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OAB quer que advogados tenham direito de andar armados

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A Ordem dos Advogados do Brasil quer que advogados tenham direito de portar armas no país. Representantes da entidade devem começar a fazer articulações em Brasília (DF) em torno do assunto. A OAB representa mais de 1,3 milhão de profissionais.

De acordo com a instituição, o porte para advogados “garantirá igualdade entre as funções da Justiça”. “Enquanto Ministério Público e juízes tiverem porte, advogados também devem ter”, defende Beto Simonetti, chefe da entidade, à coluna Radar.

O jurista Pedro Serrano criticou a proposta. “O mundo anda torto mesmo. Totalmente insensato, se aprovado só vai trazer problemas”, afirmou o estudioso na rede social X.

Segundo o jurista, defensores do projeto afirmaram que juízes e promotores têm porte de arma e, por consequência, advogados também deveria ter.

“Vamos andar armados pra trocar tiros com eles? A Ordem tem coisas muito mais relevantes e consistentes para se preocupar. Como regra geral, salvo exceções, apenas Polícias e forças armadas devem portar armas”.

Mais riscos

De acordo com Beto Simonetti, presidente nacional da OAB, em entrevista à coluna “Radar”, da revista “Veja”, “enquanto Ministério Público e juízes tiverem porte [de arma], advogados também devem ter”.

Por vezes, é fato, os advogados correm mais riscos do que promotores e juízes — que, em geral, trabalham em locais fixos e protegidos por vigilância. Os advogados têm de circular pelas ruas das cidades — expondo-se a variados perigos.

O líder da OAB enfatiza que o porte de armas para advogados “garantirá igualdade entre as funções da Justiça”.

Se a tese da OAB for aprovada, cerca de 1,3 milhão de advogados brasileiros “poderão andar armados”, frisa a “Veja”.

 

 

De agências

A busca de equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável na BR-319 e Potássio de Autazes

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A repavimentação da BR-319 e a exploração de potássio no Amazonas são alvos frequentes de Organizações Não Governamentais (ONGs) que travam o desenvolvimento na Amazônia, sob a alegada bandeira da proteção ambiental. Por meio de estudos e manifestações, ONGs e pesquisadores buscam influenciar as decisões do governo, atrasando e, até mesmo, impedindo o andamento das obras.

Em um dos casos, artigo divulgado por ONGs afirma que o custo do carbono liberado pelo desmatamento estimado pela repavimentação da rodovia BR-319 seria maior que o seu custo fiscal, mas sem apresentar um número específico. O valor mais recente que veio a público estima o custo da recuperação da estrada em R$ 1,4 bilhão.

A BR-319 deveria ser a principal ligação entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO), mas está muito deteriorada. Sua repavimentação é alvo de críticas de ONGs e pesquisadores devido aos possíveis impactos ambientais. ONGs – como a Transparência Internacional e o Observatório BR-319 – estão entre as principais opositoras dessa obra. Para elas, o custo ambiental supera os benefícios econômicos e sociais.

O projeto da BR-319 não tem previsão para sair do papel. A pressão contrária ao empreendimento, exercida por ONGs ambientalistas e indígenas, reforça as ações judiciais, algumas ajuizadas pelo Ministério Público, na Justiça Federal e no Supremo Tribunal Federal (STF), as quais travam o avanço do projeto. As principais críticas se concentram nos impactos ambientais e na suposta violação de terras indígenas, particularmente em relação ao Parque Nacional do Jamanxim (PA). A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) tem liderado manifestações contra o projeto. A questão está atualmente sob análise do STF e aguarda a conclusão de estudos adicionais. O Ministério dos Transportes, no entanto, incluiu o projeto no Novo PAC para aprofundar os estudos e fortalecer o diálogo com as comunidades afetadas.

