Vídeo mostra prefeito de Humaitá e secretárias supostamente tentando manipular testemunho em investigação e chamando promotor de ‘doido’

Uma gravação anônima envolvendo o prefeito de Humaitá, Dedei Lobo, relacionada a uma investigação sobre suposto desvio de recursos públicos, está sendo apurada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). A portaria foi assinada pelo promotor de Justiça Weslei Machado, que também é citado na gravação.

De acordo com o relato do promotor, no dia 11 de abril foi encaminhado, de forma anônima, um vídeo à 2ª Promotoria de Justiça de Humaitá. A gravação mostra uma reunião que teria ocorrido em abril ou maio de 2024 na sede da Prefeitura de Humaitá, em uma sala vinculada ao setor financeiro da Secretaria de Fazenda ou ao gabinete do prefeito.

Além do prefeito, também estariam presentes na reunião a secretária municipal de Planejamento, Ana Cristina Melo, e a secretária municipal de Infraestrutura, Adrinéia Silva.

Na reunião, Dedei, Ana Cristina e Adrinéia estariam ajustando e preparando a versão de um ex-servidor público, Edivaldo Meireles de Oliveira, conhecido como “Zico”, em um processo do MPAM que investiga um possível esquema de desvio de recursos públicos. O suposto esquema envolveria a simulação de processos administrativos de pronto pagamento, fabricação de documentos falsos e repasse direto de recursos a agentes públicos e/ou políticos.

“Em outras palavras, a notícia aponta, em tese, para a existência de um núcleo criminoso com atuação no âmbito da Prefeitura Municipal de Humaitá, voltado não apenas à prática de infrações contra a Administração Pública, mas também à preservação do esquema por meio de falseamento documental, combinação de versões, cooptação de testemunho e tentativa de embaraço à atividade persecutória estatal”, relata o promotor no documento.

Ainda segundo o membro do MP, os fatos descritos podem indicar, em tese, a prática dos crimes de organização criminosa, embaraço ou obstrução à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, peculato-desvio ou delito funcional patrimonial correlato, falsidade ideológica, uso de documento ideologicamente falso e suborno de testemunha ou figura penal análoga voltada à corrupção da prova oral.

“Doido”

Durante a reunião, os envolvidos também teriam acusado o promotor de Justiça de Humaitá, Weslei Machado, de induzir Zico a incriminar a administração municipal em seu depoimento. Segundo o relato, os participantes afirmaram que o promotor estaria motivado por uma suposta perseguição pessoal contra o prefeito e chegaram a chamá-lo de “doido”.

De acordo com o promotor, a ação do grupo em preparar depoimentos e supostamente montar processos administrativos falsos evidenciaria uma estratégia de proteção dos investigados. O documento também aponta para uma tentativa de desacreditar o agente público e construir uma narrativa de perseguição para descredibilizar a investigação em andamento.

Medidas

Diante dos fatos, o promotor instaurou uma Notícia de Fato para verificar a procedência das informações contidas no vídeo, incluindo as supostas ofensas dirigidas ao membro do MPAM.

Como medida urgente, o Ministério Público determinou o acautelamento da mídia em ambiente seguro, com restrição de acesso, extração dos metadados disponíveis e geração de resumo digital, a fim de garantir a integridade do conteúdo.

Também foi determinada a transcrição integral da gravação, com a individualização dos interlocutores e destaque para trechos que façam referência a:

  • pronto pagamento;
  • simulação ou montagem de processo administrativo;
    prestação de contas;
  • entrega de dinheiro ou numerário;
    preparação, indução ou direcionamento de depoimento;
  • ocultação de responsabilidade de agentes públicos;
  • ataques à honra funcional do promotor de Justiça;
  • quaisquer outros fatos penal ou extrapenalmente relevantes.

Quebra de decoro

O promotor também solicitou a extração de cópia integral dos autos, incluindo o arquivo audiovisual, para encaminhamento urgente à procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque, para ciência e eventual adoção das medidas cabíveis contra Dedei Lobo por supostos crimes de calúnia, difamação e injúria praticados durante o exercício do cargo.

Os arquivos também deverão ser enviados, com urgência, à Câmara Municipal de Humaitá para apuração de possível crime de responsabilidade em razão de quebra de decoro por parte do prefeito.

DiarioOficialMPAM-2026-04-13-20-29

Da Redação
Ilustração: Portal O Poder

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