CPI ouve consumidores hostilizados por funcionários da Amazonas Energia

A CPI da Amazonas Energia da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) realizou oitiva nesta quinta-feira, 11, com consumidores que foram hostilizados e agredidos por funcionários da concessionária. Um deles foi preso e levado para a penitenciária, onde passou três dias encarcerado. A prisão teve a alegação de crime de furto de energia, embora a conta estivesse paga.

O primeiro consumidor ouvido foi o comerciante Marcelo Medeiros e Castro, dono de uma padaria no Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus, que foi agredido por um dos funcionários da Amazonas Energia com um “mata leão” e chegou a desmaiar. O fato ocorreu no momento em que os funcionários da empresa queriam retirar o medidor de energia, mesmo sem apresentar nenhuma notificação prévia. O vídeo com as cenas de agressão ao consumidor viralizaram nas redes sociais.

“Eles foram cortar a energia, pediram um ‘guaraná’ da minha esposa e ela não deu. Um deles disse que iria levar o contador porque tinha fraude. Outra situação foi que em janeiro eu pagava R$ 1,7 mil e esse valor subiu no mês outubro para R$ 3 mil”, disse o comerciante.

O consumidor explicou que quando chegou ao estabelecimento disse aos funcionários da concessionária não iriam levar o equipamento sem prévio aviso. “Eles ligaram para a empresa e duas moças chegaram dizendo que eram advogadas e um instrutor que estava me instigando e me chamando para briga”, afirmou.

Marcelo Medeiros afirmou, ainda, que toda a cena foi filmada pela sua esposa. “Um rapaz da Amazonas Energia me pegou pelas costas e deferiu um ‘mata leão’. Eu desmaiei. Minha esposa precisou intervir, foi quando ele soltou e correu. Com dez minutos chegou um carro da Amazonas Energia com mais dois advogados pedindo desculpas”, explicou.

Depois foi a vez do consumidor Isaqueiel Martins da Silva, que foi preso acusado de furto de energia e passou três dias na penitenciária por determinação do delegado Gustavo dos Santos Cerqueira do 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

“Eu tinha um galpão com um débito e eles cortaram a energia que eu paguei no dia seguinte. Depois eles foram fazer a religação e colocaram defeitos dizendo que tinha que comprar fios. Chamei um eletricista profissional, quando estávamos fazendo o gabiamento, foi quando um carro que estava por perto voltou com a polícia dando ordem de prisão”, lamentou.

Aprovação de requerimentos

Antes da oitiva o presidente da  CPI da Amazonas Energia, Sinésio Campos apresentou dois requerimentos propostos pelos deputados membros da CPI sobre a volta do Cadastro Único e a tarifa popular, além da convocação dos produtores independentes de energia que devem ser ouvidos nas próximas oitivas.

“São vários produtores independentes que atuam no interior, alguns com pedido de falência. Os proprietários dos produtores independentes, que são prestadores de serviços, terão que explicar o vínculo que tem com essa empresa”, afirmou.

Dermilson Chagas (Podemos) falou que, atualmente, o Amazonas tem 73 produtores independentes e sugeriu que eles devem explicar quanto investiram na estrutura do sistema elétrico. “Qual foi o investimento que eles fizeram e os geradores que compraram? Licença ambiental e qual combustível eles estão utilizando. A falta de investimento na energia tem causado deficiência no atendimento para a população e elas têm o licenciamento ambiental”, ressaltou.

 

 

Augusto Costa, para O Poder

Foto: Divulgação

Edição e Revisão: Alyne Araújo e Henderson Martins

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