Os constantes apagões da Amazonas Energia no interior foram tema de debate nesta quinta-feira, 11, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O deputado Sinésio Campos (PT), presidente da CPI da Amazonas Energia na Aleam, foi o primeiro a usar a tribuna ao falar do apagão ocorrido ontem em Coari (a 368 quilômetros de Manaus), onde a concessionária terceirizou o fornecimento de energia e contratou um produtor independente.
“A Amazonas Energia informou para os moradores de Coari que na noite de 10 de novembro ocorreram problemas técnicos na usina termoelétrica de responsabilidade do produtor independente da empresa Guascor, causando interrupção da energia no município”, disse o deputado. “Nessa nota, a Amazonas Energia se exime de responsabilidade e não dá nem previsão de quando o abastecimento será normalizado”, completou.
“O que me causa estranheza é que a Amazonas Energia coloca sempre a culpa nos produtores independentes. Essa empresa ganhou a privatização no Estado por R$ 50 mil e distribui por polos aos produtores independentes. Nesse caso Coari coloca a responsabilidade aos produtores independentes e vamos convocar todos eles. Será que a Amazonas Energia está pagando pelo menos o diesel que eles estão consumindo?”, questionou.
Na esteira do colega, o presidente da Aleam, Roberto Cidade (PV), criticou a empresa e citou o exemplo de vários municípios do interior, que também estão sofrendo com as constantes interrupções no sistema de energia e cortes irregulares.
“Tenho certeza que a CPI da Amazonas Energia vai dar muitos frutos para a população que vem sofrendo muito, não somente em Manaus, mas no interior. Eu tenho recebido muitas reclamações de apagões em Manicoré”, ressaltou.
Wilker Barreto (Podemos) também criticou o descaso da empresa Amazonas Energia no interior. “O interior está abandonado e eu, que sempre fui a favor da privatização, queimei a língua. Nesse caso foi um retrocesso. O que eles estão fazendo é cortando a energia dos consumidores”, disse.
Serafim Corrêa sugeriu que sejam avaliados todos os casos de falhas da Amazonas Energia. “No caso de Apuí, a empresa por nome Power está num processo judicial e faliu. A cidade ficou quatro dias sem energia. Na calha do Madeira, essa empresa pisou na bola e falhou na geração que originou o problema. Tem que chamar todo mundo, a Amazonas Energia e os produtores independentes”, alertou.
Augusto Costa, para O Poder
Foto: Acervo O Poder
Edição e Revisão: Alyne Araújo e Henderson Martins

