A aprovação do chamado “PL da Dosimetria” nesta semana não é um avanço legislativo, mas um presente especial para beneficiar um único destinatário: o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um país que ainda tenta se recompor dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, o gesto do Congresso revela uma contradição gritante entre o discurso de defesa das instituições e a prática política.
O debate acelerado, a inclusão repentina na pauta e a votação em clima de urgência contrastam com a lentidão habitual para temas que impactam diretamente a vida da população. Quando interessa, o relógio da Câmara corre mais rápido e a madrugada vira terreno fértil para decisões que encontram menos resistência e menos holofotes.
A surpresa no Planalto, que não foi avisado da movimentação, escancara um tensionamento cada vez maior entre o governo e parte expressiva da Câmara. A condução do presidente da Casa, Hugo Motta, indica uma independência política que, na prática, reforça uma lógica orientada por acordos pontuais e não pelo interesse público.
No fim das contas, o PL da Dosimetria expõe o país a mais uma fratura institucional: a mensagem de que a lei pode ser moldada ao sabor da conveniência política. E pelas recentes movimentações, o Senado tende a repetir o papel de “Papai Noel”.
Da Redação


