fevereiro 21, 2026 18:50

Julgamento do plano de golpe será retomado nesta quarta-feira no STF

O julgamento sobre o plano de golpe de Estado será retomado na manhã desta quarta-feira, 3, e contará com a sustentação da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A sessão está marcada para começar às 9h (horário Brasília). O primeiro a falar será o advogado do general Augusto Heleno. A defesa disse ter preparado 107 slides de apresentação e afirmou que vai usar o tempo total a que tem direito, de uma hora.

Em seguida, falam as defesas de Bolsonaro, dos ex-ministros Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

Na terça-feira, 2, Paulo Sérgio foi o único réu a acompanhar presencialmente o julgamento. O ex-ministro disse a aliados que a ida ao Supremo é um gesto de “defesa da honra”. A defesa dos outros réus disse que eles não irão à Corte nesta quarta.

Nesta quarta, a sessão se encerra às 12h. Isso porque os ministros precisam estar disponíveis para participar da sessão plenária que começa às 14h. Com isso, o voto do ministro Alexandre de Moraes e dos outros magistrados devem ficar para a próxima semana.

Primeiro dia

Moraes abriu o primeiro dia de julgamento com a leitura do relatório. O documento rememora todas as fases do processo e as provas produzidas. Ele levou 1 hora e 40 minutos.

Em seguida, falou o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele pediu a condenação de todos os réus e afirmou que os atos que compõem a denúncia são “espantosos”.

Segundo ele, a tentativa de golpe não pode ser tratada como “aventuras inconsideradas” ou “devaneios utópicos”.

O procurador disse ainda que as acusações não se baseiam em “suposições frágeis”.
Depois falou a defesa do tenente-coronel Mauro Cid. Os advogados reiteraram a importância da delação premiada para a investigação, negaram qualquer tipo de pressão ou coação do militar e pediram para que benefícios fossem mantidos.

A defesa do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), por sua vez, disse que os documentos encontrados ao longo da investigação, eram anotações que ele fazia. De acordo com a defesa, o ex-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) costumava fazer uma “espécie de diário” e que “tudo ele anotava”.

Já a defesa do ex-comandante da Marinha Almir Garnier usou 20% de seu tempo para elogiar os ministros do STF. Chegou a dizer que o ministro Cristiano Zanin é um “ídolo”, que teve apogeu na carreira quando advogou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O advogado Demóstenes Torres criticou a delação do tenente-coronel Mauro Cid e pediu a rescisão do acordo. Segundo ele, a proposta da PGR de modificar os benefícios acordados é “injurídica”.

Por fim, falou a defesa do ex-ministro Anderson Torres. O advogado rebateu provas da acusação e disse que Torres teve diversas reuniões para pôr fim aos acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército.

Reafirmou que a minuta encontrada na casa de Torres já estava previamente circulando na internet e argumentou que o ex-ministro não é mencionado na delação de Mauro Cid.

Julgamento

A Primeira Turma do STF começou a julgar nesta terça-feira, 2, os réus do núcleo 1 no processo que apura suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Além de Bolsonaro, integram o grupo:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência;
  • Almir Garnier, almirante e ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, general da reserva e ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
  • Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.

Eles respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Se condenados, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.

A única exceção é Alexandre Ramagem, que teve a acusação de dois crimes suspensa pela Câmara dos Deputados. Ele responde apenas por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Cinco sessões da Primeira Turma foram reservadas para o julgamento, que se encerra em 12 de setembro.

 

Da Redação com informações de G1

Foto: Divulgação

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