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PF quebra criptografia e acessa dados de celular de Vorcaro

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A PF (Polícia Federal) submeteu o celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a uma ferramenta de quebra de criptografia.

Os dados estão sendo compilados pela força policial para que sejam compartilhados em breve com o STF (Supremo Tribunal Federal) e com a PGR (Procuradoria-Geral da Repùblica).

Em depoimento, o banqueiro se recusou a fornecer a senha de um aparelho celular de última geração da linha iPhone.

Segundo relatos feitos à CNN, o aparelho celular também apresentava uma camada adicional de proteção.

Por isso, o dispositivo eletrônico foi acessado por meio da ferramenta da força policial, que tem a capacidade ainda de recuperar informações deletadas.

Recentemente, a Polícia Federal adquiriu novos softwares com o objetivo de quebrar criptografias avançadas de modelos novos de celulares.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deve liberar para a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS os dados extraídos do celular do dono do Banco Master.

Vorcaro deve, inclusive, prestar depoimento ao colegiado parlamentar no dia 19, após o feriado de carnaval. A defesa do banqueiro pretende limitar o escopo das respostas do empresário.

Além de irregularidades cometidas pelo Banco Master, a Polícia Federal apura se o banqueiro pressionou autoridades para evitar a liquidação da instituição financeira.

 

Da Redação com informações de CNN Brasil

Foto: Divulgação

Esquema interestadual em RO, PA e AM teria usado empresa fantasma para fraudar sistema do Ibama

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O Ministério Público Federal (MPF) deverá permanecer à frente da investigação que apura um suposto esquema criminoso envolvendo fraude no sistema Documento de Origem Florestal (DOF), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A decisão, publicada nesta sexta-feira, 6, foi tomada por unanimidade pelo colegiado responsável pela análise do caso, que rejeitou o pedido de declínio de atribuição para a esfera estadual.

O processo refere-se ao Inquérito Policial nº JF-AM-1012079-31.2020.4.01.3200, que investiga possíveis crimes ambientais e cibernéticos relacionados à inserção de dados falsos em sistemas federais, falsificação documental e invasão de dispositivo informático.

Ataque ao sistema federal

Segundo os autos, a apuração indica que houve uma violação ilegal da página oficial de consulta do DOF, com identificação de códigos maliciosos e backdoors (webshells) no servidor. A fraude teria permitido que documentos de origem florestal materialmente falsos fossem exibidos como válidos no sistema público.

As investigações apontam que a vulnerabilidade explorada representava uma falha grave de segurança no sistema DOF, administrado pelo Ibama. Esse elemento foi determinante para a conclusão de que há interesse direto da União por se tratar de uma autarquia federal, atraindo a competência da Justiça Federal e a atuação do MPF.

Organização criminosa

De acordo com informações técnicas anexadas ao inquérito, o modus operandi investigado envolve a atuação de uma organização criminosa com possível atuação em pelo menos três estados da região Norte: Amazonas, Pará e Rondônia.

O grupo teria utilizado empresas de fachada, entre elas a OGROGREEN Comércio de Madeira Eireli, para emitir documentos florestais falsos após o suposto hackeamento do sistema. Esses registros seriam usados para acobertar o transporte e a comercialização de produtos florestais extraídos ilegalmente, possivelmente na Amazônia paraense.

Diferença em relação a casos anteriores

O relator do caso, procurador regional da República Paulo Vasconcelos Jacobina, destacou que o cenário investigado vai além de casos comuns de falsidade ideológica envolvendo DOFs. Segundo o entendimento apresentado no voto vencedor, há indícios de fraude sistêmica com ataque direto à integridade do sistema federal de controle ambiental.

Diante dos elementos apresentados, o colegiado deliberou, por unanimidade, pela não homologação do declínio de atribuições, mantendo a atuação do Ministério Público Federal na condução das investigações.

