Recife está saturado com governos de esquerda, diz Mendonça Filho

O candidato do DEM à Prefeitura do Recife, Mendonça Filho, se diz confiante em conseguir quebrar o que ele chamou de “hegemonia de esquerda” na capital pernambucana. Para o ex-ministro de Michel Temer (MDB) a população da cidade está “saturada”.

A declaração foi dada durante sabatina do UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, transmitida hoje. A conversa foi conduzida pelos repórteres Carlos Madeiro e João Valadares.

O PT governou a cidade por 12 anos, seguido pelo PSB, do atual prefeito, Geraldo Júlio, que está há oito anos no poder.

Esta é a terceira vez que Mendonça Filho tenta o cargo de prefeito no município. De acordo com a pesquisa Datafolha mais recente, ele tem 16% das intenções de voto e está tecnicamente empatado em segundo lugar com a deputada federal do PT Marília Arraes (17%) —o deputado João Campos (PSB) lidera a disputa, com 26%.

Sobre as tentativas frustradas nas eleições passadas, Mendonça, que hoje procura associar seu nome ao do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirma que sua posição “foi muito mais de reafirmar o espaço do contraditório”. “Eu acho que é muito mais mérito meu, e capacidade de resistência dialética e política, do que propriamente demérito”, disse.

Ele também já foi deputado federal e governador de Pernambuco.

Educação e acesso à internet

O candidato do DEM afirma que a pandemia do novo coronavírus resultou em um ano perdido de educação para as crianças, principalmente da classe mais baixa. “Se a gente já tem uma distância entre a educação pública e a educação privada, numa época de pandemia isso se agrava”, disse Mendonça, que cita a ideia de beneficiar os estudantes das escolas públicas com internet paga pela Secretaria Municipal de Educação e com provedores de bairro para estimular o emprego.

Ex-chefe do Ministério da Educação entre 2016 e 2018, o democrata afirma defender a discussão para a volta às aulas, respeitando as condições sanitárias estabelecidas pelos órgãos oficiais de saúde. “Não me cabe como candidato nesse instante, sem os elementos técnicos, responder se o momento é agora, mas com certeza temos que acelerar a volta às aulas”, disse. Ele também afirmou ser a favor da escola em tempo integral no ensino fundamental.

Quando questionado sobre a possibilidade de implementação de escolas cívico-militares, o candidato diz não acreditar em uma ferramenta única e genérica, mas não descarta o formato, elogiado por Bolsonaro. “Se porventura tem uma área muito violenta, vulnerável, e a comunidade entende que essa é a solução, a gente vai implementar, sem preconceito.”

Relação com Bolsonaro

Sobre a relação com o presidente, Mendonça Filho afirma que vai pedir apoio do governo federal para ajudar “a retirar Recife do fundo do poço”, que essa é a sua posição política e que “não esconde isso de ninguém”.

Já em relação a um eventual apoio oficial de Bolsonaro durante a campanha eleitoral, Mendonça diz: “Como eu posso falar pelo presidente da República?”. Apesar disso, ele tem adotado como estratégia ser identificado pelos eleitores como o candidato do presidente na cidade.

Durante a convenção que oficializou seu nome, no mês passado, um dos jingles dizia que “Mendonça é Bolsonaro, Bolsonaro é Mendonça”. À época, o ex-ministro afirmou que a música não era oficial e que tinha sido executada após pedido de alguns eleitores.

No Datafolha, a intenção de voto em Mendonça sobe para 28% entre os eleitores que aprovam a gestão do presidente Bolsonaro —contra 20% de Campos, 12% da Delegada Patrícia e 10% de Marilia Arraes nessa parcela do eleitorado.

 

Da redação O PODER 

Fonte e Foto: UOL 

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