Empresa envolvida com propina recebeu aporte de R$ 4,4 milhões com verbas da COP

A empresa Ômega Construtora e Incorporadora, recebeu, em meados de setembro, um aporte no valor de R$ 4,4 milhões. O montante é oriundo de uma linha de crédito especial para a Conferência do Clima (COP30) criada pelo ministro do Turismo, Celso Sabino.

Esses empréstimos usam recursos do Novo Fungetur (Fundo Geral do Turismo), política de financiamento a juros baixos, da pasta para o setor turístico. A empresa assinou um contrato com a Caixa Econômica Federal, banco credenciado pelo ministério, para acessar a verba.

Celso Sabino criou regras excepcionais para financiar empresas do Pará, seu berço político. Duplicou o limite máximo de empréstimo e determinou, por exemplo, que os bancos só poderiam aprovar propostas com “anuência” do ministério.

Deixou a responsabilidade de fiscalizar a aplicação da verba, porém, com os agentes financeiros credenciados. Definiu que caberia a eles “a comprovação da destinação dos financiamentos para apoio à realização da COP”.

Dono da Ômega, o empresário Igor de Sousa Jacob e o pai são investigados pela PF por saques de dinheiro vivo, em série, desde o fim do ano passado. Todos foram alvo de busca e apreensão em uma operação há menos de um mês.

Em uma troca de mensagem entre o pai e filho, Igor pergunta ao pai como deveria escrever um Pix que havia mandado ele fazer, na alegação de que precisaria do comprovante para “controle”, a resposta chegou 20 minutos depois com a seguinte pergunta: ‘corrup?’. A Polícia Federal logo averiguou que se tratava de um caso de corrupção. 

O inquérito apontou que a Ômega é uma empresa de fachada, usada para “escoar valores ilícitos” de um esquema sofisticado que desviou verba de contratos de saneamento da prefeitura de Belém. O ministro da pasta afirmou que faz a análise de crédito é a pasta “não tem qualquer ingerência” e disse não ter conhecimento sobre o motivo da empresa estar sendo investigada.

Empresa investigada

Pai e filho chegaram juntos a uma agência da Caixa Econômica Federal, em Belém, pouco antes da hora do almoço. Era o fim da manhã de uma quinta-feira, em meados de novembro do ano passado.

Dirigiram-se à área dos caixas, cada um portando uma mochila preta. Não sabiam, mas estavam sendo monitorados pela Polícia Federal, alertada pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de que ambos sacariam R$ 600 mil em espécie naquele dia.

Na saída do banco, a PF abordou os dois. Dias depois, prestaram depoimento, afirmaram que o dinheiro seria usado para pagar funcionários e fornecedores, e foram liberados. O dinheiro, contudo, ficou apreendido.

A investigação continuou ao longo deste ano. A polícia apontou, em relatório obtido pelo UOL, que Igor Jacob “atuava como operador financeiro” de um esquema de desvio de recursos públicos.

O empresário, segundo a investigação, organizava saques em espécie e intermediava “suborno a servidores e terceiros indicados”. A Ômega recebeu ao menos R$ 9,6 milhões em “transferências expressivas de recursos desviados”, “sem lastro em atividades reais.

 

Com informações de Tab Uol

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