A exploração de potássio em Autazes (AM) também enfrenta desafios semelhantes devido a questões ambientais e indígenas. Descoberta em 2009, a jazida de potássio ainda não foi plenamente explorada devido a entraves legais e batalhas jurídicas envolvendo a empresa Potássio do Brasil e as comunidades indígenas locais. Hoje, o Brasil tem dependência na importação de mais de 90% do potássio que é utilizado como fertilizante na agricultura. Com a mineração em Autazes, a perspectiva é de que pelo menos 20% da dependência internacional seria suprida. Além disso, há poucos fornecedores no mercado internacional, o que faz com que a disponibilidade do fertilizante se torne instável. A guerra na Ucrânia, por exemplo, afetou o abastecimento no Brasil e fez com que o setor do agro corresse risco de desabastecimento.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Ministério Público Federal (MPF) estão entre os principais opositores da exploração de potássio, preocupados com os danos ambientais e com os povos indígenas Mura. Embora a empresa tenha obtido recentemente licenças de instalação, a controvérsia continua, com reivindicações de que a área de exploração afeta territórios indígenas ainda não demarcados.

Obras na BR-319: estudos de ONGs apontam empecilhos ambientais 

As ONGs apontam que a obra na BR-319 pode aumentar significativamente o desmatamento na Amazônia e afetar terras indígenas. Além das preocupações ambientais, a falta de transparência no processo de licenciamento também é destacada. A obra, que teve andamento durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi paralisada sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A BR-319 é a rodovia que liga a capital do Amazonas, Manaus, à capital de Rondônia, Porto Velho, e tem quase 900 quilômetros de extensão. A obra foi inaugurada nos anos 70, mas não recebeu a manutenção adequada. Com a deterioração, hoje cerca de 400 quilômetros no chamado “trecho do meio” da rodovia ficam intrafegáveis durante o período de chuvas.

Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a repavimentação do “trecho do meio” voltou a ter andamento, com a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), em junho de 2021. Na época, a estimativa do governo federal era de que o custo total das obras seria de cerca de R$ 1,4 bilhão, incluindo os custos com projetos de engenharia, execução da obra, estudos ambientais e as compensações ambientais pela realização do empreendimento.

No entanto, com o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as obras da BR-319 foram paralisadas. ONGs e pesquisadores reforçaram a divulgação de estudos sobre os seus possíveis impactos. Ainda assim, houve sinalizações de avanços. Um grupo de trabalho foi criado pelo Ministério dos Transportes para debater a obra. O relatório produzido pelo grupo foi concluído no final de fevereiro, no entanto, desde então não foi divulgado. Oficialmente, o ministério afirma apenas que o documento está em “análise interna” e que os detalhes serão amplamente divulgados, sem apontar uma data para isso.

A Transparência Internacional é uma das ONGs que tem manifestado preocupação com a obra da BR-319. Em resposta à Gazeta do Povo, a ONG disse que “pesquisas indicam que o desmatamento pode até quadruplicar com a repavimentação”. Além da questão ambiental, uma nota técnica da ONG, publicada por meio do Observatório BR-319, no último mês de abril, demonstrou baixos níveis de transparência em quase todas as fases da contratação dos processos vigentes para a rodovia.

A Transparência Internacional é uma das ONGs que faz parte do “Observatório da BR-319″, que consiste em uma rede de ONGs que atuam na região da rodovia. O Greenpeace e a WWF, por exemplo, fazem parte dessa rede, que tem como principal apoiadora a Fundação Moore.

No site da Fundação, é possível verificar repasses feitos para projetos que envolvem a BR-319. São pelo menos U$S 6,4 milhões (R$ 33,2 milhões) repassados para a Fundação Getúlio Vargas com o “objetivo de reduzir os impactos sociais e ambientais negativos de longo prazo associados com o desenvolvimento”.

O site do Observatório divulga ainda uma série de estudos que mencionam a BR-319 como “rodovia do desmatamento” e apontam riscos ambientais e aos indígenas com a repavimentação. Além disso, dentre os estudos divulgados sob o pretexto de “desenvolver um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia brasileira”, há a publicação de artigos como o que fala sobre a acessibilidade na Amazônia Legal. No texto, apesar de admitir o isolamento da região causado pela precariedade das rodovias, ferrovias e hidrovias da região, o estudo aponta que o “custo do carbono liberado pelo desmatamento” seria maior do que o “custo fiscal de implementação dos projetos”.

