A operação da Polícia Federal para combater a exploração ilegal de ouro na comunidade de Rosarinho, em Autazes (a 120 quilômetros de Manaus), quando foram queimadas mais de 20 balsas e três garimpeiros foram presos, repercutiu nesta quarta-feira, 1º, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O deputado Serafim Corrêa (PSB) criticou a forma violenta como agiu o governo federal, que permitiu que a PF queimasse as balsas, e o mercúrio que estava nelas afundou no rio, contaminando os peixes e aumentando o crime ambiental que já estava ocorrendo no local.
“As balsas que foram queimadas tinham mercúrio que foi para o fundo do rio, ou seja, a tragédia foi pior ainda. Quando eu falei aqui eu apelei que houvesse bom senso, racionalidade, não podia haver violência e o que nós assistimos foi a violência, que nunca foi solução. O que vemos agora são aqueles garimpeiros que são explorados e nem um deles teria capital pra fazer investimentos tão grandes. Tem alguém por trás deles. E quem disse foi o vice-presidente da República, Mourão, que o narcotráfico está por trás deles”, afirmou.
Serafim ainda falou que os garimpeiros de Novo Aripuanã e outros municípios da calha do Madeira estão pedindo para trabalhar. “Essa situação é delicada e tem que ser tratada sem violência. Nesse sentido, manifesto a minha opinião é preciso dar uma solução e evitar o mercúrio nos rios, mas o caminho que o governo federal usou, com a violência de tocar fogo nas balsas, foi o pior caminho”, alfinetou.
Na esteira do colega, o presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento, Sinésio Campos (PT), defendeu a mineração desde que seja realizada de forma sustentável e sem agredir o meio ambiente. Sinésio sugeriu a realização de uma audiência pública na Aleam para debater o tema com os garimpeiros.
“As alternativas econômicas estão muito aquém. Eu defendo e quero que as pessoas venham para o debate, eu defendo a mineração sustentável. O Amazonas não tem somente a Zona Franca de Manaus, o zoneamento ecológico tem que ser discutido de forma sincera. Que todo minerador é envolvido com traficantes é um equivoco e discurso de ‘ongueiro’ que não quer tratar essa questão de forma séria”, alfinetou.
Na avaliação do deputado petista, a questão mineral não é falta de polícia, mas de políticas minerais. “Quero sugerir como presidente da Comissão de Mineração que façamos aqui uma audiência pública para conversarmos com os extrativistas minerais. O agricultor, quando não está na roça, vai coletar 100 gramas de ouro com as balsinhas que não são as grandes dragas que contaminam o rio. O tráfico não quer saber se é de minério ou qualquer coisa. Vamos fazer esse debate, estamos prontos para atender e saber que o subsolo é de responsabilidade da União. Onde estão os senadores e deputado federais, comeram abiu? Estou pronto para fazer o debate”, cobrou.
Augusto Costa, para O Poder
Foto: Acervo O Poder
Edição e Revisão: Alyne Araújo e Henderson Martins