Ibovespa despenca 16% em negociações e dólar salta após vitória de Lula

Após permanecerem em circuit breaker pelos primeiros 30 minutos de negociação, os ativos à vista da bolsa brasileira passaram a despencar no primeiro pregão depois do resultado das eleições de 2026. 

Com mais de 51% dos votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito como presidente do Brasil.

Por volta das 10h40 (de Brasília), o Ibovespa afundava mais de 16%, aos 171 mil pontos. Apesar das negociações estarem abertas, grande parte dos ativos brasileiros estão passando pelo processo de leilão.

Segundo a B3, devido a alta volatilidade no mercado brasileiro, o circuit breaker foi acionado pela primeira vez desde a pandemia de Covid-19, em 2020.

“Embora o Ibovespa tenha iniciado as negociações na faixa dos 204 mil pontos, a intensa pressão vendedora levou ao acionamento do circuit breaker logo nos primeiros minutos do pregão. O mecanismo de defesa da B3, que suspende as operações por 30 minutos quando o índice principal atinge 10% de queda, foi ativado pela primeira vez desde março de 2020”, explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Por meia hora, a renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs tiveram negócios paralisados.

Enquanto isso, o dólar dispara ante o real. Na abertura, a moeda alcançou alta de 12,52%, cotado a R$ 5,60. Mais tarde, por volta das 11h, a moeda ainda tinha alta superior a 10%, aos R$ 5,5092.

Já o Ibovespa futuro com vencimento em 16 de dezembro de 2026 chegou a desabar mais de 17% nos primeiros negócios com o mercado já reagindo ao último domingo de pleito deste ano.

A queda também acontece em meio a alterações nos limites inferiores de oscilação diária para todos os vencimentos dos contratos futuros Ibovespa, ampliados para até -20%.

O limite inicial para a queda havia sido definido em até -15% mas, diante da volatilidade, foi novamente alterado.

Pela manhã, o contrato com vencimento em 16 de dezembro afundava 16,55%, a 173.530 pontos, o que já sinalizava uma abertura complicado no mercado à vista de ações.

As taxas dos DIs, conhecidos como juros futuros, também saltaram. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,915%, em alta de 206 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da sessão anterior.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,375%, com elevação de 263 pontos-base ante 12,745%.

Reação negativa às eleições de 2026

O principal indicador do mercado brasileiro de ações reage ao resultado eleitoral do último domingo, que confirmou o quarto mandato de Lula. A eleição contrariou as expectativas dos acionistas, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O anseio do mercado pelo candidato da oposição foi ancorada, principalmente, nas pesquisas de segundo turno eleitoral, que mostravam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ligeiramente à frente.

Lula conseguiu 51,79% dos votos, se reelegendo pela segunda vez e renovando o seu próprio recorde de presidente mais votado da história.

Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado precificou e se preparou para uma mudança de governo, na espera por anos mais “racionais” em relação ao controle de gasto e perfil de dívida pública.

“Entretanto, com o cenário consumado da reeleição do Lula, os investidores globais cortam suas expectativas para mais 4 anos do mesmo perfil de governo que levou o Brasil a um dos juros reais mais altos do mundo. É por isso que a bolsa cai tanto hoje”, afirmou.

 

Da Redação com informações de CNN Brasil

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