O ex-governador do Acre e candidato ao Senado pelo Progressistas, Gladson Cameli, foi alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira, 22, em Rio Branco. O celular dele e três veículos foram apreendidos pelos agentes no condomínio Recanto Verde, onde Cameli mora.
A ação faz parte da Operação Ptolomeu IV, nova etapa das investigações que apuram suspeitas de desvios de recursos públicos, lavagem de dinheiro e outras irregularidades envolvendo contratos no Acre. A operação foi deflagrada pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Em nota, a defesa do político disse que colabora com os procedimentos adotados. Contudo, considera que as medidas são abusivas às vésperas das eleições.
“Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram a disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência”, destacou a nota, assinada pelo advogado Erick Venâncio.
Além de Cameli, outros alvos tiveram mandados cumpridos. Ao todo, são 28 ordens de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, além das cidades de Maringá (PR) e Navegantes (SC). As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O g1 e a Rede Amazônica Acre teve acesso à lista dos investigados, sendo que um deles é o vereador de Rio Branco Moacir Júnior, que informou em nota que o mandado de busca não diz o conteúdo da investigação. )
A Ptolomeu IV tem como uma das frentes a investigação sobre a construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). O governo informou, por meio de nota, que colabora ‘com as autoridades responsáveis, prestando informações e disponibilizando documentos que lhe são formalmente solicitados’.
“No que se refere à documentação relacionada à construção da nova sede da autarquia, o Imac informa que os documentos requisitados já haviam sido encaminhados aos órgãos competentes e que, durante a diligência realizada nesta data, foram novamente disponibilizados e todas as informações solicitadas repassadas à autoridade policial”, diz parte do comunicado.
Investigações
Segundo a PF, uma auditoria da CGU identificou indícios de que cerca de R$ 1,2 milhão em serviços foram pagos, mas não teriam sido executados integralmente. A suspeita é de superfaturamento por serviços não realizados.
A investigação também aponta indícios de que dinheiro proveniente de contratos públicos teria sido usado para despesas particulares e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Outra parte da investigação envolve a empresa que foi contratada posteriormente para concluir a obra.
“Os indícios reunidos indicam possível sucessão empresarial e continuidade das práticas ilícitas investigadas, inclusive com vínculos entre pessoas relacionadas à nova contratada e empresas anteriormente investigadas no âmbito da Operação Ptolomeu”, complementou.
Operação Umbra
Além da Ptolomeu IV, a PF deflagrou nesta terça a Operação Umbra, também baseada em informações obtidas durante as investigações anteriores.
Segundo a Polícia Federal, foi identificada uma estrutura que teria como objetivo obter informações sobre operações policiais, incluindo movimentação de equipes e viaturas. A suspeita é de que os dados fossem usados para antecipar ações da PF e dificultar o cumprimento de medidas judiciais.
A investigação também apura o possível envolvimento de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse de informações sobre operações.
“Foram apreendidos valores em espécie com alguns dos investigados, estimados, até o momento, em cerca de R$ 1 milhão. Além disso, três dos suspeitos acabaram presos em flagrante delito por posse ilegal de armas de fogo”, disse a PF.
A Justiça determinou ainda o confisco de bens e valores dos investigados e impôs medidas cautelares, como afastamento de funções públicas, proibição de contato entre alguns investigados e restrições para deixar a comarca e o país.
“Os suspeitos poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, sem prejuízo de outros delitos eventualmente identificados no decorrer das apurações”, finalizou.
Veja a lista dos investigados no âmbito das operações Ptolomeu IV e Umbra:
- Gladson Cameli (ex-governador do Acre; emitiu nota)
- Moacir Pereira dos Santos Júnior (vereador de Rio Branco; emitiu nota dizendo que a PF esteve na casa dele pela manhã, onde recolherem os dispositivos eletrônicos e olharam a casa dele)
- Taiane Belarmino dos Santos (candidata e irmã de Moacir)
- Tamires de Almeida Costa (esposa do Moacir)
- João Victor Casas Lopes (envolvido no acidente que matou três pessoas em Tarauacá; ele já está preso devido ao acidente)
Leia na íntegra a nota do ex-governador Gladson Camelí
Causa estranheza que, às vésperas do processo eleitoral, seja deflagrada uma operação na qual alguns influenciadores, blogs e sites de militantes a serviço de adversários tiveram informações e acesso antecipado para noticiar de forma sensacionalista e pejorativa com o claro interesse de atingir e prejudicar a imagem da candidatura de Gladson Camelí, sem que ele ou seus advogados sequer tivessem acesso às razões da diligência.
Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram a disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência. É fundamental destacar que, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a alta corte do país, as provas do processo que acusa Gladson Camelí foram comprovadamente produzidas de forma ilegal.
Ainda assim, continuam as medidas que consideramos abusivas e de clara perseguição com o intuito de influenciar o resultado eleitoral. Prova disso é o descumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal da ADPF 1017 que proíbe nos 15 dias que antecedem a eleição esse tipo de medida cautelar contra candidatos a cargos majoritários. A lei deveria servir para todos com a missão de proteger, não para perseguir e intimidar.
Confiamos na Justiça. Mas acima de tudo, confiamos em Deus e na sabedoria do eleitor acreano que está atento ao uso eleitoreiro das nossas instituições para perseguir e tentar influenciar o resultado das eleições.
Erick Venâncio
Assessoria Jurídica
Leia na íntegra a nota do vereador Moacir Júnior
No mandado de busca, não diz o conteúdo da investigação. Meu advogado também não teve acesso ainda sobre as possíveis causas.
Reitero que não tenho ligações de contrato, negócios e nunca fui servidor do estado. Nunca fui lotado em nenhuma secretaria e nem fui ordenador de nenhuma despesa. Ainda desconheço as causas que possam me ligar a uma operação voltada a supostos desvios de verba pública no âmbito estadual.
Mas acredito que tudo vai ser esclarecido o mais breve possível. Acredito na Justiça.
Leia na íntegra a nota do Imac
O governo do Estado, por meio do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), em relação às diligências realizadas pela Polícia Federal nesta terça-feira, 22, esclarece que vem colaborando com as autoridades responsáveis, prestando informações e disponibilizando documentos que lhe são formalmente solicitados.
No que se refere à documentação relacionada à construção da nova sede da autarquia, o Imac informa que os documentos requisitados já haviam sido encaminhados aos órgãos competentes e que, durante a diligência realizada nesta data, foram novamente disponibilizados e todas as informações solicitadas repassadas à autoridade policial.
O Instituto ressalta que as investigações encontram-se sob responsabilidade das autoridades competentes e que continuará prestando toda a colaboração necessária para o regular esclarecimento dos fatos, respeitados os limites legais e eventual sigilo das apurações.
O Imac reafirma seu compromisso institucional com a legalidade, a transparência e a colaboração com os órgãos de controle e de investigação.
André Hassem
Presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre
Da Redação com informações do G1