A Gazeta do Povo buscou contato com o Observatório da BR-319 para ter um posicionamento sobre a rodovia, mas a entidade disse que não poderia atender à demanda apresentada.

A importância da recuperação da trafegabilidade da rodovia já é objeto de projeto de lei que tramita no Congresso Nacional. Também são recorrentes as cobranças de parlamentares da região. No projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, os deputados-autores do texto destacam que a pavimentação da rodovia é indispensável e que, portanto, pode passar por um procedimento de licenciamento ambiental simplificado ou por adesão e compromisso.

O deputado Sidney Leite (PSD-AM), que é um dos coautores do projeto, avalia que o licenciamento ambiental da obra não avançou até hoje por um “ingrediente ideológico”. Ele ressalta que a rodovia vai tirar do isolamento moradores de Roraima, Amazonas e Rondônia. “Como garantir a conservação da floresta com miséria, fome, pobreza e abandono?”, questionou. “Não estamos pedindo cinco estradas, estamos pedindo uma estrada para tirar do isolamento a população”, disse.

O projeto de lei sobre a BR-319 agora aguarda a análise no Senado. Um dos defensores da proposta na Casa é o senador Plínio Valério (PSDB-AM). Ele afirma que é importante finalizar o asfalto da rodovia, pois essa é a principal ligação terrestre entre o Amazonas e o resto do país.

O Observatório BR-319 se manifestou sobre a aprovação e “recomendou” a revisão do PL pelo Senado Federal. Para as ONGs, é preciso que o texto incorpore “salvaguardas socioambientais robustas, capazes de garantir um processo adequado de licenciamento ambiental, considerando abordagens alternativas para o desenvolvimento regional com sustentabilidade socioambiental”, diz a nota da rede de ONGs.

Empresa privada enfrenta batalha jurídica para explorar fertilizantes essenciais

Após uma série de estudos e longas batalhas jurídicas, em 8 abril de 2024, a empresa Potássio do Brasil conseguiu obter licenças de instalação por meio do órgão ambiental do estado, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Tido como um mineral estratégico para o Brasil, o potássio descoberto em Autazes está em uma das maiores reservas do mundo, com cerca de 170 milhões de toneladas de cloreto de potássio, conforme aponta a pesquisa mineral realizada pela Potássio do Brasil. “Essa reserva apresenta um potencial significativo de expansão, podendo atender até 50% do consumo brasileiro até o ano de 2030”, afirma a empresa.

No entanto, indígenas – apoiados por ONGs, tais como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – têm se posicionado contra o empreendimento. Em ato público realizado no dia 19 de abril, em Manaus, indígenas levaram faixas e cartazes para expressar a oposição à mineração. Notas de repúdio contra a exploração também foram apresentadas. “Também repudiamos as atitudes dos Governos Estadual e Federal que defendem a exploração mineral, sem considerar os danos ambientais ao território Mura e à vida do povo”, disse o Cimi em nota publicada após a liberação da licença.

A pressão sobre o empreendimento é reforçada pela atuação do Ministério Público Federal (MPF) que, por meio de ações cíveis, questiona a legitimidade e, mais recentemente, a boa-fé do licenciamento feito pelo Ipaam, bem como o atendimento às reivindicações dos indígenas pela empresa responsável pelo empreendimento.

Indígenas do povo Mura reivindicam áreas próximas ao empreendimento, no entanto, na prática, ainda não há o reconhecimento da demarcação das terras. Um Grupo Técnico (GT) para a delimitação do território, primeiro passo no processo de demarcação, só foi criado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2023.

A empresa afirma que não há sobreposição de sua área de exploração com terras indígenas e que realizou consultas aos povos na região para obter o seu consentimento, tendo obtido a maioria dos apoios.

