maio 21, 2024 03:46

Refinaria de Manaus comercializa gasolina 15% mais caro que Petrobras

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Em meio à alta do preço do petróleo, vem aumentando a defasagem entre os valores cobrado pela gasolina da Petrobras (PETR4) em relação às concorrentes privatizadas no Brasil, bem como na comparação às cotações no mercado internacional. É o caso da Refinaria da Amazônia (Ream), que passou para controle privado do grupo Atem em dezembro de 2022, que comercializa a gasolina 15% a mais do valor cobrado pela estatal.

A estatal está há 172 dias sem reajustar a gasolina e, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), por 64 dias a janela de importação esteve totalmente fechada.

Em relação ao mercado externo, essa defasagem se encontra em 15% na média acima dos principais polos de importação do País. Além do petróleo, o preço vem sendo afetado também pela desvalorização do real frente ao dólar.

Levantamento do Observatório Social do Petróleo (OSP) aponta, ainda, que a diferença de preços entre a gasolina cobrada pela Petrobras e nas refinarias privadas, em torno de 15%, ou R$ 0,42, é a maior desde 15 de agosto de 2023 (8 meses).

O economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), explica que a Petrobras consegue praticar preços menores do que as concorrentes privadas porque é uma empresa estatal, integrada e que não se baseia exclusivamente na maximização de lucros para definir o seu preço.

“Como a Petrobras deixou de reproduzir o preço de paridade de importação (PPI) em maio do ano passado, a recente subida de preços internacionais e a manutenção dos valores praticados pela estatal fizeram com que a diferença entre o preço da Petrobras e o das suas concorrentes privadas chegasse a maior diferença em oito meses”, destacou Dantas.

Petrobras: nova política de preços

A Petrobras adotou em maio do ano passado uma nova estratégia para os reajustes dos combustíveis, abandonando a política de paridade de importação (PPI) implantada na gestão de Pedro Parente à frente da estatal, em 2016.

Segundo a companhia, eventuais reajustes obedecem a critérios técnicos e são de responsabilidade da diretoria. Eventualmente, o Conselho de Administração da empresa pode solicitar explicações sobre a evolução dos preços, o que deve ocorrer na próxima reunião.

O Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou, que todo mês é realizada uma apresentação sobre a situação dos preços dos combustíveis aos conselheiros, o que é considerado rotina na companhia.

Embates políticos nos últimos dias, que indicavam uma possível demissão do presidente da companhia, Jean Paul Prates, no entanto, devem ajudar a segurar uma eventual alta da gasolina nas refinarias da estatal. Um aumento no preço dos combustíveis, neste momento, abriria margem para mais ataques contra Prates.

“O que nos preocupa, no momento, é que, o maior embate entre a companhia e o governo pode tirar poder de manobra para a companhia seguir executando a sua atual política de preços como fez ao longo de 2023”, avaliou o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

“Vemos, por exemplo, a defasagem na gasolina ultrapassando com facilidade os dois dígitos porcentuais frente aos preços no Golfo e acreditamos que embates políticos como estes podem diminuir o capital político necessário para a empresa seguir conduzindo a sua política de preços como vêm fazendo desde a sua criação no ano passado”, complementou.

Segundo fontes, a próxima reunião do Conselho será no dia da Assembleia Geral Ordinária da companhia, em 25 de abril, mas nada impede que o órgão solicite uma apresentação extraordinária sobre os preços.

Refinarias privadas

Conforme o OSP, a Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), no Rio Grande do Norte, é a que cobra o preço mais alto do país.

Enquanto a gasolina da Petrobras custa R$ 2,81, a RPCC vende o litro a R$ 3,35. O valor é 19,3% maior do que o da estatal. A refinaria potiguar foi privatizada em junho de 2023, quando passou a ser administrada pela empresa 3R Petroleum (RRP3).

A Refinaria da Amazônia (Ream), que passou para controle privado do grupo Atem em dezembro de 2022, comercializa a gasolina a R$ 3,24 e a Refinaria de Mataripe, sob gestão da Acelen desde dezembro de 2021, cobra R$ 3,09 o litro. A diferença em relação ao preço da Petrobrás é de 15,3% e 9,9%, respectivamente.

 

 

Da Redação, com informações do Estadão 

Foto: Agência Petrobras

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