O empresário Marcelo Conde é procurado pela Polícia Federal por suspeita de comprar e vazar dados fiscais sigilosos de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Ele é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, que morreu em 2015.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo próprio Moraes no âmbito da Operação Exfil, deflagrada nesta quarta-feira, 1º. Segundo apuração da CNN, Conde está foragido no exterior.
O empresário teria adquirido mais de mil dados fiscais de forma ilegal, entre eles informações da mulher do ministro.
A operação mira um esquema de obtenção e vazamento de informações sigilosas de autoridades públicas e seus familiares, com acesso indevido a sistemas da Receita Federal e do Coaf.
Segundo a Polícia Federal, foram identificados múltiplos acessos ilegais a dados fiscais, seguidos do compartilhamento das informações. Ao todo, teriam sido acessados dados de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas ligadas a ministros do STF, do TCU (Tribunal de Contas da União), parlamentares e empresários.
As investigações apontam a existência de uma estrutura organizada de intermediação, que envolveria servidores públicos, funcionários terceirizados e despachantes.
De acordo com os autos, Conde seria o mandante do esquema. Depoimentos indicam que ele fornecia listas de CPFs e realizava pagamentos em dinheiro — cerca de R$ 4.500 — para obter as informações.
Também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. A investigação tramita sob sigilo.
A CNN não conseguiu localizar o contato da defesa do empresário Marcelo Conde até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventual manifestação.
A primeira fase da operação ocorreu em 17 de fevereiro. A ação foi deflagrada no âmbito de uma investigação aberta dentro do inquérito das fake news e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
O inquérito das fake news foi instaurado em 2019 pelo ministro Dias Toffoli, que à época presidia o STF, por iniciativa própria, sem que houvesse pedido da Polícia Federal e da PGR. Toffoli designou Moraes como relator da investigação.
Da Redação com informações de CNN Brasil
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