Além disso, a empresa aponta que levará desenvolvimento para a região. “Nessa primeira fase de implementação do complexo do Projeto Potássio Autazes, com duração prevista de 4 anos e meio, a estimativa é gerar de 2,6 mil empregos diretos a 4,2 mil no pico da obra nos próximos quatro anos, além de outros 16 mil empregos indiretos”, diz a Potássio do Brasil.

Consequências da falta de andamento das obras

Políticos e a parte da sociedade que é favorável às obras de infraestrutura apontam que os atrasos nos projetos mantêm a população da Amazônia isolada, inviabilizando o escoamento da produção ou mesmo o seu deslocamento.

Quando o assunto é a mineração, como é o caso do potássio, tanto a dependência do país na importação do componente essencial para a agricultura, como a geração de emprego e renda são afetadas.

Os gargalos no atraso das obras de desenvolvimento da região amazônica são evidenciados ainda quando o assunto abrange questões de soberania nacional. Após as ameaças de guerra entre a Venezuela e a Guiana, o Exército brasileiro teve dificuldades de aumentar a sua presença na região de fronteira com os países que ameaçam conflito. O transporte de armamento e pessoal foi afetado pela inexistência de ferrovias e pelas péssimas condições da única rodovia que liga o Amazonas aos demais estados do país.

 

 

Com informações da Gazeta do Povo

Imagem: Divulgação

TCE-AM proíbe festa de aniversário de prefeito em Envira

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O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) frustrou os planos de mais um prefeito do interior. Dessa vez, foi o de Envira (a 1.206 quilômetros de Manaus), Ruam Matos.

O gestor iria realizar o Quadrifest. O evento teria valor acima de R$ 300 mil e ainda seria uma comemoração do aniversário de Matos.

No entanto, conforme o Tribunal, o município não tem saúde fiscal, menos ainda para festejar o aniversário do prefeito em pleno ano de eleições municipais.

A Câmara Municipal de Envira já havia feito pedido de Medida Cautelar contra a festa.

 

 

Da Redação

Aeroportos de Tabatinga e Tefé terão balizamento noturno alimentado por energia solar

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Os aeroportos de Tabatinga e Tefé, localizados no interior do Amazonas e administrados pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, parte da rede VINCI Airports, implementarão tecnologias de energia solar em suas operações.

Esses aeroportos da região amazônica estão adotando um sistema de balizamento noturno alimentado por energia solar. A iniciativa visa melhorar a segurança das operações aeroportuárias durante a noite e contribuir para a redução do consumo de energia elétrica.

De acordo com a Concessionária, o novo sistema de balizamento noturno substituirá o sistema convencional atual em toda a área de movimentação de aeronaves nos aeroportos de Tabatinga e Tefé. Esse sistema consiste em luminárias de LED autônomas, alimentadas por baterias recarregadas por energia solar e controladas por um sistema Wi-Fi, eliminando a necessidade de um circuito elétrico convencional. A utilização deste sistema possui autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e está em fase de instalação.

A Diretora-Presidente da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, Karen Strougo, destaca: “Nosso compromisso com a região inclui a adoção de práticas sustentáveis e responsáveis em todas as nossas operações. Implementar aqui na Amazônia uma tecnologia que reflete nosso cuidado com o meio ambiente é motivo de muito orgulho e mostra que estamos no caminho certo para tornar nossas operações ainda mais sustentáveis”.

Nos dois aeroportos, serão instaladas 200 luminárias de balizamento, distribuídas ao longo da pista e taxiway, proporcionando uma iluminação eficiente e segura durante as operações noturnas.

Além dos benefícios ambientais, a implementação dessas tecnologias também traz benefícios econômicos significativos, como a redução dos custos operacionais a longo prazo e a mitigação dos riscos associados à volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis.

Da Redação com informações de AeroIn

Foto: Divulgação

Construção do parque Gigantes da Floresta será analisada pelo TCE-AM

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A construção do Parque dos Gigantes da Floresta, da Prefeitura de Manaus, entrou na mira do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM). Pelos próximos seis meses, a partir de segunda-feira, 3, a comissão de Acompanhamento Concomitante do Ajuste 022/2022 irá fazer a análise documental. No documento é ressaltado que trabalhos in loco serão feitos após essa etapa, mediante cronograma de vistorias.

