Levantamento do Blog do Botelho a partir dos dados disponíveis no DivulgaCandContas, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o Partido Liberal já destinou R$ 9,75 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) aos candidatos a deputado federal e estadual cujos repasses já foram contabilizados.
Desse total, R$ 7 milhões ficaram concentrados em apenas três nomes: Alfredo Nascimento, Sargento Salazar e Kidson Maia.
O valor representa 71,8% de todos os recursos do Fundo Eleitoral já contabilizados para as candidaturas proporcionais do PL no Amazonas.
Alfredo, presidente estadual da legenda e candidato a deputado federal, recebeu R$ 3 milhões. Sargento Salazar, vereador de Manaus e candidato à Câmara dos Deputados, também recebeu R$ 3 milhões, e Kidson Maia, candidato a deputado estadual, recebeu R$ 1 milhão.
Os demais candidatos com recursos já contabilizados dividem, somados, R$ 2,75 milhões.
Diferença milionária
Na disputa pela Câmara dos Deputados, a diferença é especialmente expressiva. Enquanto Alfredo e Salazar receberam R$ 3 milhões cada, Coronel Rosses, Delegado Pablo, Dra. Patrícia Sichhar, Jean Batista e Micka Sevalho aparecem com R$ 200 mil cada.
Individualmente, Alfredo e Salazar receberam 15 vezes o valor destinado a cada um desses candidatos.
Na chapa estadual, Kidson também aparece muito à frente dos demais. Ele recebeu R$ 1 milhão, enquanto oito candidatos receberam R$ 200 mil cada, dois aparecem com R$ 100 mil e outros três com R$ 50 mil.
A concentração não representa, por si só, qualquer irregularidade. Partidos estabelecem estratégias eleitorais e podem priorizar determinadas candidaturas na distribuição dos recursos, desde que observadas as exigências da legislação. Politicamente, porém, os números ajudam a revelar qual é a aposta feita pelo comando do PL no Amazonas.
O projeto de Alfredo
No centro da estratégia está Alfredo Nascimento. Presidente estadual do PL, ele tenta retornar à Câmara dos Deputados e enxerga em Sargento Salazar uma peça fundamental para tornar esse projeto eleitoralmente viável.
Salazar chega à eleição carregando um ativo que poucos candidatos possuem: uma enorme capacidade de mobilização nas redes sociais. Vereador de Manaus, construiu uma audiência de milhões de seguidores e transformou sua presença digital em uma das principais vitrines eleitorais do PL no Amazonas.
A aposta dentro do partido é que essa popularidade seja convertida em uma votação expressiva para deputado federal. E é justamente aí que os projetos de Salazar e Alfredo se encontram.
Nas eleições proporcionais, os votos dados aos candidatos também alimentam a votação total do partido ou federação. Uma votação muito alta de Salazar, portanto, não serve apenas para elegê-lo. Ajuda o PL a alcançar o quociente partidário necessário para conquistar outras cadeiras.
Uma aposta de alto risco
A estratégia pode funcionar. Se Salazar confirmar nas urnas a força que demonstra nas redes sociais, Alfredo conseguir uma votação competitiva e Kidson transformar a estrutura recebida em votos, o PL poderá sair da eleição com três importantes vitórias.
Mas existe o outro lado dessa equação. Dinheiro de campanha é um recurso finito. Concentrar quase três quartos dos valores já contabilizados em três candidatos significa, necessariamente, deixar menos recursos disponíveis para fortalecer o restante das nominatas.
E eleições proporcionais não são disputadas apenas pelos puxadores de votos. O desempenho coletivo da chapa importa. Candidatos que talvez não tenham condições individuais de conquistar uma cadeira ainda contribuem com milhares de votos para o resultado final da legenda. Enfraquecer financeiramente esses nomes pode reduzir justamente a votação coletiva necessária para ampliar a bancada.
É aí que a estratégia de Alfredo se transforma em uma aposta de risco.
Da Redação com informações de Blog do Botelho
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