Vereador de Manaus quer Fundo Especial para ‘sobra’ do Cotão

O dinheiro proveniente da Cota para Exercício Parlamentar (Ceap) que não for utilizado pelos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) poderá ter um novo destino na Casa Legislativa. O novo valor do Cotão continua suspenso pela Justiça amazonense.

Cada vereador recebe mensalmente R$ 18 mil e o valor pode ser acumulado para despesas com aluguel de carros, combustível, telefonia e divulgação. Há divergências sobre a destinação da verba economizada pelo cotão. O dinheiro economizado fica à disposição do vereador para ser utilizado no mês subsequente até ao fim do ano.

A proposta do Fundo Especial Financeiro de Economias Parlamentares (Fefep) foi ideia do vereador Raiff Matos (DC). O vereador explicou que sempre foi econômico com o cotão, mas ao descobrir que os recursos acabam indo para o Executivo, decidiu gastar a verba por inteiro. 

“Desde o início do mandato, tenho uma preocupação sobre a destinação da nossa Ceap. Eu comecei a usar a verba toda por causa do destino final. Eu encaminho para a Mesa Diretora uma Indicação para criarmos a Fefep para que o dinheiro economizado seja repassado ao Fundo e, no fim do ano, a Câmara faça uma destinação para alguma instituição carente”, explicou Matos. 

Tanto no Regimento Interno da Câmara Municipal quanto na Lei Orgânica no Município (Loman) não há explicação sobre o que acontece com o dinheiro que não é utilizado, se fica no Legislativo ou vai para o Executivo. As fontes consultadas divergem entre si. A Diretoria de Comunicação do Parlamento foi acionada, mas até a publicação desta matéria não retornou o questionamento feito pelo Portal O Poder

Opiniões

Em parceria com Amom Mandel (Cidadania) na Ação Popular que barrou o aumento do cotão, o vereador Rodrigo Guedes (PSC) informou ao Portal O Poder que é a favor que o dinheiro retorne ao Executivo. Porém, atualmente, o que não é utilizado fica na Casa Legislativa. 

“Não usar o cotão ou usar de forma moderada é simpático aos olhos da população, mas, na prática, acaba não resolvendo o problema porque o dinheiro fica na Câmara. Muitas vezes será utilizado de forma menos útil (ou até ilegal e imoral) pelo presidente do que com serviços voltados ao interesse público”, comenta. “Infelizmente, o dinheiro que você não usa não é destinado para políticas públicas, fica na Câmara e o presidente pode usar em kit selfie, puxadinho ou picape de luxo. Você economiza para o David Reis gastar, por exemplo”, critica Guedes. 

Em conversa com o Portal O Poder, o líder do prefeito no Parlamento Municipal, Marcelo Serafim (Avante), ponderou que algumas propostas acabam confundindo a população e que a análise para as mudanças deve ser mais profunda.

“A Constituição Federal da República (CF) veda isso. O dinheiro que sobra obrigatoriamente deve ser devolvido ao Município, no caso a Prefeitura. A ideia não é má, mas para isso precisamos que seja mudada a constituição pelos deputados federais e senadores”, frisa Marcelo Serafim. 

O parlamentar explica que a sobra do caixa retorna aos cofres municipais ao fim do ano, com regulamentação da Constituição Federal. Para Serafim, deve-se tomar cuidado com o tipo de proposta. 

“É lamentável que a população se confunda pois acabamos por ter o parlamento sendo jogado contra o povo por algo que a CF normatiza de forma clara e objetiva”, lamentou. 

A equipe de Raiff Matos informou que entrará com a Indicação na Casa Legislativa nesta quarta-feira, 20. Até a publicação desta matéria, o documento não constava no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL).  

 

 

Priscila Rosas, para O Poder 

Foto: Robervaldo Rocha/CMM 

Edição e Revisão: Alyne Araújo e Henderson Martins

Últimas Notícias

Sérgio Kruke reage contra nota de Maria do Carmo, expondo racha no PL

Após publicação de nota por meio das redes sociais, Maria do Carmo Seffair (PL), pré-candidata ao governo do Amazonas...

Mais artigos como este