O comportamento dos deputados dos partidos PP e PRTB, na votação do arquivamento do processo de impeachment do governador Wilson Lima (PSC) e do vice, Carlos Almeida Filho (PTB), na última quinta-feira, 6, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), evidenciou uma fissura interna e divisão, que pode desencadear em rupturas no futuro.
O PP, que possui três representantes no Parlamento estadual e, integra a base governista, vivencia uma divisão, exposta nesta votação. Enquanto Belarmino Lins, o decano da casa e do partido, votava pelo arquivamento definitivo do processo de afastamento do governador, o deputado Álvaro Campelo – que até o primeiro semestre integrava a ala governista e a vice-liderança da sigla, votou contra o arquivamento e a continuidade do processo legislativo.
A terceira integrante do PP, a deputada Dra. Mayara, era a única dos 24 deputados ausente na votação. A reportagem procurou a parlamentar para saber o que motivou a sua ausência, mas ela não respondeu nem as mensagens via aplicativo de conversa nem atendeu as ligações telefônicas ao seu número de celular.
Ao longo de todo o primeiro semestre, a deputada oscilou o seu comportamento, ora apoiando o governo, ora se colocando como uma oposição tímida e, sem deixar claro se integrava a ala dos independentes, como assim externou o seu colega, Álvaro Campelo, mês passado quando assumiu sua postura independente.
Ao ser questionado pela reportagem sobre as atitudes “rebeldes” de Álvaro Campelo, Belarmino Lins não quis entrar em detalhes. “Pergunte dele qual a motivação que ele tem para adotar esse comportamento. Eu não posso responder por ele”, explicou.
Álvaro Campelo também não atendeu aos questionamentos do Portal O Poder.
Abstenção
O PRTB, que tem dois deputados na casa e se apresenta como o principal opositor do governo do Amazonas, votou rachado no arquivamento do impeachment.
Enquanto o presidente do partido e da casa legislativa, Josué Neto, se posicionou claramente pelo impeachment, Fausto Jr., que é membro e relator da CPI da Saúde e, até meados do primeiro semestre mantinha um discurso de oposição, preferiu se abster no momento da votação.
Mês passado surgiram rumores de que Fausto Jr. estaria se distanciando de Josué Neto, do discurso de oposição e atenuando seu tratamento para com o governo, o que foi negado pelos dois parlamentares.
“Dentro de um ambiente democrático, entendo com muita naturalidade. Abstenção é uma ferramenta legal em qualquer votação. Inclusive de foro íntimo”, justificou Josué a postura do colega de partido, ao ser questionado pela reportagem.
Procurado pelo O Poder, o deputado Fausto Júnior respondeu que se absteve na votação por entender que o processo de impeachment feito pela Aleam ficou prejudicado pela maneira como foi conduzido.
“Nós encaminhamos algumas solicitações e informações e o relatório acabou antes que essas informações chegassem até a comissão. O deputado Roberto Cidade também pediu e não deu tempo nem de apreciar essas informações. Diante disso eu prezo pela minha isenção. Se eu votasse ‘sim’ ou votasse ‘não’, eu entendi que qualquer um desses votos seriam prejudicados”, explicou.
Ele argumentou que preferiu se abster porque acreditou que o fato relacionado ao processo de impeachment não pôde ser julgado. “Não foi dado oportunidade do autor (da denúncia) se manifestar e nem a defesa. Então prefiro acreditar na decisão do STJ e na CPI da Saúde do que esse processo de impeachment que na minha opinião ficou prejudicado”, afirmou o parlamentar.
Augusto Costa, para O Poder
Foto: Montagem

