Perdas de aliados e conflitos internos fragilizam pré-candidatura de Maria do Carmo

A pré-campanha de Maria do Carmo Seffair ao Governo do Amazonas atravessa um momento de turbulência política. Em meio ao processo de construção de alianças para as eleições de 2026, a pré-candidata do Partido Liberal (PL) tem enfrentado sucessivas perdas de apoios e episódios de desgaste interno.

O episódio mais recente envolve Arnoud Lucas, uma das principais lideranças políticas de Itacoatiara, que estava cotado para disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026.  Segundo bastidores, ele não recebeu nenhum garantia do PL sobre sua candidatura e a orientação era para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa (Aleam).

Aliado de Joana Darc, Arnoud rejeitou a proposta e acabou aceitando convite para assumir um cargo na Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), no Governo do Amazonas.

Consequência na disputa eleitoral

A mudança de Arnoud representa uma baixa para o projeto eleitoral de Maria do Carmo. Próximo ao presidente da sigla no Amazonas, Alfredo Nascimento, a saída da liderança em Itacoatiara evidencia dificuldade em manter a legenda unificada no estado.

Em contrapartida, Roberto Cidade amplia sua influência no interior do estado, enquanto Maria do Carmo perde uma das poucas lideranças com musculatura eleitoral consolidada fora da capital.

Recado aos dissidentes 

A saída de Arnoud Lucas provocou reação imediata de Maria do Carmo. Horas após a repercussão da nomeação do ex-vereador para a Sejusc, a pré-candidata compartilhou em suas redes sociais uma nota divulgada pelo PL Amazonas.

No texto, Maria do Carmo demonstrou insatisfação com filiados que, segundo ela, estariam se aproximando de grupos adversários às vésperas das definições eleitorais e lembrou que o partido poderá adotar medidas internas contra integrantes que descumprirem as orientações da sigla.

“Tenho acompanhado com surpresa o comportamento recente de filiados do nosso partido que, a poucas semanas da definição das candidaturas, têm se aproximado de adversários e aceitado cargos em uma gestão à qual fazemos oposição”, afirmou.

 

Conflito expõe divisão interna

As divergências ganharam maior visibilidade após o embate público entre Maria do Carmo e o deputado estadual Delegado Péricles (PL).

A crise começou após uma reportagem publicada pela Rede Rios de Notícias, empresa ligada a Maria do Carmo e Wellington Lins, sobre a tramitação da PEC que autoriza o uso de recursos do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

Péricles reagiu por meio das redes sociais e acusou o veículo de divulgar informações falsas e produzir conteúdo tendencioso. A resposta veio em forma de nota oficial assinada por Maria do Carmo e Wellington Lins, que defenderam a reportagem e rebateram as acusações do parlamentar.

Outro sinal de desconforto interno veio do deputado estadual Cabo Maciel(PL). Em entrevista recente, o parlamentar afirmou que “política é feita de construção e não de imposição”, ao comentar o processo de definição dos apoios para a eleição de 2026. Embora permaneça filiado ao PL, Cabo Maciel afirmou que ainda dialogará com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e com o presidente estadual, Alfredo Nascimento, antes de definir seu posicionamento político.

Nos bastidores, o deputado é frequentemente apontado como uma liderança que mantém boa relação institucional com o governador Roberto Cidade, o que aumenta as especulações sobre seus próximos passos.

Com a convenção partidária marcada para agosto, o desafio da legenda será demonstrar capacidade de recompor alianças internas, evitar novas baixas e consolidar um grupo político capaz de sustentar uma candidatura competitiva ao Governo do Amazonas.

 

Da Redação
Foto: Reprodução/Redes Sociais

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