 765,1 mil metros cúbicos de madeira proveniente de estoque florestal e 2,7 milhões de toneladas de créditos de carbono. A bolsa brasileira ainda não confirmou se há o registro do ativo, se este está em funcionamento ou ainda será lançado.

O prêmio anual desse CPR Verde pode variar entre 7% a 28% de seu valor de face, segundo o Grupo Diax.

Jeferson Dias, CEO do Grupo Diax, aponta que o Green Guardians será desenvolvido no Amazonas dados os desafios enfrentados pelos nativos da região, como falta de energia, esgoto tratado e água potável.

Questionados pelo InvestNews sobre quais medidas serão colocadas em prática para melhorar as condições de vida dessas comunidades, o grupo apontou que há planos por duas empresas do conglomerado, entre elas a Hidrosul (indústria gaúcha de tratamento de efluentes e que está em fase de aquisição e fusão), e a Diax Energy, sediada em Nova York e que utiliza tecnologia híbrida de duas fontes de geração de energia limpa: fotovoltaica e eólica.

Essa última deve abastecer as tecnologias que darão suporte em campo, como veículos, barcos e drones elétricos, assim como equipamentos de internet Starlink.

Ribeirinhos, quilombolas e povos originários

Já sobre os ribeirinhos, quilombolas, povos originários e produtores familiares cujo sustento se deriva da extração sustentável de recursos, como castanhas, borracha e óleos vegetais, o grupo pretende treinar e capacitar por cursos de manejo ambiental, reflorestamento e extrativismo sustentável capitaneados por cientistas, biólogos, botânicos entre outros profissionais.

No entanto, ainda não existe um programa em vigor, dados os trabalhos em campo não terem sido iniciados.

Para mais informações acessar aqui.

 

Da redação para Portal O Poder, com informações do Invest News.

Fotos: divulgação. 

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