O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um dos seus momentos de maior tensão institucional das últimas décadas. O embate direto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça (que chegaram a bater boca abertamente em julgamento transmitido ao vivo) escancarou a divisão da Corte em pleno ano eleitoral, impulsionada pelas revelações do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A crise escalou após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal que reúnem trocas de mensagens e citam contatos entre Vorcaro e interlocutores ligados ao ministro Alexandre de Moraes, além da menção a contratos milionários de honorários firmados entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Troca de acusações e bate-boca no Plenário
As revelações provocaram um embate ríspido no plenário. Enquanto Mendonça liberou o relatório para análise do plenário sob a justificativa de “interesse público”, Moraes reagiu de forma incisiva, classificando os diálogos apresentados como “fantasiosos” e acusando a manobra de ter motivações políticas.
Durante a sessão, os ministros se interromperam mutuamente. “Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada?”, questionou Moraes em plenário, acusando Mendonça de atuar alinhado a grupos políticos da oposição. “Mentira, isso é mentira. Podem chamar quem quiser”, rebateu André Mendonça.
Moraes nega veementemente ter favorecido o empresário ou atuado em favor do Banco Master, alegando que a conduta de Mendonça ao abrir o sigilo violou os ritos regimentais da Corte.
Envolvidos e pressão institucional
As investigações da PF no “Caso Master” expõem um emaranhado que atinge diferentes cúpulas de Brasília. Mensagens encontradas nos celulares do banqueiro indicam que Vorcaro buscou intermediários para tentar interlocução no governo e na Procuradoria-Geral da República (PGR) diante do avanço de apurações da PF e do Banco Central.
Com a liberação do caso por Mendonça, cabe agora ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, definir se e quando a pauta vai a plenário, decisão que Fachin tenta contornar para evitar aumentar ainda mais a temperatura nos bastidores.
Impacto nas Eleições de 2026
O desgaste público entre dois dos principais magistrados do país ocorre no ápice da corrida eleitoral de 2026 e serve de “pano de fundo” para os discursos (e ataques) dos candidatos ao pleito. Para analistas jurídicos e políticos, o racha na mais alta Corte do país fragiliza a imagem de estabilidade institucional em um momento em que o Brasil se prepara para ir às urnas.
Da Redação


