Investigado pela PF, pai de governador do Acre renova contratos de R$ 31 milhões com Seminf

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) renovou dois contratos de valores milionários com a Construtora Etam, cujo dono é Eládio Cameli, investigado pela Polícia Federal e pai do governador do Acre, Gladson Cameli. Embora os extratos tenham sido assinados na mesma data, ambos foram publicados em edições diferentes do Diário Oficial do Município (DOM).

O Termo Aditivo nº 038/2022 é para execução do programa Asfalta Manaus – Lote 07, que contempla a recuperação viária no bairro Alvorada 1, Zona Centro-Oeste de Manaus. O contrato foi prorrogado por seis meses, com um desembolso total estimado de R$ 13,8 milhões.

Já o Termo Aditivo nº 039/2022 refere-se ao programa Asfalta Manaus – Lote 08, no bairro Alvorada 2, Zona Centro-Oeste de Manaus. Também com extensão de seis meses, a construtora deverá receber o montante de R$ 17.598.637,29.

Vínculo político e investigação

A Construtora Etam LTDA, registrada sob o CNPJ nº 22.768.840/0001-31, tem como sócio-administrador Eládio Messias Cameli e como “sócia” a empresa E. M. Cameli Holdings LTDA, também de propriedade de Eládio. Segundo dados disponíveis no site da Receita Federal, a empresa possui um capital social de R$ 145 milhões.

O filho de Eládio Cameli, Gladson de Lima Cameli, foi eleito no primeiro turno nas eleições de 2018 e reeleito em 2022.

Operação Ptolomeu

A Polícia Federal iniciou, em 2021, a operação Ptolomeu que investiga um grupo formado por empresários e agentes públicos ligados à gestão de Gladson Cameli. A operação apura o uso da estrutura do governo para praticar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e ocultação do destino dos valores.

A operação foi realizada em três fases, sendo a primeira com o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão e um de prisão nos estados do Acre, Amazonas e no Distrito Federal. No Amazonas, Eladio Cameli, pai do governador, Gledson Cameli, irmão do governador, e a Construtora Etam foram alvos da PF.

Na segunda fase, o foco foi a tentativa de obstrução das investigações, com suspeitas de destruição de provas essenciais. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Rio Branco.

Já na terceira fase, a operação se expandiu com o cumprimento de 89 mandados de busca e apreensão. Nesta fase, Gladson Cameli foi alvo de sanções impostas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele foi proibido de ter contato com seu pai, Eládio, e outros investigados, além de ser impedido de deixar o país, sendo obrigado a entregar seu passaporte à Justiça.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Gladson Cameli e outras 12 pessoas são investigados por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.

No início deste mês, Gladson Cameli prestou depoimento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que o tornou réu pelos crimes apontados no relatório da Operação Ptolomeu. Embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha solicitado seu afastamento como governador, o STJ decidiu mantê-lo no cargo enquanto ele responde à ação.

 

 

Da Redação

Ilustração: Neto Ribeiro

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