O inquérito segue em andamento e apura possíveis crimes previstos nos artigos 313-A (inserção de dados falsos em sistema de informações), 297 (falsificação de documento público), 299 (falsidade ideológica) e 154-A (invasão de dispositivo informático) do Código Penal.

 

Da Redação
Foto: Divulgação

Trânsito em Parintins vira alvo de investigação do MPAM após denúncias

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O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou Procedimento Administrativo após representação eletrônica anônima, denunciando grave desordem no trânsito de Parintins. Há alegações de que os condutores utilizam as motocicletas sem capacete e transportando múltiplos passageiros.

No relatório, apresentado em 2024, foram registrados 2.019 atendimentos por acidentes de trânsito, sendo 1.089 acidentes com lesão moderada, 211 com lesão grave e 4 vítimas fatais. De janeiro a agosto de 2025, foram contabilizados 1.385 atendimentos, sendo 994 acidentes com lesão moderada, 160 com lesão grave e 1 óbito. Ou seja, em oito meses houveram mais acidentes do que no ano anterior.

A predominância desses acidentes envolvem os condutores de motocicletas, impactando diretamente os números de internações e atendimentos em Parintins. Foi apontado que a condução sem capacete e veículos conduzidos por adolescentes são comuns no município.

O MPAM instaurou o Procedimento Administrativo para acompanhar e fiscalizar, pelo período de 12 meses, a política pública municipal de fiscalização de trânsito e segurança viária em Parintins.

Focando na prevenção e repressão às infrações de maior gravidade e risco, bem como na adoção de medidas intersetoriais de engenharia de tráfego, sinalização e iluminação em pontos críticos de acidentes. Foi determinado que seja realizado um levantamento para identificar os pontos mais críticos de acidentes no município e que haja um trabalho de infraestrutura por parte da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) para adotar medidas estruturais cabíveis.

O Departamento de Trânsito de Parintins (Detram/AM) deve encaminhar estáticas de autuação feitas no município, bem como as demais infrações de maior incidência. Deve enviar um cronograma de fiscalização/blitz realizadas e previstas, e indicação de cooperação/convênios operacionais com o município.

Ao Comando do 11º Batalhão da Polícia Militar em Parintins, foi solicitado a fiscalização de condução de veículos automotores por menores de idade, com adoção de medidas cabíveis, inclusive prisão em flagrante quando configurado crime praticado por maior imputável. Em caso de adolescentes, haverá apreensão por ato infracional e demais providências correlatas.

Os órgãos devem entregar os devidos registros nos prazos de 30 e 60 dias. A Promotora de Justiça responsável pelo caso é Marina Campos Maciel e atua na 3ª Promotoria de Justiça de Parintins. 

Confira o documento do MPAM:

 

Da Redação

Estudo revela que Roraima é o 2º pior em eficiência da máquina pública

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O estudo do Centro do Centro de Liderança Pública (CLP) de 2025 revelou que Roraima é o 2º pior estado no Ranking de Competitividade quando o assunto é eficiência da máquina pública. A entidade divulgou o resultado da pesquisa nesta quinta-feira, 5.

Para chegar ao resultado, o CLP considerou dimensões como controle de gastos e gestão de pessoal, meritocracia, assim como qualidade da democracia. Revelando, assim, os desafios para tornar os governos mais eficientes e capazes de responder às demandas da sociedade.

“O pilar de eficiência da Máquina Pública do Ranking de Competitividade mostra que criar mecanismos de incentivos para a construção do bom governo é essencial. A melhoria da eficiência do aparato governamental é condição central para reforçar a legitimidade das instituições democráticas, fator fundamental para impulsionar o desenvolvimento”, divulgou o CLP.

Roraima fica à frente apenas do Estado do Amapá, que está na 27ª posição. Em 1º lugar está Rio Grande do Sul, seguido de São Paulo (2º) e Paraná (3º).