O documento foi assinado na última terça-feira, 28, e designa servidores para fazerem parte desta comissão. Veja:

 

Priscila Rosas, para Portal O Poder 

Foto: Divulgação

AC: PF vê ‘trama absurda’ e pede ‘recalibragem’ de proibições a aliados de Cameli

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Depois de uma semana que o Superior Tribunal de Justiça colocou o governador do Acre Gladson Cameli (PP) no banco dos réus por corrupção, a Polícia Federal voltou a requerer à Corte a imposição de medidas cautelares a vários alvos da Operação Ptolomeu – investigação sobre suposto esquema de propinas instalado na cúpula do governo acreano.
Cameli virou réu no Superior Tribunal de Justiça no último dia 15. Ele nega enfaticamente ligação com o grupo investigado na Operação Ptolomeu – investigação sobre suposto esquema de propinas instalado na cúpula do governo acreano.

Em relatório de 172 páginas levado ao STJ, a PF aponta ‘elementos concretos que indicam possível reorganização’ da quadrilha que seria ligada a Cameli. Para os investigadores, o caso que levou à abertura de ação penal em que Cameli figura como um dos denunciados foi apenas o ‘início do esquema de malversação de recursos públicos inaugurado pelo governador’.

Os investigadores destacam a necessidade de não só prorrogar as cautelares diversas da prisão já fixadas pelo STJ, mas também ‘recalibrar’ o alcance dessas medidas considerando indícios de que os suspeitos de envolvimento com fraudes na gestão Cameli estão usando subterfúgios para contornar as proibições decretadas pela Corte.

A PF identificou um aliado de Cameli que foi afastado do cargo em uma autarquia estadual, mas fechou contrato milionário com o governo do Acre em fevereiro.

O relatório também dá ênfase a quadros próximos do chefe do Executivo que foram lotados como ‘comissionados’, a partir de janeiro de 2024, em uma espécie de gabinete fantasma na Assembleia Legislativa do Acre – esse grupo se teria ‘instalado’ no antigo gabinete do ex-deputado Eduardo Farias, que já deixou a Casa em 2015.

A Polícia Federal pontua que recentes relatórios da investigação não só confirmam as hipóteses sob apuração, mas ‘pintam um quadro dramático de risco à ordem pública acreana.

As empresas na mira da Operação Ptolomeu receberam, até a abertura da fase ostensiva das investigações, mais de R$ 270 milhões dos cofres públicos.

Os investigadores querem que o STJ renove medidas diversas da prisão: suspensão do exercício da função pública (31 investigados); suspensão do exercício de atividade de natureza econômica (15); proibição de acesso ou frequência a órgãos públicos estaduais (57); proibição de deixar o país (57).

A PF narra a ‘prática de atos contemporâneos’ por parte dos investigados e sustenta que o recebimento da denúncia contra Cameli ‘ratifica a presença de robustos elementos de autoria e materialidade’ de uma organização criminosa.

A ação penal aberta no último dia 15, na qual o governador é apontado como o principal envolvido, tem relação com o que a PF chama de ‘case Murano’, referência a uma empresa alvo da Ptolomeu, que, segundo a PF, recebeu R$ 18 milhões do Tesouro estadual.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República foi levada ao STJ em novembro de 2023. Os investigadores sustentam que o ‘case Murano’ representa, cronologicamente, ‘início do esquema de malversação de recursos públicos inaugurado pelo governador em benefício próprio e de sua família’.

Eles ressaltam que o esquema não se encerrou após o final da execução do contrato com a Murano e que diversas companhias substituíram a empresa na ‘engrenagem’ da organização criminosa sob suspeita.

