Henrique Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, em Belo Horizonte, na sexta fase da operação Compliance Zero. Ele aparece como demandante, operador e beneficiário financeiro de todo o esquema do Master. Ao todo há sete mandados de prisão preventiva que estão sendo cumpridos na manhã desta quinta-feira. Um agente da Polícia Federal da ativa já está preso, uma delegada também da ativa e um agente aposentado são alvo de busca. Segundo fontes, todos os alvos das prisões de hoje são integrantes da chamada “A Turma”, grupo que atuava para intimidar desafetos, acessar informações sigilosas e promover invasões a dispositivos informáticos em benefício de Vorcaro.
O pai de Daniel Vorcaro era presidente da Multipar, empresa que movimentou mais de R$ 1 bilhão, entre 2020 e 2025, exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo ao Conselho, a movimentação sugere uma tentativa de esconder o patrimônio.
O Grupo Multipar, fundado por Henrique Vorcaro, é um conglomerado com atuação em áreas como engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário. O grupo ganhou espaço principalmente em contratos ligados à infraestrutura e obras de grande porte em Minas Gerais.
Na semana passada, o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Vorcaro já havia sido preso apontado como “operador financeiro” do ex-banqueiro, “incumbido da interligação entre decisões estratégicas do núcleo central e a execução material das movimentações financeiras e societárias”.
Mensagens com “Sicário” levaram pai de Vorcaro e agente da PF à prisão
A nova fase da Compliance Zero mira a chamada “A Turma” com base em mensagens encontradas dos alvos com Luiz Phelipe Mourão, chamado de “Sicário” de Daniel Vorcaro.
O conteúdo periciado mostra como Mourão tinha acesso a informações sigilosas da PF e do MPF para usar a mando de Vorcaro.
A PF investiga que o grupo era usado pelo dono do Banco Master para ameaçar adversários, sendo definido como “organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos”.
“Sicário” mantinha contato com agentes da Polícia Federal que foram alvos da sexta fase da operação.
A PF faz essa ligação: Mourão conseguia informações sigilosas dentro da PF e repassava para “A Turma”, com Vorcaro pai, Vorcaro filho e o cunhado Fabiano Zettel.
Em março, quando Daniel Vorcaro e Mourão foram presos, a PF detalhou a atuação deles: “a partir dessa metodologia o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol“.
Ainda de acordo com a investigação, Mourão exercia papel central no grupo “A Turma”, cuja estrutura foi montada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo, entre eles autoridades e jornalistas.
A defesa de Henrique Vorcaro ainda não se manifestou sobre a prisão.
Da Redação com informações de O Globo e CNN Brasil
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