RR: PF liga familiares de Denarium a esquema milionário de diamantes

Uma investigação da Polícia Federal (PF) identificou esquema de contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal envolvendo pessoas ligadas à família do ex-governador de Roraima Antonio Denarium.

O principal alvo das apurações é o empresário Fabrício de Souza Almeida apontado pelos investigadores como financiador de uma rede suspeita de movimentar milhões de reais por meio de empresas fantasmas. 

As investigações começaram após abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2020, na BR-174. Durante a fiscalização, Fabrício e outro homem apresentaram versões contraditórias sobre viagem entre Roraima e Rondônia. 

Segundo a PF, eles inicialmente afirmaram ter saído de uma fazenda em Iracema, mas agentes encontraram registros que indicavam passagem por Manaus e Porto Velho.

Ostentação: Diamond King

Carrões, viagens, publicações exibindo luxo e movimentações milionárias sem lastro econômico claro são elementos analisados pela PF na investigação do suposto esquema de contrabando de diamantes e lavagem de dinheiro em Roraima.

Segundo os investigadores, Fabrício mantinha nas redes sociais publicações que exibiam rotina de alto padrão, veículos de luxo, viagens e conexões com pessoas influentes da região. 

Em uma das postagens analisadas pela PF, o ex-governador chama o sobrinho de “the diamond king”, expressão em inglês que significa “rei do diamante”. A publicação acabou incorporada ao inquérito como elemento contextual das investigações.

Apesar da ostentação, a Polícia Federal afirma que Fabrício não possuía vínculos empregatícios formais identificados nos levantamentos preliminares.

Empresa sem estrutura

Um dos principais focos da investigação é a empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício. Segundo a PF, apesar de não possuir funcionários registrados, veículos ou estrutura operacional compatível, a empresa movimentou mais de R$ 6 milhões em poucos meses.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram incompatibilidade entre a movimentação financeira e a atividade econômica declarada.

Patrimônio oculto por laranjas

Os investigadores também identificaram indícios de possível utilização de “laranjas” para ocultação patrimonial.

Um dos exemplos citados no inquérito envolve Valdete Ribeiro da Silva, técnica de enfermagem vinculada à Secretaria de Saúde de Roraima. De acordo com a PF, os vencimentos declarados seriam incompatíveis com o patrimônio registrado em nome dela, incluindo veículos de alto valor.

Estrutura do esquema

Os investigadores afirmaram ainda que o grupo utilizava empresas sem atividade econômica efetiva para dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado. 

A investigação aponta que o esquema envolvia circulação pulverizada de valores, uso de terceiros para ocultação patrimonial e saques em espécie para dificultar o acompanhamento bancário das operações. 

A Polícia Federal pediu quebra de sigilo bancário dos envolvidos para aprofundar a identificação dos integrantes do grupo e rastrear a origem e o destino dos recursos investigados.

Histórico com diamantes

A investigação também resgatou antecedentes de Fabrício em operações antigas da PF ligadas ao comércio ilegal de diamantes. Segundo os autos, ele já havia sido preso em flagrante, em 2010, durante a Operação Roosevelt, em Rondônia, quando policiais apreenderam diamantes e dinheiro em espécie.

Fazenda ligada ao governador

A PF cita ainda que investigados ligados ao esquema indicaram como endereço a Fazenda J. Bastos, propriedade declarada por Antonio Denarium à Justiça Eleitoral durante a campanha de 2018.

O local fica em Iracema, no interior de Roraima, justamente a cidade mencionada inicialmente pelos ocupantes do veículo abordado pela PRF. 

Réus por garimpo ilegal

Além da investigação sobre diamantes, Fabrício e uma tia dele, Vanda Garcia de Almeida, tornaram-se réus na Justiça Federal em ação relacionada ao financiamento de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

Segundo o Ministério Público Federal, o grupo teria movimentado cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021. Os denunciados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União.

 

Da Redação, com informações do Metrópoles 
Foto: Divulgação 

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