 

Com informações de Roraima em Tempo

Justiça Eleitoral determina saída de mais da metade dos vereadores de Manaquiri após cassação

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Seis vereadores do município de Manaquiri que tiveram os mandatos cassados após decisão por fraude à cota de gênero nas eleições de 2024 deverão se afastar das funções legislativas. A informação foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). O TRE afirmou ainda que a recontagem e redistribuição dos votos válidos deve ocorrer nos próximos dias para definição dos novos ocupantes das cadeiras.

O número de vereadores cassados corresponde a mais da metade da Câmara Municipal de Manaquiri, que conta com onze parlamentares. A decisão atinge eleitos pelo PSD e pelo PL, depois que a Justiça Eleitoral reconheceu que os partidos registraram candidaturas femininas fictícias, apenas para cumprir o mínimo de 30% exigido pela legislação.

Tiveram os mandatos cassados: Bruno da Nonata (PSD), Janderli Carvalho (PSD), Érica Freitas (PSD), João Moura (PL), Gesse Ventura (PL) e Valdemar Bandeira (PL).

De acordo com o TRE-AM, os seis vereadores estão oficialmente cassados após não apresentarem recursos dentro do prazo, encerrado na segunda-feira, 2, e devem interromper suas atividades a partir da comunicação formal do Juízo Eleitoral ao presidente da Câmara Municipal.

O recálculo do quociente eleitoral e a redistribuição dos votos válidos serão realizados de forma automática pelo sistema da Justiça Eleitoral, o SISTOT, que indicará quem são os novos eleitos.

O Juízo Eleitoral publicará edital informando a data do recálculo, para que partidos, candidatos e demais interessados, possam acompanhar e fiscalizar o ato. Após essa etapa, será gerado um novo relatório com o resultado das eleições, possibilitando a diplomação dos novos eleitos, que será conduzida pelo juiz eleitoral responsável.

Vereadores seguem trabalhando

Durante a abertura do ano legislativo, na terça-feira, 3, os seis vereadores cassados compareceram à sessão normalmente e usaram a tribuna da Câmara Municipal para se defender.

Nos discursos, o tom foi marcado por referências religiosas e os vereadores cassados foram tratados como “injustiçados”. A solenidade também contou com a presença de autoridades locais.

“Nós fomos prejudicados por cota de gênero. Não foi por questões de desvio de dinheiro público nem roubo. Foi questão do partido. Então, nós fomos afetados, prejudicados nesse processo”, disse o presidente da Câmara, Valdemar Bandeira (PL).

A defesa dos partidos informou que apresentaria os recursos até a última quarta-feira, 4. A data é dois dias após o fim do prazo informado pelo TRE-AM.

 

Da Redação, com informações do G1
Foto: Divulgação 

PF diz que foram encontradas alterações neurológicas em exame de Bolsonaro

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Em laudo médico divulgado nesta sexta-feira, 6, a PF (Polícia Federal) afirmou, que foram encontradas alterações neurológicas em exames do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha, em Brasília.

“O histórico de queda recente e desequilíbrio ao deambular direcionou a perícia para um exame neurológico cuidadoso. Dessa forma, foram encontradas alterações neurológicas no exame físico e aventadas hipóteses relacionadas com as demais informações coletadas do caso”, diz a PF.

Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve no início deste ano ao cair durante a madrugada e bater a cabeça em um móvel na sua cela, quando ainda cumpria pena na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília.

“Há possibilidade de déficit de micronutrientes, especificamente hipovitaminose do complexo B (principalmente vitamina B12 e ácido fólico), haja vista a idade, DRGE com uso crônico de inibidor da bomba de prótons e constatação de uma dieta pouco variada e pobre em frutas, verduras, legumes, laticínios, ovos e outras proteínas” continuou a PF.

“Outra hipótese é a interação medicamentosa, haja vista o periciado fazer uso de diversos fármacos, condição chamada de polifarmácia e que é fator extrínseco reconhecido para o aumento do risco de eventos adversos”, prosseguiu.