Entre os novos achados da investigação a partir de buscas realizadas no âmbito da Ptolomeu com autorização da ministra Nancy Andrighi, do STJ. a Polícia Federal destaca ‘fato gravíssimo’ relacionado a um dos investigados, o ex-presidente do Departamento Nacional Estradas Rodagem (Deracre) Petrônio Antunes, que também é sócio de uma empresa alvo de duas outras frentes de apuração da operação – uma sobre supostos desvios na duplicação da AC-407 e outra sobre irregularidades na construção do contorno viário de Brasiléia, na fronteira do Acre com a Bolívia.

Segundo o relatório da PF, Petrônio Antunes – apontado como integrante do núcleo político da quadrilha investigada na Ptolomeu – era o chefe da autarquia responsável por dois dos maiores contratos de engenharia civil do Estado do Acre durante a gestão Cameli. O empresário foi beneficiado com um contrato milionário assinado com o Estado no dia 21 de fevereiro – posterior ao seu afastamento da autarquia.

Os investigadores destacam que Petrônio não tinha sido alvo de proibição de contratação com o poder público e aproveitou a brecha para contratar com o Estado do Acre – uma ‘avença que já nasceu com o alerta máximo de suspeita’, segundo a PF.

A corporação diz que o caso indica o uso de manobras para contornar as cautelares impostas pela ministra do STJ.

Nesse mesmo contexto, a PF destacou novas provas reunidas na Operação Ptolomeu sobre a suposta burla à cautelar de afastamento do Poder Executivo com a nomeação de diversos investigados em cargos comissionados da Assembleia Legislativa do Acre e do Tribunal de Contas do Estado.

A maioria das nomeações ocorreu em janeiro de 2024 e beneficiou aliados do governador que foram lotados em uma espécie de gabinete fantasma de um ex-deputado, Eduardo Farias, que encerrou seu mandato em 2015. Um investigado, tio de Cameli, teria salário de R$ 23 mil, de acordo com os investigadores.

“Utilizando-se de sua ampla base parlamentar, não é devaneio cogitar que o governador Gladson Cameli, réu na Ação Penal 1475/DF, tenha influenciado diversos deputados estaduais a nomearem investigados em seus gabinetes. Ademais, por qual razão um deputado estaria nomeando servidores que foram afastados de seus cargos na administração pública acreana por suspeitas de cometimento de graves crimes (corrupção, lavagem de capitais, organização criminosa, etc)?”, questiona a PF.

“É bastante evidente que a influência e poder do governador, que comanda orçamento bilionário e possui centenas de cargos para distribuir, pode interferir indiretamente nas nomeações junto à Assembleia Legislativa do Acre e outros órgãos, mesmo que o ato de provimento não seja por ele assinado”, segue o relatório.

‘Fiscalizador da própria empresa’

A PF assinala a proximidade de Petrônio e a família Cameli. De acordo com a PF, a empresa de engenharia do investigado foi responsável pela construção da mansão do governador em Rio Branco, ‘obra cercada de robustos indícios de ser financiada com dinheiro público desviado dos cofres públicos’.

Nos inquéritos que têm Petrônio na mira, a PF aponta indícios de superfaturamento e sobrepreço, além de suspeitas de ajuste prévio na licitação da obra. Em um caso, a PF cita ‘fato absurdo’: Petrônio, presidente do Deracre, ‘foi subcontratado pela empresa contratada pela própria autarquia que presidia (CZS Engenharia, titularizada pelo primo de Gladson), para prestar serviços no bojo do contrato 4.20.149A (anel viário de Brasiléia)’.

Ainda de acordo com os investigadores, a CZS teria pago mais de R$ 10 mil à empresa de Petrônio em razão da locação de caminhão basculante na obra do Anel Viário de Brasiléia.
“Ora, qual a isenção que Petrônio teria para fiscalizar a execução de serviços realizados pela sua própria empresa? É possível, ademais, que o documento seja mero engodo utilizado para o pagamento de vantagem indevida à Petrônio. De um modo ou de outro, a investigação revela trama absurda entre investigados, que justifica a prorrogação das cautelares”, insiste a PF.

