Silveira agiu com ‘deboche’ e ‘desprezo’ às decisões do STF, diz Moraes

Desprezo, deboche e desrespeito foram algumas palavras utilizadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em sua decisão de mandar prender o ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ). 

“O que se verifica é o completo desrespeito e deboche do réu condenado com as decisões judiciais emanadas desta Suprema Corte”, escreveu Alexandre de Moraes.

O político bolsonarista foi preso por desrespeitar diversas medidas cautelares —as restrições impostas pelo Supremo para evitar que ele continuasse cometendo infrações. 

A defesa criticou a decisão de Moraes e pediu para que Silveira fique detido em um local mais seguro. Em nota, os advogados dizem que a prisão “mostra mais uma vez a insegurança jurídica que vivemos no país”. 

O que disse Moraes em sua decisão?

O ministro do STF escreve que Silveira “insiste em desrespeitar as medidas cautelares” que “justificaram a fixação de multa” de R$ 15 mil por dia. Essa punição foi determinada em março de 2022. 

Moraes afirma ainda que o ex-policial militar revela “seu completo desprezo pelo Poder Judiciário” e que as restrições impostas não foram suficientes, por isso a “necessidade de restabelecimento da prisão”.

As medidas cautelares que Silveira descumpriu 

  • Uso de rede social; 
  • Conceder entrevista; 
  • Manter contato com outros investigados. 

Moraes cita que o ex-parlamentar concedeu “repetidas entrevistas nas redes sociais”. Por isso, impôs novas cautelares, sem pedir sua prisão. São elas: 

  • Uso de tornozeleira eletrônica; 
  • Proibição de ausentar-se da Comarca em que mora; 
  • Proibição de participar de eventos públicos em todo o Brasil.

Nesse período, Silveira “danificou o equipamento de monitoração eletrônica”, diz Moraes, e atacou tanto o STF quanto o TSE, “colocando em dúvida o sistema eletrônico de votação”. 

O magistrado argumenta que, graças ao Código Penal, as medidas cautelares descumpridas podem ser substituídas por prisão preventiva. 

“Em face do reiterado desrespeito às medidas restritivas estabelecidas, restabeleço a prisão de Daniel Lúcio da Silveira, a ser efetivada pela Polícia Federal”, diz trecho. 

Sem visita nem porte de arma

Além da prisão, Moraes determinou diversas “restrições ao preso”, como: 

  • Proibição de visitas, exceto de advogados e familiares; 
  • Proibição de conceder entrevistas, salvo com autorização do STF; 
  • Suspensão de porte de arma de fogo; 
  • Suspensão de registro de colecionador de arma de fogo;
  • Cancelamento de todos os passaportes. 

O ministro também ordenou busca e apreensão de armas, munições, computadores, tablets, celulares e veículos do ex-deputado e determinou acesso aos dados armazenados nesses dispositivos.

A decisão de Moraes ocorreu mesmo depois de Silveira receber indulto de Jair Bolsonaro (PL). O então presidente perdoou o aliado de uma condenação de 8 anos e 9 meses de prisão, determinada após o ex-parlamentar estimular manifestações contra a democracia e atacar autoridades e instituições. 

Acontece que chegaram ao STF ações questionando a validade desse perdão, e a Corte ainda precisa julgar se a decisão de Bolsonaro será mantida. Enquanto o julgamento não acontece, Silveira só poderia ficar em liberdade se obedecesse as medidas cautelares (como usar tornozeleira eletrônica), o que não aconteceu.

 

Da Redação com informações de Uol

Foto: Alejandro Zambrana/TSE

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