TSE julga decisão que suspendeu pesquisa sobre Flávio Bolsonaro

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai analisar o referendo da decisão do ministro Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. O levantamento apontou, em 19 de maio, queda nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto.

O levantamento foi divulgado poucos dias após a revelação de conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre o financiamento do filme Dark Horse, que contará a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

Ao conceder a liminar, Kassio atendeu a pedido do Partido Liberal (PL) e apontou indícios de comprometimento da metodologia da pesquisa.

Segundo o ministro, há elementos que sugerem possível indução dos entrevistados, entre eles a inclusão de conteúdos relacionados a investigações e o uso de perguntas com carga valorativa negativa.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, afirmou.

Para Kassio, a controvérsia não se limita a divergências metodológicas, mas envolve a possibilidade de uso do questionário como mecanismo de indução dos entrevistados.

O ministro destacou ainda que, ao analisar outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, não encontrou questionários com estrutura semelhante nem a utilização de áudios, como ocorreu no levantamento contestado.

Reação

A decisão provocou reação imediata do CEO da AtlasIntel, Andrei Roman. Em publicação no X, o executivo afirmou que o instituto continuará a se consolidar apesar da suspensão e disse que a empresa já enfrentou críticas tanto da esquerda quanto da direita.

“Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo”, acrescentou.

Segundo Roman, “não existe uma empresa de pesquisa em nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu”. Ele afirmou ainda que o instituto saiu fortalecido de ataques anteriores e que o mesmo ocorrerá após a atual controvérsia.

Pesquisa

Na pesquisa AtlasIntel divulgada em abril, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam tecnicamente empatados em um cenário de segundo turno. O senador tinha 47,8% das intenções de voto, enquanto o presidente registrava 47,5%.

Já no levantamento divulgado em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, ante 41,8% de Flávio. O resultado indicou queda de seis pontos percentuais para o senador entre uma pesquisa e outra.

Ao acionar o TSE, o Partido Liberal alegou divulgação de pesquisa fraudulenta, questionou a metodologia utilizada e sustentou que o questionário teria sido estruturado para induzir percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.

 

Da Redação, com informações do Metrópoles
Foto: Senado Federal

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