A deputada Erika Hilton (Psol-SP) protocolou nesta segunda-feira (5) representação junto à Procuradoria-Geral da República contra Nikolas Ferreira (PL-MG) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por estimular, segundo a parlamentar, a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Brasil.
No documento, Erika Hilton menciona publicações dos parlamentares no contexto da ofensiva norte-americana contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Segundo a deputada, o posicionamento reforça a possibilidade de intervenção também no Brasil.
“As publicações não se limitam a críticas políticas, mas constroem, de forma deliberada, narrativa segundo a qual autoridades estrangeiras teriam legitimidade para investigar, prender, processar e julgar o Chefe de Estado brasileiro, deslocando a competência exclusiva das instituições constitucionais brasileiras, como Senado Federal, Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, para outro país.”
A representação compila recortes de publicações de Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro no Instagram e no X, nas quais os parlamentares comemoram a ofensiva de Trump contra Maduro e sugerem que o mesmo ocorra no Brasil. As postagens associam a imagem do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente venezuelano em afirmações como “promoção, prenda 1 e leve 2”.
Erika Hilton argumenta que no exercício de atividade parlamamentar, Nikolas como deputado e Flávio como senador, torna-se dever preservar o Estado brasileiro com lealdade constitucional. “Cada dia de inércia estatal contribui para a normalização dessa narrativa, enfraquecendo progressivamente a soberania nacional, desmoralizando as instituições republicanas e criando precedente perigoso de tolerância institucional aos ataques à democracia”, afirma a deputada.
Nas redes sociais, a parlamentar afirmou que as postagens configuram apologia ao crime de golpe de Estado.
“Sou deputada, e minha função, frente a uma ameaça contra o Brasil, é denunciar os responsáveis, mesmo que os responsáveis sejam aqueles que deveriam, justamente, prezar pela nossa independência, nossa república e nossa democracia.”
Da Redação, com informações do Congresso em Foco
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