COM A PALAVRA, O GOVERNADOR

O governador Gladson Cameli respeita a independência dos poderes e, portanto, não tem qualquer responsabilidade em nomeações da Assembleia Legislativa.

É importante esclarecer também que não cabe ao governo acompanhar a carreira de ex-servidores que deixam o Estado para ocupar funções em outras instituições ou na iniciativa privada.

COM A PALAVRA, A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ACRE

“A Assembleia Legislativa do Estado do Acre vem a público esclarecer o equívoco noticiado por alguns veículos de comunicação acerca de nomeações em unidade administrativa inexistente na atual legislatura, denominada erroneamente: “Gabinete do Ex-deputado Eduardo Farias”.

Em face ao exposto, é importante esclarecer que todas as nomeações ocorridas a partir de fevereiro de 2023 na Assembleia Legislativa do Estado do Acre, se deram em unidades administrativas e em gabinetes parlamentares que compõem a atual legislatura e devidamente cadastradas no sistema de gestão de pessoas desta Casa de leis e devidamente informadas à Receita Federal e ao e Social.

Todavia, no que concerne ao cadastramento das informações no Sistema de Controle de Atos de Pessoal – SICAP do Tribunal de Contas do Estado do Acre – TCE/AC, foi identificada uma falha na comunicação entre o sistema de gestão de pessoas desta Casa Legislativa e o Sistema do Tribunal de Contas do Estado do Acre, fazendo com que todas as informações enviadas pela ALEAC ao serem recepcionadas pelo SICAP, fossem enquadradas em unidade de lotação diversa da constante no sistema de gestão de pessoas deste Poder, criando uma divergência de dados entre os dois sistemas.

Em reunião na manhã de segunda-feira (27) entre as equipes técnicas da ALEAC e do TCE/AC, já foram identificadas as falhas e suas causas, bem como as medidas administrativas e técnicas para a solução do problema, medidas estas que já estão sendo adotadas.

Ao mesmo tempo a ALEAC se solidariza com ex- deputado Eduardo Farias, que teve o nome citado não por esta Casa de Leis, mas pela instituição que elaborou o relatório. A mesa diretora manifesta total apoio ao ex- parlamentar que desempenhou um brilhante mandato quando esteve no parlamento estadual.

A Assembleia Legislativa do Estado do Acre atua com transparência e autonomia, honrando sua histórica vocação de concretizar a Democracia. Razão pela qual, como Casa do Povo, coloca-se à disposição da sociedade e dos órgãos legalmente constituídos para qualquer esclarecimento necessário.”

COM A PALAVRA,O EMPRESÁRIO PETRÔNIO ANTUNES

Até a publicação deste texto, a reportagem do Estadão buscou contato com a defesa do empresário Petrônio Antunes, mas sem sucesso. O espaço está aberto para sua manifestação.

 

 

Da Redação, com informações do UOL

Ilustração: Neto Ribeiro

Mauro Campbell é relator em discussão de créditos de IPI no STJ

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A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, afetou os Recursos Especiais 1.976.618 e 1.995.220, de relatoria do ministro Mauro Campbell Marques, para julgamento pelo rito dos repetitivos.

A questão controvertida, cadastrada como Tema 1.247 na base de dados do STJ, é “a possibilidade de se estender o creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previsto no artigo 11 da Lei 9.779/1999, também para os produtos finais não tributados (NT), imunes, previstos no artigo 155, parágrafo 3º, da Constituição Federal de 1988”.

O colegiado decidiu suspender a tramitação de todos os processos sobre o mesmo assunto em primeira e segunda instâncias, e também no STJ.

O ministro Mauro Campbell destacou que o caráter repetitivo da matéria foi verificado a partir de pesquisa à base de jurisprudência do STJ, tendo a Comissão Gestora de Precedentes e de Ações Coletivas do tribunal identificado 91 acórdãos e 278 decisões monocráticas sobre o tema.

Segundo o relator, por se tratar de controvérsia que envolve interpretação de ato administrativo normativo geral e aplicação de procedimento padronizado adotado pela administração tributária federal para dar efetividade ao artigo 11 da Lei 9.779/1999, está demonstrada a multiplicidade efetiva ou potencial de processos com idêntica questão de direito.

