Na abertura do ano legislativo do Parlamento estadual na manhã desta terça-feira, 2, cuja cerimônia aconteceu de forma totalmente virtual, o governador Wilson Lima (PSC) não apresentou nada de extraordinário na leitura da mensagem anual, nem metas de investimentos nem de desenvolvimentos de projetos para 2021.
Ao contrário, o texto, lido pelo governador limitou-se ao balanço das atividades governamentais de 2020, além de críticas ao ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), sem nominá-lo diretamente. Em seu discurso, Lima apresentou números que apontam a ampliação da rede estadual de saúde durante o período da pandemia do novo coronavírus.
O governador afirmou no inicio da abertura da mensagem governamental que hoje cumpria, de acordo com a Constituição Estadual, o rito da abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa em 2021 e que desta vez fazia de forma virtual em razão da grave crise da pandemia que o mundo enfrenta e em especial o estado do Amazonas.
“Vivemos com a pandemia da Covid-19 a maior crise da saúde da história da humanidade nos últimos 100 anos. São mais de 2 milhões de mortos no mundo, mais de 200 mil no Brasil e mais de 8 mil no Amazonas. Aqui quero externar a minha solidariedade às pessoas que, neste momento, estão acometidas pela Covid, aos familiares que estão enlutados e que tiveram perdas. Essa é uma doença muito cruel que não dá nem a oportunidade de nos despedirmos daqueles que estamos perdendo para a Covid”, lamentou ao dizer que estamos em uma guerra e que o governo está lutando para preservar vidas.
Mesmo sem citar o nome de Arthur Neto, Wilson Lima afirmou que em 2020 a Prefeitura de Manaus, “simplesmente virou as costas para a pandemia” e “fez de conta que não tinha responsabilidade com a saúde dos manauaras”. De acordo com o governador, das mais de 200 Unidades Básicas de Saúde (UBS) que o município possui em Manaus, a prefeitura disponibilizou apenas 18 para atender pacientes com Covid-19.
“Alguns dos que hoje cobram de mim, lá atrás não fizeram as cobranças devida. Hoje mudaram de postura e veem a pandemia como palco político, infelizmente. Ano passado, a Prefeitura de Manaus simplesmente virou as costas para a pandemia, fez de conta que não tinha responsabilidade com a saúde dos manauaras. Das mais de 200 Unidades Básicas de Saúde, o Executivo Municipal só disponibilizou 18 para atendimento da Covid. E detalhe: só funcionavam de segunda a sexta e no horário comercial”, alfinetou.
Wilson Lima afirmou ainda que o abandono da saúde é refletido no percentual de cobertura da atenção básica e afirmou que a capital amazonense tem o menor percentual de atendimento básico de saúde. O governador disse que vidas poderiam ter sido salvas “se o executivo municipal tivesse feito a sua parte”.
“Enquanto famílias estavam enlutadas e os profissionais da saúde continuavam lutando, exaustos, o prefeito então vivia no seu mundo onírico, vendo a crise da saúde como uma oportunidade de autopromoção, em brigas políticas e ataques, como continua até hoje. Ele e seus seguidores que não conseguem enxergar um palmo a frente. A história vai cobrar isso”, afirmou.
Balanço da saúde
O governador fez um balanço da saúde e segundo ele, desde outubro de 2020, o Estado aumentou em 134% o número de leitos clínicos e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que saltou de 457 para 1.348. De acordo com dados apresentados pelo governador, o Hospital Delphina Aziz, que tinha apenas dez leitos de UTI em 2018, agora tem 150 leitos e todos os andares estão sendo utilizados para atendimento.
Em relação a Central de Medicamentos do Amazonas (Cema), ele disse que as prateleiras da Cema estavam “simplesmente vazias” há dois anos. O estoque, segundo o governador, aumentou de 12%, em 2018, para 75%, em 2021.
Interior
Wilson afirmou que os 61 municípios do interior do Amazonas receberam 875 leitos clínicos para atendimento de pacientes e o Estado elevou em 576% a quantidade UCIs (Unidades de Cuidados Intermediários. “O interior nunca teve e hoje existem em todos os hospitais do interior. Nós temos um planejamento. Começamos pela implantação das UCIs. Elas evitam que o paciente precise de um leito de UTI”, afirmou.
Vacinas contra Covid-19
Em relação à campanha de vacinação contra a Covid-19, o governador enfatizou que todas as doses foram separadas e enviadas aos municípios junto com os insumos necessários para a aplicação e que os critérios foram estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS) e os nomes de quem recebe a vacina no âmbito estadual estão sendo divulgados aos órgãos de controle.
Relembrando o caso de servidores estaduais que “furaram a fila” e foram vacinados mesmo sem pertencer aos grupos prioritários, Wilson Lima afirmou que determinou que nenhum servidor estadual seja indevidamente vacinado e, caso algum servidor que ocupa cargo comissionado fure a fila de vacinação, será demitido. “Se houver fraude por parte de quem quer que seja, que ocupe comissionado, haverá exoneração imediata”, ameaçou.
O governador terminou a leitura da mensagem agradecendo ao ministro da Saúde Eduardo Pazuello e ao o presidente Jair Bolsonaro pela força-tarefa criada pelo governo federal para atender pacientes na crise causada pela segunda onda de infecção no Estado.
Mensagem ‘pastel’
O deputado oposicionista, Dermilsom Chagas (Podemos) fez duras criticas à mensagem lida pelo governador Wilson Lima na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa. Dermilson chamou de “mensagem pastel” o pronunciamento do governador que não apresentou nenhum projeto para áreas fundamentais do estado como saúde, educação e segurança pública. Ele voltou a defender que os deputados aprovem o pedido de impeachment do governador e do vice-governador Carlos Almeida Filho (PTB) que está sendo avaliado pela Procuradoria-Geral da Aleam.
“Uma mensagem vazia pastel, só tem capa. Custou muito dinheiro para fazer a encadernação, mas sem conteúdo. Mostra que nós vamos viver mais dois anos a deriva. Um estado que não fala da geração de emprego, não tem planejamento para combater a Covid-19, e nós não sabemos quais os caminhos do estado daqui pra frente. O alicerce de todo governo está baseado em educação, segurança e saúde”, criticou.
Dermilson ainda questionou a postura do governo do Estado que mesmo tendo uma Secretaria de Planejamento, não apresentou metas e projetos para 2021. “Ele (governador Wilson Lima) tem uma secretaria de Planejamento. Serve pra que? Para dar cargos? Para acomodar pessoas? Em plena pandemia o governo está direcionando com recursos do FTI (Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas)”, afirmou.
“Somente para a secretaria de Cultura, R$ 90 milhões. Sabe pra quem é esse dinheiro? É para um grupo de empresários que sustentou ele na campanha. Esporte, R$ 20 milhões com recursos do FTI. Qual o real projeto do governo do Estado? Não tem. Ele vem com uma proposta pastel pra cá para a Assembleia Legislativa onde não em um planejamento para a saúde, não tem planejamento para a geração de empregos, para a segurança e educação. É triste assistir uma pessoa delirar numa mensagem que ele poderia deslanchar com todo um planejamento de desenvolvimento e crescimento para o estado falando das reformas tributária, política, reduzindo gastos, falando de obras. Não veio nada. Só reclamou da oposição que está se sentindo incomodado e pressionado. Infelizmente a mensagem dele foi pastel só tem vento”, concluiu.
Augusto Costa, para O Poder
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