janeiro 15, 2026 09:31

Desempenho de Flávio Bolsonaro surpreende e faz Centrão reavaliar estratégia para eleição

Passado pouco mais de um mês desde que Flávio Bolsonaro (PL) lançou a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, caciques partidários do chamado “Centrão” passaram a tratar a entrada do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) na corrida mais como uma realidade e menos como uma manobra para livrar o pai da prisão.

O senador de 44 anos foi escolhido por Bolsonaro para ser o nome do bolsonarismo no próximo pleito contra a provável candidatura do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio frustrou partidos que esperavam e se mobilizaram para emplacar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato.

Bolsonaro escolheu um nome da família para assegurar que seu espólio político não se dispersasse fora do núcleo duro bolsonarista— a contragosto do “Centrão”. De perfil mais pragmático que seus familiares e com cerca de 8 anos no Senado na conta, Flávio desbancou a madrasta e ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o irmão, Eduardo, ex-deputado que está nos Estados Unidos, na disputa intrafamiliar.

“Os Bolsonaros querem manter a hegemonia da direita com eles e isso afetará uma maior coalizão para vencer as eleições sem todo o centro junto. Eles têm esse direito e é legítimo, mas ganhar as eleições assim não creio que seja possível”, disse o deputado e vice-presidente do Progressistas, Claudio Cajado (BA).

De início e em meio às desconfianças, Flávio tentou convencer e ganhar o apoio de partidos como o PP, União Brasil e Republicanos, cujo afastamento com o governo Lula já havia se tornado público. O filho “01” de Bolsonaro chegou a convidar os presidentes das siglas para discutir a sua candidatura dias depois do anúncio.

O encontro, porém, não cessou as dúvidas a respeito da seriedade da intenção do senador em disputar o Planalto. À época, caciques partidários viram no anúncio uma tentativa de pressionar os partidos a dar andamento à dosimetria, que estava parada na Câmara — uma desconfiança que se viu confirmada quando Flávio disse, em sua primeira coletiva como pré-candidato, que havia um “preço” para retirar a seu nome da disputa, citando justamente o andamento do projeto da anistia que poderia beneficiar o pai, condenado a 27 anos e 3 meses.

“Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar”, disse a jornalistas em 7 de dezembro, na saída de um culto evangélico em Brasília.

Surpresa nas pesquisas

A virada de mesa se deu a meados de dezembro, quando, pela primeira vez, pesquisas de intenção de voto colocaram Flávio como o opositor com o melhor resultado contra Lula em um eventual segundo turno. O levantamento da Genial/Quaest, divulgado em 16 de dezembro, colocou o petista com 46% e o senador bolsonarista com 36%.

O resultado animou a base bolsonarista rapidamente. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse que Bolsonaro é “uma máquina de transferir votos” e que, em janeiro deste ano, entraria em campanha “de guerra” para angariar votos do “Centrão”.

Presidentes de partidos de centro disseram, sob reserva, que o bom desempenho de Flávio nas pesquisas mudou o cenário, ainda mais com um desempenho igual ou melhor que o de Tarcísio, que era a principal aposta do grupo.

Na quarta-feira,14, Flávio despontou em segundo lugar na pesquisa de intenção de votodivulgada pela Genial/Quaest em um primeiro turno com 23% contra Lula, que desponta com 36%. Em terceiro, está Tarcísio, com 9%. Lula vence ambos em um segundo turno, mas o governador paulista tem uma menor diferença de pontos percentuais em relação ao petista.

Ao mesmo tempo, eles apontam que, apeesar de ter o melhor desempenho nas intenções de voto, Flávio Bolsonaro ainda registra uma alta rejeição — o que pode estrangular a possibilidade de crescimento do senador diante de um eleitorado que já é resistente ao seu sobrenome.


Da Redação, com informações do Metrópoles

Foto: Reprodução 

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