A corporação ainda afirmou que “o uso concomitante especialmente de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria, portanto, um cenário farmacológico de risco, no qual os possíveis efeitos adversos — sedação, letargia, tontura, lentificação psicomotora e hipotensão postural — apresentam relação com o risco de queda”.

O documento da PF constatou que o ex-presidente tem recebido tratamento médico adequado na Papudinha, onde cumpre pena desde 15 de janeiro. Com o resultado, as chances de Bolsonaro ser transferido para uma prisão domiciliar fica mais distante.

Manifestação sobre o laudo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestem, em até cinco dias, a respeito do laudo médico realizado pela PF no ex-presidente. Na manifestação, ambos também podem pedir complementações.

No despacho, ele diz ainda que não há “qualquer necessidade de manutenção do sigilo da documentação juntada pela Polícia Federal”.

 

Da Redação com informações de CNN Brasil 

Foto: Divulgação

 

TCU julga irregulares contas e manda ex-prefeito de Atalaia do Norte devolver recursos federais

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O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o ex-prefeito de  Atalaia do Norte, Nonato Tenazor, por irregularidades no uso de recursos federais destinados à construção de um Centro de Esporte e Lazer no município. A decisão consta no Acórdão nº 38/2026, proferido pela 1ª Câmara da Corte, que foi publicado no Diário Oficial da União dessa quinta-feira, 5.

A tomada de contas especial foi instaurada pela Caixa Econômica Federal, que atuou como mandatária do Ministério do Esporte, após a não comprovação da regular aplicação de valores repassados por meio do Contrato de Repasse Siafi 800068.

Segundo o relator do processo, ministro-substituto Augusto Sherman Cavalcanti, Nonato foi considerado revel no processo, ou seja, não apresentou defesa dentro do prazo legal.

Diante disso, os ministros decidiram julgar irregulares as contas e determinar a devolução dos valores considerados indevidamente aplicados ou não comprovados, que somam diferentes ocorrências registradas entre os anos de 2017 e 2019.

Entre os montantes apontados estão:

  • R$ 51.542,08 (janeiro de 2017);
  • R$ 149.109,92 (dezembro de 2017);
  • R$ 76,36 (novembro de 2018);
  • R$ 4.513,13 (outubro de 2019).

Os valores deverão ser atualizados monetariamente e acrescidos de juros até a data do pagamento.

Multa e cobrança judicial

Além da obrigação de ressarcimento ao Tesouro Nacional, o TCU aplicou multa de R$ 30 mil ao ex-prefeito. Ele terá prazo de 15 dias, a contar da notificação, para comprovar o recolhimento das quantias.

Caso a decisão não seja cumprida, o tribunal autorizou desde já a cobrança judicial das dívidas.

Como parte das medidas adotadas, o TCU determinou o envio de cópia do acórdão à Procuradoria da República no Amazonas para avaliação da adoção de medidas civis e penais que considerar cabíveis.

Histórico

Nonato Tenazor foi prefeito de Atalaia do Norte em mandatos anteriores, incluindo o período de 2017 a 2020, e já enfrentou investigações relacionadas à gestão pública.

Em agosto de 2025, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) determinou que o ex-prefeito devolvesse R$ 2,7 milhões aos cofres públicos após auditoria referente ao exercício de 2018. A decisão também aplicou multa em razão de irregularidades comprovadas na administração de recursos durante sua gestão.

 

Da Redação 
Foto: Divulgação 

Previdência do Amapá é alvo de operações da PF por investimentos no Master

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Na manhã desta sexta-feira, 6, a Polícia Federal (PF) realizou uma operação contra supostas irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na capital, Macapá, no âmbito da operação Zona Cinzenta. A ação foi autorizada pela 4ª Vara da Justiça Federal. Os alvos da operação são o diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, e dois membros do comitê de investimento da entidade.

A investigação aponta que os três foram responsáveis pelos votos favoráveis à aplicação em LFs (letras financeiras) do Banco Master em três reuniões ocorridas em julho de 2024.

