fevereiro 3, 2026 13:10

Careca do INSS citava Lulinha ao tratar com parceiros comerciais, diz testemunha

Um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, afirmou à coluna que o empresário costumava esbanjar suposta relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao tratar com fornecedores e parceiros comerciais.

“Antonio falava abertamente sobre o filho do rapaz!!! Fábio Lula da Silva. Falava ‘filho’ e sinalizava mostrando a mão com 4 dedos… Falou o nome de Fábio Lula diversas vezes, a mim, a alguns parceiros comerciais, em reunião de diretoria”, detalhou o ex-funcionário, hoje considerado testemunha-chave da Polícia Federal no âmbito das investigações da Operação Sem Desconto, que apura a chamada Farra do INSS, cujo esquema foi revelado pelo Metrópoles.

Esta é a primeira entrevista dada pelo ex-funcionário do Careca do INSS à imprensa. A coluna esteve com a testemunha na última semana. Optou-se por preservar o nome dele em razão de supostas ameaças que o lobista teria feito em meados de junho de 2025.

Para além da conversa, o ex-funcionário enviou todas as respostas por escrito. O documento está reproduzido na íntegra ao fim desta reportagem.

Ainda em relação a Lulinha, a testemunha confirmou o depoimento que deu à Polícia Federal sobre suposta mesada que o Careca do INSS dava para o filho do presidente. “Antonio me disse que ele pagava uma mesada de 300 mil e que antecipou 25 milhões (não foi falado em que moeda) em função do Projeto Amazônia e Projeto Teste de Dengue. Antonio comentou que algumas vezes o encontrava em SP e DF”, escreveu o ex-funcionário.

Lulinha é citado como possível sócio oculto do Careca do INSS em negócios na área da saúde que seriam realizados junto ao governo federal. Uma dessas parcerias previa o fornecimento de cannabis em larga escala ao Ministério da Saúde.

Diálogos obtidos pela Polícia Federal entre o lobista e um outro funcionário revelam que o empresário mandou R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo da última fase da Operação Sem Desconto. Em uma dessas transferências, o Careca do INSS explicou, por mensagem de texto, que o dinheiro era para “o filho do rapaz”, possivelmente se referindo a Lulinha.

A amiga do filho do presidente Lula é apontada como o núcleo político do Careca do INSS. Mesmo após a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, ela manteve relações com o lobista, segundo a Polícia Federal.

A corporação também identificou, a partir de trocas de mensagens entre Roberta e o Careca do INSS, que ela avisou o empresário que a PF apreendeu um envelope “com nome do nosso amigo” e manifestou preocupação com a divulgação desse vínculo.

Conforme revelou a coluna, novas mensagens em posse da PF mostram que o Careca do INSS mandou entregar, em dezembro de 2024, um “medicamento” para o apartamento que Lulinha morava em São Paulo. A encomenda foi endereçada a Renata Moreira, esposa de Lulinha. Procurado à época, Fábio Luís declarou desconhecer o assunto e negou qualquer relação de proximidade com o lobista.

A coluna Andreza Matais, do Metrópoles, também mostrou que Lulinha e o Careca do INSS viajaram juntos de 1ª classe de Guarulhos (GRU) para Lisboa (LIS), no dia 8 de novembro de 2024.

Amiga de Lulinha fez lobby na Saúde ao lado do Careca do INSS

Conforme revelou a coluna, Roberta Luchsinger fez lobby no Ministério da Saúde com o Careca do INSS. Essa parceria também foi citada pela Polícia Federal ao solicitar ação contra a empresária.

Os dois estiveram juntos na pasta, no mesmo dia, e representando a mesma empresa. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que o lobista esteve cinco vezes no ministério. Em 2024, ele se apresentou três vezes como diretor de uma empresa de telemedicina. Em uma dessas idas, estava acompanhado de Roberta Luchsinger. Já em 2025, o Careca do INSS entrou no prédio do Ministério da Saúde duas vezes como presidente da World Cannabis, a sua empresa de maconha.

Em nota anterior, a defesa de Luchsinger alegou que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol e que as atividades “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. Ela também assegurou que não tem envolvimento na fraude do INSS.

 

Da Redação com informações de Metrópoles 

Foto: Divulgação

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