O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 16, que a sociedade brasileira não pode ficar “assistindo denuncismo” diariamente sem que haja conclusão das apurações envolvendo a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula defendeu a investigação das denúncias, disse que ninguém está acima da lei e avaliou que o debate ocorrido na Corte nesta terça-feira, 15, “não é correto”.
Segundo ele, o presidente do STF, Edson Fachin, precisa atuar para não permitir que a crise no Supremo atrapalhe as eleições — previstas para começarem daqui a 18 dias.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, enquanto o segundo turno para 25 de outubro.
As declarações foram dadas um dia após a sessão do STF que analisava se deve ou não ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino antes de a Corte entrar no mérito do caso.
Segundo Lula, é necessário esclarecer as denúncias que vieram à tona nos últimos dias para preservar a credibilidade do Supremo.
“A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada. Ela é a instância máxima de poder nesse país. Quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar a decisão da Suprema Corte”, afirmou.
O presidente voltou a defender que todos os envolvidos tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência, mas disse que eventuais irregularidades precisam ser investigadas.
“É importante que se apure, que dê direito de defesa às pessoas. A presunção de inocência tem que ser garantida a todo mundo, mas é preciso apurar.”
Lula afirmou ainda que “ninguém está acima da lei”, incluindo integrantes do próprio Judiciário. “Ninguém está acima da lei, nem eu, nem o Fachin, nem ministro da Suprema Corte.”
As falas foram dadas em entrevista ao podcast ‘Desce a Letra Show”.
‘Denuncismo’
Ao comentar a sucessão de acusações envolvendo integrantes do Judiciário, o presidente disse que a população acompanha as denúncias sem respostas definitivas.
“O que não dá é para a sociedade ficar assistindo esse denuncismo. Fulano pegou não sei quantos milhões, fulano recebeu não sei quantos milhões, e a sociedade está ouvindo tudo isso todo santo dia.”
Na avaliação do presidente, o STF precisa conduzir o processo para impedir que a crise tenha impactos sobre a disputa eleitoral.
“O [Edson] Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral.”
A declaração ocorreu quase uma semana depois de Lula ter elogiado medidas adotadas por Edson Fachin para tentar conter a crise no Supremo.
Em 10 de setembro, durante uma entrevista, o presidente afirmou estar “satisfeito” com as decisões tomadas pelo chefe da Corte e disse esperar que ele fizesse “mais coisa” para “colocar ordem na casa” e recuperar a credibilidade do tribunal.
Na ocasião, Lula também defendeu a apuração das denúncias envolvendo ministros do STF e afirmou que eventuais responsáveis deveriam ser punidos, independentemente de seus cargos.
Da Redação com informações de G1

