MPF investiga falhas da Polícia Federal em inquéritos sobre mineração ilegal na Amazônia

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou o Inquérito Civil nº 84/2025 para apurar possíveis irregularidades administrativas e funcionais cometidas pela Polícia Federal (PF) na condução de inquéritos que investigam crimes de extração ilegal de minérios, usurpação de bens da União e delitos conexos na Amazônia Ocidental. A portaria foi assinada pelo Procurador da República, André Luiz Porreca Ferreira Cunha, e publicada no Diário Eletrônico do órgão desta quinta-feira, 27.

De acordo com o MPF, foram identificadas falhas sistêmicas e reiteradas nos procedimentos policiais sob acompanhamento do órgão. Essas falhas, registradas em sistemas internos, incluem remessas de inquéritos sem especificar diligências pendentes e diversos pedidos de prorrogação de prazo sem justificativa.

Falhas comprometem combate ao garimpo

A portaria destaca ainda que esses problemas prejudicam diretamente o enfrentamento à mineração ilegal, atividade responsável por graves impactos ambientais e sociais na região.

O promotor reforça ainda que a morosidade e desorganização favorece a prescrição penal, o que configura violação violação à eficiência administrativa, e desta forma, colabora com ausência de responsabilização em crimes graves.

Controle externo 

O MPF ressalta que, por lei, a instituição é responsável por exercer o controle externo da atividade policial, fiscalizando não apenas aspectos formais, mas também a eficiência e a racionalidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

A portaria menciona ainda que a Instrução Normativa nº 255/2023-DG/PF, atualizada pela IN nº 279/2024, determina que os pedidos de prorrogação de inquérito contenham expressa indicação das diligências pendentes, o que não vinha sendo observado.

Deficiência estrutural na PF 

Para o MPF, a recorrência das irregularidades pode indicar uma deficiência estrutural na gestão dos procedimentos investigativos da PF na Amazônia Ocidental, “bem como uma possível resistência institucional que demanda apuração mais profunda”.

O Inquérito Civil vai apurar “eventuais irregularidades administrativas e funcionais no cumprimento, pela Polícia Federal dos deveres de motivação, gestão e controle de prazos de inquéritos policiais instaurados para investigar crimes de usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais e delitos conexos, sob a atribuição do 19° Oficio da Procuradoria da República no Amazonas (2° Oficio da Amazônia Ocidental), em especial nos casos de pedidos de dilação de prazo desprovidos de justificativa, omissão de manifestação da autoridade policial e remessa automatizada de inquéritos ao MPF sem despacho fundamentado”, conforme a portaria.

Confira na íntegra:

Da Redação
Foto: Divulgação

Últimas Notícias

MPAM dá prazo de 15 dias para que Prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro informe sobre irregularidades previdenciárias

Uma portaria de instauração emitida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça...

Mais artigos como este