De acordo com Campbell, é necessário “cortar o fluxo de processos que se destinam a este Superior Tribunal de Justiça referentes à matéria e até mesmo o fluxo interno de processos. Tal eficácia somente pode ser produzida no âmbito do recurso repetitivo”.

Recursos repetitivos

O Código de Processo Civil de 2015 regula, nos artigos 1.036 e seguintes, o julgamento por amostragem, mediante a seleção de recursos especiais que tenham controvérsias idênticas. Ao afetar um processo, ou seja, encaminhá-lo para julgamento sob o rito dos repetitivos, os ministros facilitam a solução de demandas que se repetem nos tribunais brasileiros.

A possibilidade de aplicar o mesmo entendimento jurídico a diversos processos gera economia de tempo e segurança jurídica. No site do STJ, é possível acessar todos os temas afetados, bem como conhecer a abrangência das decisões de sobrestamento e as teses jurídicas firmadas nos julgamentos, entre outras informações.

 

 

Com informações do STJ

TCE-AM irá fiscalizar programa de asfalto de Manaus

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O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), por intermédio da Portaria nº 135/2024-GP/SECEX/SDiplaf, vai fiscalizar a pavimentação do Programa Asfalta Manaus, que vem sendo realizado pela prefeitura. O órgão fiscalizador vai verificar as planilhas, licitação e os cronogramas de execução do programa, além de pedir detalhes das técnicas da execução do contrato, verificando a qualidade do asfalto, dimensão e a parte de cronograma e execução de obras.

O TCE-AM também vai acompanhar se a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) cumprirá o contrato de acordo como foi licitado.

 

 

Augusto Costa, para O Poder

Ilustração: Neto Ribeiro

MPAM investiga desmatamento nas margens do Tarumã

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O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou Inquérito Civil para apurar possível desmatamento e construção de muro em área próxima às margens do igarapé Tarumã-Açu. Serão feitas diligências investigatórias na área.

O órgão ministerial leva em consideração a Constituição da República, a qual determina que o meio ambiente é bem de uso comum do povo e que condutas lesivas podem resultar em sanções penais e administrativas. Além disso, o inquérito tem o objetivo de proteger o patrimônio público e social, o meio ambiente e interesses coletivos.

O promotor Carlos Sérgio Edwards de Freitas é o promotor responsável pelo caso.

 

 

Da Redação

Flavio Dino suspende lei no Amazonas

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (29) suspender a lei do Amazonas que proibiu a utilização de linguagem neutra nas escolas públicas e privadas, além de repartições públicas.

Dino atendeu ao pedido de suspensão requerido pela Aliança Nacional LGBTI+ e a Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (Abrafh). As entidades alegaram que a lei amazonense é inconstitucional por invadir a competência do Congresso Nacional para legislar sobre diretrizes e bases da educação.

Ao analisar a questão, o ministro deu razão aos peticionantes e entendeu que o estado não pode legislar sobre a matéria.

“Na ausência de legislação nacional acerca da linguagem neutra, estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade formal qualquer legislação estadual, distrital ou municipal que autorize ou vede sua utilização, como é o caso da legislação analisada nestes autos”, afirmou.

Flávio Dino também acrescentou que a língua portuguesa é “viva” e não é possível impor ou impedir mudanças sociais.

“Não há dúvida de que a língua é viva, sempre aberta a novas possibilidades, em diversos espaços e tempos, por isso não se descarta, evidentemente, a possibilidade de utilização da linguagem neutra”, completou.

Em outra decisão, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu na semana passada a lei de Ibirité (MG) que proibiu o ensino de linguagem neutra nas escolas públicas e privadas do município.

Moraes também entendeu que municípios não podem legislar sobre normas educacionais, conteúdos curriculares e metodologias de ensino. Para o ministro, somente o Congresso Nacional pode tratar da matéria.

 

Com informações da Agência Brasil. 

Foto: divulgação.