maio 23, 2024 20:38

Deputados cobram fiscalização da poluição dos recursos hídricos

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As questões ambientais e o descaso dos órgãos públicos na fiscalização da poluição dos recursos hídricos do Amazonas dominaram os debates na manhã desta quarta-feira, 4, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). Com discursos inflamados, os deputados saíram em defesa dos rios e igarapés da cidade.

O deputado Serafim Corrêa (PSB) cobrou do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) mais fiscalização na orla do lago do Tarumã onde, segundo ele, centenas de flutuantes clandestinos estão se instalando e poluindo o meio ambiente. “Na década de 1960, Manaus tinha uma cidade flutuante em frente à praça dos Remédios e era poluição e degradação por todo o lado, o que deu muito trabalho ao desmontar a estrutura. Hoje, estamos vendo o igarapé do Tarumã sendo invadido por flutuantes. Não tenho nada contra os flutuantes, mas deve haver um controle sanitário. A Capitania dos Portos e o Ipaam devem cuidar para que não surja uma nova cidade flutuante”, alfinetou.

Wilker Barreto (Podemos) foi na esteira do colega e falou sobre a construção de um aterro sanitário a 200 metros do igarapé do Leão, que pode poluir todo o igarapé e todo o lençol freático no local. “Estou severamente preocupado com a instalação do aterro sanitário da empresa Marquise no igarapé do Leão. Você pode adotar todos os métodos de prevenção ambiental, mas a 200 metros da fonte da nascente é uma bomba relógio”, afirmou.

Wilker apresentou um vídeo durante a sessão em que mostra que o Ministério Público Federal (MPF) suspendeu a obra porque falta um estudo hidrológico do local. “Eu acredito que licenciar um aterro a 200 metros de uma nascente é de uma temeridade e estamos armando uma bomba para o futuro. Quero retomar esse assunto. Eu fui procurado pelos moradores e procurei o presidente do Ipaam. E, mesmo que esteja se colocando tudo na normalidade, as barragens de Brumadinho também estavam. Será que só temos esse local para colocar um aterro sanitário? Precisamos analisar as nascentes dos nossos igarapés que ainda existem?”, questionou.

Audiência pública

O deputado Ângelus Figueira (DC), que vai realizar amanhã, a partir das 10h, na Aleam, uma audiência pública para debater os recursos hídricos do Amazonas, também criticou a poluição aos rios e igarapés. O parlamentar afirmou que, nos rios do Pará, os peixes estão apresentando contaminação por mercúrio por causa do garimpo e que, no futuro, isso pode acontecer nos rios do Amazonas.

“As gerações futuras não têm como pagar essa conta. Precisamos interferir de pronto. Quem anda em Manaus e passa nos igarapés vê dragas todos os dias retirando lixo. Quando Wilker fala do aterro no igarapé do Leão e Serafim fala dos flutuantes se referem a uma das doenças crônicas com consequências preocupantes”, ressaltou.

Fiscalização

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) afirmou para a reportagem que as fiscalizações estão acontecendo constantemente na área do Tarumã e que, na semana passada, foi feita uma fiscalização nos flutuantes no local. Sobre o aterro sanitário nas proximidades do igarapé do Leão, o órgão afirma que a obra atende a todas as normas técnicas.

“O aterro é uma obra licenciada pelo Ipaam. Ou seja, atende todos os requisitos técnicos. A obra também é constantemente fiscalizada por equipes do Ipaam e, até o momento, não foi identificado nenhum tipo de poluição. Até porque o aterro ainda nem está concluído, logo não existe resíduos no local. A obra é de responsabilidade da empresa Marquise Ambiental, com expertise em recuperação, operação e manutenção de aterros sanitários em grandes cidades do Brasil”, afirmou a assessoria.

 

Augusto Costa, para O Poder

Foto: Divulgação

Edição e Revisão: Alyne Araújo e Henderson Martins

 

 

 

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