Os locais de votação nas eleições de meio de mandato – midterm elections – nos EUA foram abertos em 35 estados dos 50 estados norte-americanos, iniciando por Vermont, no leste do país, que recebeu o primeiro voto precisamente às 7h15 (horário de Brasília) desta terça-feira, 3.
Além de Vermont, outros estados abriram a votação: Alabama, Arizona, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Connecticut, Dakota do Sul, Delaware, Flórida, Geórgia, Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Louisiana, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Mississippi, Missouri, Nova Jersey, Nova York, Ohio, Oklahoma, Pensilvânia, Rhode Island, Tennessee, Texas, Virgínia, Virgínia Ocidental e Wisconsin. No Distrito Federal de Columbia também há votação.
O pleito, que definirá todos os novos integrantes da Câmara e um terço do Senado, ocorre no momento de maior desgaste da administração do presidente republicano Donald Trump, marcado pela queda na sua aprovação devido ao prolongamento da guerra contra o Irã e pelo aumento do custo de vida.
Nesta eleição, mais de 58 milhões de votos antecipados foram registrados em todos os EUA, segundo análise da Universidade da Flórida — aumento expressivo em relação ao total de votos antecipados nas últimas eleições de meio de mandato, em 2022.
No ciclo eleitoral de meio de mandato de 2026, estão em disputa 35 cadeiras no Senado, 36 cargos de governador e todas as 435 cadeiras na Câmara dos Representantes. Há também diversas propostas submetidas à votação popular (ballot measures) em todo o país, abrangendo temas que vão desde a administração eleitoral até o acesso ao aborto.
Controle do Congresso
Os democratas buscam retomar o controle de ambas as casas do Congresso. Eles precisam conquistar quatro cadeiras no Senado para garantir maioria de 51 assentos e obter pelo menos 218 cadeiras para retomar a Câmara.
Os republicanos de Trump lutam intensamente para manter sua maioria em ambas as casas, apesar de crescentes desafios em nível nacional. Eles enfrentam o desgaste de várias políticas impopulares da administração Trump:
- crise de custo de vida decorrente da guerra no Irã;
- repressão migratória violenta – que resultou na morte de dois cidadãos americanos por agentes federais;
- guerra comercial abrangente; e
- índices de aprovação de Donald Trump com patamares historicamente baixos.
A expectativa é de disputa acirrada, principalmente pelas cadeiras vagas no Senado. Em relação à Câmara, os democratas aparecem em posição favorável para recuperar a maioria. Projeções eleitorais apontam que o partido tem mais de 90% de chance de conquistar a maioria.
No Senado, as estimativas também indicam vantagem democrata, embora a briga seja mais apertada.
O que está em jogo?
As eleições de meio de mandato ocorrem a cada dois anos, no intervalo entre as disputas presidenciais, e funcionam como uma avaliação do governo em exercício.
Diferentemente das eleições presidenciais, não há um candidato à Casa Branca na cédula.
Ainda assim, o resultado costuma refletir a satisfação dos eleitores com os rumos do país.
Serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
Os mandatos dos deputados duram dois anos, enquanto os senadores cumprem períodos de seis anos.
Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas.
Para recuperar o controle da Casa, a oposição precisa conquistar quatro assentos a mais.
No Senado, os republicanos têm 53 das 100 vagas, enquanto democratas e independentes alinhados ao partido somam 47.
Para assumir a maioria, os democratas precisam chegar a 51 cadeiras.
A importância do resultado está nas atribuições do Congresso, responsável pela elaboração e aprovação de leis federais, além da fiscalização do Poder Executivo.
Uma mudança na composição parlamentar pode dificultar a aprovação de projetos prioritários da Casa Branca e alterar o equilíbrio de forças em Washington.
Economia e guerra no Irã pesam na disputa
A economia é uma das principais preocupações dos eleitores, diante da alta nos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. O prolongamento da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã também pressiona o custo de vida e gera críticas à política externa de Trump.
Os democratas ainda atribuem às tarifas comerciais o encarecimento de produtos, enquanto os republicanos destacam o endurecimento das políticas migratórias como uma conquista do governo.
A regulamentação da inteligência artificial também ganhou espaço no debate eleitoral.
Trump faz último apelo por votos republicanos
Na véspera da votação, Trump intensificou a mobilização de eleitores para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Em discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington, na segunda-feira, 2, o presidente classificou o pleito como o mais importante de suas vidas e voltou a atacar os democratas.
“O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana“, declarou.
O republicano também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.
Ao defender seu governo, Trump afirmou que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e destacou o desempenho econômico de sua administração. O presidente também pediu que os apoiadores tratem a votação como se ele próprio estivesse na disputa.
O discurso presidencial ocorre em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Até mesmo estrategistas republicanos demonstraram preocupação com o fato de Trump dedicar espaço a projetos de reforma e construção de monumentos e estruturas em Washington, enquanto os americanos enfrentam dificuldades econômicas.
O que uma derrota pode significar para Trump?
Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso representaria uma mudança importante na relação entre o Legislativo e a Casa Branca.
Com o controle da Câmara, a oposição passaria a comandar as comissões parlamentares e teria instrumentos para convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.
O governo também poderia enfrentar questionamentos sobre contratos, conflitos de interesse e medidas adotadas por meio de decretos presidenciais.
A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. A Câmara dos Representantes tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto cabe ao Senado conduzir o julgamento político. Eventual condenação, contudo, exige o apoio de dois terços dos senadores.
No Senado, a mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.
Trump ainda poderia recorrer a ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria maior resistência institucional e dificuldades para transformar suas propostas em leis.
O resultado também deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.
Da Redação com informações de Metrópoles



