Jornalista aponta manobra política envolvendo presidente do Sindicato dos Rodoviários e irmão vereador

A paralisação da frota de ônibus de Manaus, iniciada nesta segunda-feira (20), pode ter motivação política. É o que apontou a jornalista Any Margareth, diretora do portal Radar Amazônico, em vídeo publicado nas redes sociais. Ela classificou o movimento como uma “manobra política” articulada entre lideranças sindicais e partidárias, somada a uma estratégia de “chantagem empresarial” promovida pelos empresários do transporte coletivo da capital.

De acordo com a jornalista, a greve que deixou milhares de passageiros sem transporte esconde interesses de bastidor. Ela destacou a presença do vereador Jaildo dos Rodoviários ao lado do irmão, Givancir Oliveira (presidente do Sindicato dos Rodoviários), durante coletiva de imprensa sobre o movimento.

Jaildo dos Rodoviários construiu sua carreira política com a categoria e adotou o nome parlamentar Jaildo Oliveira. Ele virou o centro de uma disputa judicial recente envolvendo a bancada do PT na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Any apontou uma reviravolta nas ações judiciais movidas pelo Partido dos Trabalhadores que pediam o afastamento e a cassação do mandato do vereador. Segundo ela, o recuo do partido nessas ações levanta suspeitas sobre acordos de bastidores voltados para as disputas ao Governo do Estado.

“Quem é pré-candidato ao Governo do Estado apoiado pelo Partido dos Trabalhadores? Eu não preciso dizer o nome (…), mas vocês sabem, vocês são inteligentíssimos e espertíssimos”, declarou a jornalista, sugerindo interferência política no alinhamento do sindicato.

O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), também usou as redes sociais para declarar que a paralisação tem viés político e prometeu detalhar o caso em coletiva de imprensa nesta terça-feira (21).

Jaildo Oliveira integra o grupo político de Omar Aziz (PSD), enquanto seu suplente da CMM, Sassá da Construção Civil (PT), é aliado do ex-prefeito David Almeida e chegou a ser secretário.

Repasses milionários e “chantagem empresarial”

Além do viés político, Any Margareth denunciou o volume de subsídios pagos pela Prefeitura de Manaus às empresas de ônibus. Segundo dados apresentados pela jornalista:

  • Mais de R$ 700 milhões foram repassados pela Prefeitura aos empresários do transporte desde o ano passado.
  • R$ 2,5 milhões por dia é o faturamento estimado da frota, somando subsídios e arrecadação de passagens.
  • R$ 1,6 bilhão é a soma acumulada de recursos movimentados pelo sistema no período.

Apesar do expressivo volume de recursos públicos investidos, as empresas atrasam salários e direitos trabalhistas dos rodoviários, empurrando a categoria para a greve. Para a jornalista, o movimento serve como pressão sobre o Poder Público para obter mais repasses.

“Na base da chantagem, [o Estado e a Prefeitura] acabam dando mais milhões para empresários incompetentes de transporte coletivo. Se são tão incompetentes e têm que viver do nosso dinheiro, deviam desistir de estar na cidade de Manaus”, concluiu Any.

Veja vídeo:


Da Redação

Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

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