Segundo informações, a Amprev investiu cerca de R$ 400 milhões em ativos do Banco Master. Dentre uma série de fundos de estados e municípios que investiram em ativos do Master, o fundo do Amapá só não aplicou mais que o Rioprevidência (R$ 970 milhões), que também foi alvo de operação da PF neste mês.

Veja abaixo todos os estados e municípios que investiram em Master:

  • Estado do Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
  • Estado do Amapá (AP): R$ 400 milhões
  • Estado do Amazonas (AM): R$ 50 milhões
  • Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
  • Araras (SP): R$ 29 milhões
  • Cajamar (SP): R$ 87 milhões
  • Campo Grande (MS): R$ 1,2 milhão
  • Congonhas (MG): R$ 14 milhões
  • Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões
  • Jateí (MS): R$ 2,5 milhões
  • Maceió (AL): R$ 97 milhões
  • Paulista (PE): R$ 3 milhões
  • Angélica (MS): R$ 2 milhões
  • Santa Rita D’Oeste (SP): R$ 2 milhões
  • Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões
  • São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões
  • São Roque (SP): R$ 93,15 milhões

Com informações de CNN Brasil

‘Penduricalhos’: veja os tipos de auxílios suspensos por Dino que favorecem supersalários no serviço público

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A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que os Três Poderes revisem e suspendam “penduricalhos” ilegais do serviço público, ou seja, aqueles não previstos em lei, atinge uma lista de benefícios que favorecem os supersalários entre servidores de categorias privilegiadas, que chegam a ganhar mais que o teto constitucional.

Entre esses benefícios suspensos estão desde “auxílio-peru” a “auxílio panetone”, passando por “auxílio Iphone” e “auxílio-locomoção”. A decisão será analisada pelos demais ministros da Corte no plenário no dia 25 de fevereiro.

Ao determinar que órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário revisem, em até 60 dias, todas as verbas remuneratórias e indenizatórias pagas a seus agentes, Dino afirmou que se consolidou no país um sistema de “penduricalhos” incompatível com a Constituição. A determinação do ministro atinge todas as esferas da administração pública: municípios, estados e também o governo federal.

Na decisão, o ministro cita alguns exemplos:

  • Licença compensatória de 1 dia para cada 3 dias normais de trabalho, licença essa que pode ser “vendida” e se acumula com o descanso em sábados, domingos e feriados;
  • Gratificações de acervo processual (por vezes a premiar quem acumula muitos processos);
  • Gratificações por acúmulo de funções (exercidas na mesma jornada de trabalho, em dias úteis e no período diurno);
  • Auxílio-locomoção (pago inclusive a quem não comprova que se locomove para trabalhar);
  • Auxilio-combustível (pago inclusive a quem não comprova o gasto com combustível);
  • Auxílio-educação (por vezes sem que haja o custeio de qualquer serviço educacional);
  • Auxílio-saúde (independentemente da existência ou não de planos de saúde, e dos seus valores);
  • Licença-prêmio (também com conversão em dinheiro);
  • Acúmulos de férias, por vontade própria e unilateral do servidor, também a serem convertidos em parcelas indenizatórias

“O que se observa é uma multiplicação anômala de parcelas rotuladas como indenizatórias, utilizadas para ultrapassar o teto constitucional de remuneração”, afirma Dino em sua decisão.

Bônus natalinos

Dino também menciona benefícios que ganharam nomes como “auxílio-panetone” e “auxílio-peru”, classificando-os como pagamentos que, embora tenham denominação aparentemente anedótica, se tornaram recorrentes nos últimos anos e configuram, segundo ele, violação frontal ao teto constitucional.

“Ainda que se cuide de nomes aparentemente anedóticos, eles caem em conhecimento geral repetidamente nos últimos anos, configurando frontal violação à Constituição”, escreveu.

