Quem é Jorge Messias, indicado ao STF

O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 20, tem uma sólida carreira na administração pública e um histórico de fidelidade ao PT, além de ser considerado um “evangélico progressista” — membro da Igreja Batista.

Jurista experiente, o pernambucano do Recife tem formação técnica e vivência na administração pública de alto nível. Antes de assumir a AGU, atuou como consultor jurídico no Senado e foi assessor jurídico da Presidência da República. Também passou pelos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação e foi procurador do Banco Central. É procurador da Fazenda Nacional desde 2007.

Graduado em direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é doutor pela Universidade de Brasília (UnB). Ele defendeu a tese “O Centro de Governo e a AGU: estratégias de desenvolvimento do Brasil na sociedade de risco global”, na qual fala do período do Mensalão e da Lava-Jato. No trabalho, cita o “conservadorismo e autoritarismo do STF”, que teria atuado “de maneira partidarizada em detrimento de interesses do PT”. Também classifica o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como “golpe” e “dolorosa derrota” do petismo.

É pessoa da extrema confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, por ser evangélico, tornou-se uma aposta do petista para quebrar a resistência com esse grupo, com vistas às eleições de 2026.

Se aprovado na sabatina do Senado, Messias, 45 anos, pode permanecer no STF por até três décadas. Segundo o regimento interno da Corte, os ministros são obrigados a se aposentar ao completarem 75 anos.

Mudança de foco na nomeação

O advogado constitucionalista Leonardo Morais Pinheiro aponta que as novas escolhas do terceiro governo Lula têm se baseado na lealdade para evitar arrependimentos. Neste mandato, o chefe do Executivo escolheu para a Corte os ministros Cristiano Zanin, advogado dele na Lava-Jato, e Flávio Dino, seu ex-ministro da Justiça.

“Tudo indica que Lula mudou de foco nas indicações ao STF: antes era mais suscetível a pressões políticas de grupos de interesses. Hoje, ele foca muito mais em uma composição de conhecimento técnico, habilidade política, compromisso democrático e, logicamente, fidelidade a um campo político”, ressalta.

Para Pinheiro, Messias tem um perfil único. “Se fosse rotulá-lo, diria que seria um evangélico de esquerda, ou um social-democrata assumidamente religioso. Nesse aspecto, se parece com o ministro Flávio Dino. É nordestino, e não vem de família tradicional.”

O cientista político André César ressalta que o presidente está se cercando de pessoas de sua extrema confiança. “Lula se sentiu traído em alguns momentos. Talvez, o ponto mais grave tenha sido quando ele estava preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba, e o ministro Toffoli não autorizou que comparecesse ao velório do irmão, o Vavá”, diz.

Tentativa de aproximação com os evangélicos

O advogado Cláudio Pereira de Souza Neto avalia que, apesar da pressão para que o presidente escolhesse uma mulher, o AGU também representa uma parcela importante da população. “É nordestino e é evangélico. Então, também tem essa dimensão de representar uma parcela significativa da sociedade brasileira”, observa.

Desde a campanha de 2022, Lula tenta reduzir a distância para os evangélicos, majoritariamente ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. À época do pleito, ele lançou a Carta Compromisso com os Evangélicos, prometendo respeito à liberdade religiosa e posicionando-se contra o aborto.

 

Da Redação com informações de Correio Braziliense 

Foto: Divulgação

Últimas Notícias

Após erros no preenchimento de dados, candidatos declaram bilhões em bens no TSE

Candidatos que concorrerão às eleições de 2026 tiveram seus dados preenchidos de forma equivocada pelos partidos políticos, causando declarações...

Mais artigos como este