O Instituto Pontual Pesquisas divulga nesta sexta-feira, 9, estudo sobre o posicionamento político dos eleitores manauaras.
A amostra foi composta por 1.200 entrevistas realizadas nas seis zonas geográficas de Manaus no dia 6 de outubro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,83 pontos percentuais (p.p.).
Conservadorismo em alta e forte rejeição à polarização
A capital do Amazonas apresenta um quadro eleitoral predominantemente conservador, mas marcado por um amplo contingente de eleitores pragmáticos que se declaram à margem da polarização nacional. É o que aponta o levantamento sobre o posicionamento político dos moradores de Manaus, que detalha os perfis de gênero, religião, renda e faixa etária da população da cidade.
Quase quatro em cada dez eleitores manauaras se identificam com o grupo Direita/Bolsonarista, que soma 38,5% das preferências e se consolida como a maior força política local. A Esquerda/Lulista aparece em segundo lugar, reunindo 23,5% do eleitorado.
O dado estratégico que promete definir os rumos das próximas disputas locais, contudo, está na fatia dos que declaram não ter posicionamento político: 31,8% dos entrevistados. Somados aos 4,7% que se posicionam no Centro e aos 1,5% que preferiram não responder, esse grupo representa mais de um terço do eleitorado da cidade, formando uma massa desvinculada das bandeiras partidárias tradicionais.
Fator gênero
O levantamento expõe assimetrias evidentes no recorte de gênero entre as correntes ideológicas. O segmento alinhado ao bolsonarismo é majoritariamente masculino, composto por 57,6% de homens e 42,4% de mulheres.
Em contrapartida, o eleitorado feminino lidera a preferência na esquerda, onde representa 59,9% dos simpatizantes do lulismo; 55,4% das mulheres disseram ser alinhadas ao Centro e também compõem a maior parte do grupo que não possui posicionamento político, com 59,8%.
40,1% dos homens declaram-se da Esquerda/Lulista, 44,6% declaram-se do Centro e 40,2% não possuem posicionamento político.
57,9% dos homens e 42,1% preferiram não responder.
Divisão por renda
Na análise socioeconômica, à direita cresce de forma proporcional ao rendimento financeiro. Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, 6,3% declaram apoio ao bolsonarismo, enquanto apenas 2,8% se identificam com o lulismo. 76,8% declaram-se do Centro, 80,3% não possuem posicionamento político e 84,2% preferiram não responder.
Já nas faixas de menor renda, de até dois salários mínimos, a esquerda e os eleitores sem posicionamento encontram suas maiores bases, englobando 75,2% e 80,3% de seus respectivos públicos. 76,8% nesta faixa de renda declaram-se do Centro, 80,3% não possui posicionamento político e 84,2% preferiram não responder.
Na faixa de renda de dois até cinco salários mínimos, a adesão à Direita/Bolsonarista é de 30,7%, Esquerda/Lulista é de 22%, do Centro é 19,6%, sem posicionamento político é de 17,1% e preferiram não responder é de 15,8%.
A influência da religião
A fé professada pelo eleitorado atua como um dos divisores mais nítidos do mapa político da capital. Entre os eleitores que se declaram de direita, 58,4% são evangélicos e 22,9% são católicos.
O cenário se inverte na esquerda, que conta com 44,7% de católicos e 29,8% de evangélicos. No grupo de eleitores sem alinhamento ideológico, os evangélicos representam 42,0% e os católicos, 32,3%.
Comportamento dos jovens
Por fim, a faixa etária revela que o bolsonarismo se fortalece entre o eleitorado adulto e de meia-idade, registrando suas maiores concentrações nas faixas de 35 a 44 anos (26,2%) e de 45 a 59 anos (25,1%).
Os jovens de 16 a 24 anos, por sua vez, concentram sua presença principalmente no grupo dos que não possuem posicionamento político (18,1%) e no centro (17,9%), sinalizando que a disputa pela simpatia das novas gerações passará pela capacidade dos candidatos de dialogar fora do ambiente de polarização.
Confira o estudo completo:
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Priscila Rosas para Portal O Poder
Ilustrações: Neto Ribeiro/Portal O Poder



