O Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio de procedimento preparatório, busca averiguar supostas irregularidades na aplicação de verbas públicas pela prefeitura de Urucurituba nas edições de 2025 e 2026 do evento evangélico “Marcha para Jesus”.
A investigação busca entender a compatibilidade dos valores pagos com os preços do mercado e a justificativa das contratações.
Segundo o procedimento apresentado pelo MP, houve contratações diretas por meio de inexigibilidade de licitação para o evento de 2025, totalizando o valor de R$ 365 mil. A banda Morada recebeu o valor de R$ 280 mil, e o cantor Roberto Marinho e a banda, com o pastor Marco Feliciano, receberam R$ 85 mil do total.
É investigado também o uso das verbas utilizadas na estrutura do evento, como palco, som e iluminação, informada como apoio de um deputado estadual. Deve ser avaliada a origem desses recursos e o risco de promoção pessoal de agentes públicos ou políticos em material de divulgação.
Máfia do combustível
Em Urucurituba, o MPAM converteu uma notícia de fato em inquérito civil para apurar suposto esquema de fraudes licitatórias, desvio de verbas e lavagem de dinheiro na aquisição de combustível pela prefeitura de Urucurituba no ano de 2023.
O grupo foi denominado como “Máfia do Combustível”, após denúncias de utilização da máquina pública para emissão de notas fiscais de combustível que não foram entregues. O valor dos gastos soma aproximadamente R$ 900 mil apenas em abril de 2023.
Ao todo, quatro empresas são apontadas como beneficiárias no suposto esquema: Pontão Leiliane Com de Comb Lubrificantes Ltda, Auto Posto Sophia Ltda, On Campos de Azevedo e Josenias Castro de Souza e Companhia.
Foi solicitado ao Núcleo de Apoio Técnico do MPAM que cruze o histórico de consumo real de combustível das secretarias com os valores faturados pelas empresas. A prefeitura foi intimada e deve apresentar documentos contendo as licitações, contratos e ordens de pagamentos relacionados à frota de todos os veículos e embarcações utilizados pela prefeitura de Urucurituba.
As diligências nos dois casos foram publicadas por meio do Diário Oficial do MPAM desta quarta-feira, 16. A promotora de Justiça responsável por ambos foi Maria Cynara Rodrigues Cavalcante.
Ludmila Dias, para o Portal O Poder