A medida também atinge outros tipos de penduricalhos que vem sendo adotados por órgãos Brasil agora. Um exemplo é o benefício implementado pela Procuradoria-Geral do Município de São Paulo que permite que procuradores recebam até R$ 22 mil para adquirir computadores, celulares e outros itens eletrônicos. A benesse passou a ser chamada de “auxílio Iphone”, em alusão ao aparelho telefônico de luxo.

A liminar de Dino foi dada em uma ação apresentada ajuizada por procuradores municipais de Praia Grande (SP) contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que limitou a remuneração da categoria a 90,25% do subsídio dos ministros do STF. Segundo os procuradores, a remuneração total da carreira deveria corresponder ao valor integral do subsídio dos ministros da Corte.

Pela decisão, todas as verbas que não tenham previsão legal expressa deverão ser suspensas após o prazo de revisão, com a publicação de atos administrativos detalhando o fundamento legal de cada pagamento.

 

Da Redação com informações de O Globo

Foto: Brenno Carvalho/ O Globo 

Escritório de Lewandowski recebeu milhões do Master sem atuar em ações

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Apesar do contrato milionário com o banco Master, o escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski não aparece em nenhum processo relacionado à instituição financeira.

Como revelou a coluna, Lewandowski mantinha um contrato de consultoria jurídica no valor de R$ 250 mil mensais com o Master, firmado com o seu escritório. Esse acordo permaneceu vigente até setembro de 2025, durante parte do período em que Ricardo Lewandowski foi ministro do governo Lula.

O contrato estava em nome da Lewandowski Advocacia, escritório registrado em nome da esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e de seu filho, Enrique de Abreu Lewandowski. Nenhum dos dois, contudo, atuou oficialmente como advogado em processos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e a suas empresas.

Em nota, Lewandowski confirmou a contratação do escritório para serviços de “consultoria jurídica”.

No entanto, esse serviço parece não incluir a representação do Master junto a autoridades do Poder Executivo.

Durante o período do contrato, a única reunião registrada de Enrique Lewandowski com alguma autoridade pública ocorreu em maio de 2024.

No dia 29 daquele mês, ele se encontrou com membros da Advocacia-Geral da União (AGU) para tratar de um processo em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre seguros habitacionais.

Não há qualquer menção ao Master no registro dessa reunião.

Yara possui inscrição na OAB de São Paulo e do Distrito Federal, mas sua atuação profissional é restrita a processos de natureza cível. Ela não possui processos registrados no Supremo Tribunal Federal.

Enrique, por sua vez, é mais ativo na advocacia. Além da sociedade com a mãe, ele também integra outro escritório em São Paulo e atua na defesa de grandes empresas.

Entre elas estão o grupo Ducoco e a Integralmédica, empresa do setor de suplementos alimentares, que têm ações em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Nenhuma dessas empresas possui relação com o Banco Master.

O contrato entre o Master e a Lewandowski Advocacia foi assinado em 28 de agosto de 2023, e os pagamentos prosseguiram até setembro de 2025, quando Lewandowski já estava no Ministério da Justiça havia 21 meses — ele assumiu o cargo em janeiro de 2024. O ex-ministro foi contratado após indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Após a coluna revelar as relações de Lewandowski com Vorcaro e o envolvimento de Jaques Wagner no assunto, o governo Lula foi pressionado a mudar de estratégia em relação à instalação da CPI do Master. Deputados da base estão recolhendo assinaturas para a criação da comissão, em uma tentativa de deter o controle sobre ela, caso venha a ser instalada.

Enrique Lewandowski: reuniões no Master eram a cada duas semanas

Por meio da assessoria, Enrique Lewandowski disse que seu contrato era de consultoria, o que não incluía atuar em casos específicos. Segundo ele, o trabalho consistia de reuniões presenciais uma ou duas vezes por mês na sede do Master, e de interlocução com o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó.

A atuação se concentrava principalmente em temas fiscais e tributários, área de expertise de Enrique.

 

Da Redação com informações da coluna Andreza Matais, de Metrópoles

Foto: Divulgação