Renúncia de governadores e prefeitos para disputar novos cargos movimenta tabuleiro político em 2026

Com a proximidade do prazo final de desincompatibilização, marcado para 4 de abril, diversos gestores já anunciaram a saída de seus cargos com o objetivo de alçar voos maiores, seja na disputa por governos estaduais, pelo Senado ou até pela Presidência da República. Já outros preferem manter-se no cargo e garantir mais um período à frente da gestão do Estado ou do município.

Pela legislação eleitoral brasileira, governadores e prefeitos precisam renunciar ao mandato até seis meses antes do pleito. A regra tem impacto direto na estrutura política dos estados e municípios, já que a saída do titular transfere definitivamente o comando do Executivo ao vice-governador ou vice-prefeito.

Na Região Norte, onde a maioria dos governadores está no segundo mandato e não pode disputar reeleição, o tema ganhou destaque nas articulações políticas.

Disputa pelo Senado

Entre os governadores da região, alguns já são citados nos bastidores como possíveis candidatos ao Senado em 2026.

No Amazonas, o governador Wilson Lima (União Brasil) chegou a ser cogitado como possível candidato ao Senado, mas fez um anúncio oficial afirmando que não deixaria o cargo. Como ele está em seu segundo mandato, já não pode disputar a reeleição.

A decisão manteve o vice-governador Tadeu de Souza (PP) fora da linha de sucessão, embora Tadeu já tenha anunciado sua pré-candidatura ao governo disputando de forma direta com, o então aliado e que indicou para chapa de vice, David Almeida (Avante) que já é pré-candidato também.

Situação semelhante ocorre em Tocantins. O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) também já afirmou publicamente que vai concluir o mandato e não deve renunciar. Em Rondônia, Marcos Rocha (PSD) repete o movimento e também se mantém no posto até o fim da gestão.

Em Roraima, o governador Antonio Denarium (PP) já renunciou ao cargo no fim de março para disputar uma vaga no Senado. Mesmo enfrentando um processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível, ele já se apresenta como pré-candidato ao Legislativo federal. O vice-governador, Edilson Damião (REP), já assumiu o Estado e deve permanecer até o fim.

No Acre, Gladson Camelí(PP) deixou o governo no fim de março para concorrer ao Senado, a vice-governadora, Mailza Assis (PP), assumiu o comando.

Já no Amapá, o governador Clécio Luís (União Brasil) está no primeiro mandato e pode disputar a reeleição sem precisar deixar o cargo, já que a legislação permite que candidatos que buscam permanecer no mesmo cargo disputem a eleição mantendo-se na função.

Governadores de outros estados também irão disputar o senado: DF- Ibaneis Rocha (MDB), ES – Renato Casagrande(PSB), MT – Mauro Mendes (UB) e PB – João Azevêdo (PSD).

Do (quase) protagonismo para ser coadjuvante

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), chegou a ser cogitado como vice na chapa de reeleição do presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, perdeu força ao longo do caminho, e outros nomes surgiram com mais influência e articulação política.

Com isso, Barbalho renunciou o posto de governador para se candidatar ao Senado. Quem assumiu o seu lugar foi a vice, Hana Ghassan (MDB).

Sonho alto 

Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), são pré-candidatos à Presidência da República.

Êxodo dos prefeitos 

O movimento de renúncia para disputar cargos maiores também chegou as prefeituras. Prefeitos interessados em concorrer a governos estaduais, Senado ou cargos legislativos precisam deixar o cargo no mesmo prazo de desincompatibilização.

Na Região Norte, o principal caso até agora é o de David Almeida (Avante), que deixou a Prefeitura de Manaus para disputar o governo do Amazonas. Com a saída, o vice-prefeito Renato Júnior (Avante) assumiu o comando da capital amazonense

Os vices que se tornam prefeitos assumem um papel fundamental, pois passam a ter maior viabilidade administrativa, política e poder econômico que endossam o apoio ao seu aliado.

Movimento ocorre em todo o país

Mudanças semelhantes também ocorrem em outras regiões do Brasil. Alguns prefeitos de capitais já deixaram seus cargos para disputar governos estaduais

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) renunciou à prefeitura para disputar o governo do estado, e o vice Eduardo Cavaliere (PSD) assumiu o comando da cidade.

Em Recife, o prefeito João Campos (PSB) anunciou que deixará o cargo para disputar o governo de Pernambuco, abrindo espaço para o vice Victor Marques (PCdoB) assumir a prefeitura.

Na Paraíba, o prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB) também decidiu deixar o cargo para concorrer ao governo estadual. O vice-prefeito Leo Bezerra (PSB) assumiu a administração da capital.

Outras cidades também registraram mudanças. Em Vitória, no Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) renunciou para disputar o governo do estado, enquanto em Contagem (MG) a prefeita Marília Campos (PT) deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado.

Até o próximo dia 04 de abril, novas decisões podem ser anunciadas alterando o cenário político em todos o país.

Thaise Rocha, para o Portal O Poder
Foto: Reprodução

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