Projeto de Lei que propõe fim do recesso parlamentar no meio do ano causa polêmica na CMM

O Projeto de Lei de alteração da Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman) que extingue o recesso parlamentar de 15 dias no meio do ano na Câmara Municipal de Manaus (CMM), de autoria do vereador Rodrigo Guedes (PSC), causou polêmica e desagradou o presidente da Casa, David Reis (Avante). O dirigente se manifestou contrário à iniciativa do parlamentar nesta segunda-feira, 17, durante a sessão plenária.

O presidente da CMM chegou a justificar aos colegas que por um erro no sistema do site, alguns vereadores chegaram a pensar que ele seria o autor da matéria, fato que foi negado por ele. “Vereador Rodrigo, eu gostaria de fazer aqui uma correção. Houve um equívoco na minha assinatura nessa sua propositura, o meu chefe de gabinete foi induzido ao erro pois ele pensou que eu era o autor. E, sem me me consultar, ele assinou. E com isso, fruto de uma sintonia que existe nessa Casa, outros parlamentares também assinaram. Mas no sábado fui procurado pela maioria dos colegas e eu já mandei fazer a correção. Então a minha assinatura não consta mais. Portanto eu quero de público dizer que eu não assinei essa propositura”, relatou.

David Reis afirmou ainda que cada vereador tem o seu entendimento e que, para Rodrigo Guedes, o recesso atrapalha os trabalhos da CMM. “Eu sou da outra corrente que o recesso aproxima os vereadores que têm suas bases eleitorais e o recesso é um período imensamente propício para que nós possamos estar muito mais presente nas comunidades. Quero deixar claro que a minha assinatura foi um engano e eu defendo a manutenção do recesso. O que entra em recesso é o plenário. Os gabinetes continuam trabalhando e vai todo mundo para rua em busca de soluções dos problemas que preocupam a cidade de Manaus”, justificou.

Apoio

Rodrigo Guedes pediu apoio dos seus pares para que assinem o Projeto de Lei para incentivar as outras casas legislativas municipais. “Essas mudanças são normais e necessárias. Acontecem com a evolução do tempo. Obviamente que a legislação da 18ª legislatura não vai ser igual a primeira. Então, mudanças acontecem e são positivas e melhoram, inclusive, a imagem do legislativo municipal”, justificou.

Ao defender o projeto, o vereador afirmou que não estava dizendo que quando começasse o recesso parlamentar os vereadores estariam na praia de férias. “Óbvio que o nosso trabalho é aqui é nas ruas também e sei que todos fazem isso. Mas, não é assim que a população vê. Por isso, peço o apoio de todos os vereadores para ser um projeto unânime. Precisamos melhorar a imagem da política e dar exemplo para as mais de 5 mil Câmaras Municipais do Brasil”, ressaltou.

O vereador Wallace Oliveira (Pros) também rebateu o projeto que propõe o fim do recesso parlamentar. “Eu também corroboro com vossa excelência na mesma bandeira que defende. O recesso aqui é só de plenário, não quer dizer que se deixou de trabalhar. Sábado não tem nenhum tipo de atividade nessa Casa, mas todos estão na rua trabalhando. Eu defendo o meu voto junto com o senhor e ninguém vai me pautar pela vida que tem. E não aceito alguém dizer que vai ser bom para todo mundo”, alfinetou.

Justificativa

Após a fala de Wallace Oliveira, o vereador Rodrigues Guedes voltou a se manifestar. “Presidente, eu gostaria de fazer a correção porque o excelentíssimo vereador Wallace colocou como se eu tivesse colocado o presidente como autor do projeto. Não fui eu, mas, da forma dita, parece que eu induzi”, questionou o vereador.

 

Augusto Costa, para O Poder

Foto: Divulgação

 

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